Literatura

Livros físicos x E-Books: é possível acabar com esta guerra do universo literário?

O iBahia conversou com leitores e escritores para entender as vantagens de cada formato e trouxe algumas sugestões de obras para quem deseja aprofundar o hábito de leitura

Maria Beatriz Pacheco* (maria.beatriz@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Cultivar o hábito da leitura para passar o tempo durante a pandemia tem sido uma estratégia bastante usada pela população. Prova disso é que, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Nielsen, em novembro de 2020, houve crescimentos de 25% em volume de livros vendidos se comparado ao mesmo período de 2019. Neste contexto,  também cresceu a procura por obras em formato digital, conhecidas como e-Book.

Foto: reprodução
E não é que essa realidade tem provocado uma grande discussão no universo literário? Desde que obteve o primeiro e-Book, a estudante de psicologia Beatriz Trindade não quer mais saber de obras impressas. "Minha mãe sempre comprou livros para mim quando eu era criança, mas acabei perdendo um pouco dessa cultura por falta do tempo, recuperei durante a quarentena. Prefiro digitais por questões de praticidade, conforto e preço. Consigo baixá-los e ler na mesma hora sem precisar ficar naquela ansiedade de aguarda o envio", relata.

Já o estudante de comunicação Leonardo Lima até tentou se render aos e-Books, mas ele gosta mesmo é da experiência do texto em mãos. "Lembro que meu avô me deu a coleção de Harry Potter quando eu tinha uns 9 anos. E aí quando vi, eu virei aquele aluno que ia na biblioteca da escola todo intervalo. Acabei não querendo me acostumar a nova forma de ler, já passo muito tempo diante das telas. Por enquanto, eu ainda me dou melhor com os impressos, gosto de sentir o peso quando leio. E ver o marcador de página avançando me deixa muito feliz!", argumenta.

Será que existe realmente uma maneira correta para ler e publicar livros? Para te ajudar na escolha, o iBahia conversou com leitores e escritores para entender as vantagens e desvantagens de cada formato.

Na guerra entre os livros físicos e digitais, os escritores Vanessa Brunt e Edgar Abbehusen assumem uma posição de centro. "Eu sou do time do livro. Acho que o digital chegou pra somar. Tudo depende da minha condição para leitura. Hoje, eu uso Kindle e, quando gosto de uma obra, compro a sua versão física para ter na minha biblioteca pessoal", pondera o autor.

Disposta a levantar a bandeira branca no duelo, Vanessa acredita que é preciso reconhecer as vantagens e desvantagens de cada um. "O e-Book traz essa facilidade. Você não precisa sair de casa, é só comprar, baixar e ler. No entanto, a formatação nunca chegará aos pés da versão física. Esta, proporciona experiências sensoriais únicas no leitor, como tocar, marcar com lápis e sentir o cheiro. Por outro lado, são bem menos práticos", avalia. 

Para quem deseja se tornar escritor, a dica de Vanessa é apostar na mistura. "A reputação do livro físico continua em alta, seja lançado por uma editora ou de maneira independente, então é válido tentar, nem se seja uma única tiragem. Porém, ele não te trará novos leitores tão facilmente. O ideal é sempre misturar os dois, mas, para novos escritores, o mais vantajoso é o e-Book, porque ele traz mais visibilidade e traz mais controle sobre vendas", indica.

E seria a ascensão dos e-Books responsável pelo declínio dos materiais impressos? Os especialistas acreditam que é preciso ter calma. "Acredito que todo o mercado está começando a passar por uma formatação. Evolução. O que é natural em qualquer segmento. O digital não é o vilão, muito pelo contrário. Graças ao digital, a leitura pelo país aumentou significativamente. É um momento de reflexão, analise e ação para o mercado", finaliza Edgar.  



EXTRA! Confira abaixo livros indicados pelos entrevistados na matéria

1. Beatriz Trindade: Comunicação não violenta: como se relacionar com empatia de Marshall Rosenberg

2. Edgar Abbehusen: Torto Arado, de Itamar Vieira Jr.

3. Leonardo Lima: Fim, de Fernanda Torres

4. Vanessa Brunt: É Assim que acaba, Colleen Hoover e 'Ir Também é Ficar', que reúne textos de diferentes escritores, incluindo a própria Vanessa.

*Sob supervisão da repórter Lívia Oliveira