Comportamento

Mãos que unem beleza e axé em cosméticos: conheça a história de Jacque Bastos

História dessa baiana de 26 anos é costurada por diversas linhas da vida: a fé nos orixás, a formação em engenharia química, a gravidez aos 19 anos e a vontade de empreender

Isadora Sodré (isadora.sodre@redebahia.com.br)

Das mãos e do sentimento de uma mulher negra nascem produtos de beleza envolvidos pela energia do axé e da ancestralidade. Isso poderia definir a história da empreendedora e mãe Jacque Bastos, dona da marca de cosméticos Abebé.

A história dessa baiana de 26 anos é costurada por diversas linhas da vida: a fé nos orixás, a formação em engenharia química, a gravidez aos 19 anos, ser mãe-solo durante muito tempo e a vontade de empreender e ir contra a lógica das grandes indústrias.

Ancestralidade, fé e o poder feminino integram o conceito da Abebé, marca de cosméticos criada por Jacque (foto: divulgação)
“A ideia de empreender veio através de duas situações. A primeira foi perceber o quanto ainda há uma grande intolerância em Salvador contra as religiões de matriz africana. Onde eu trabalhava era difícil falar da minha religião e isso me incomodava. Outro fator que eu não me identificava era com a lógica do mercado industrial, onde percebia que as pessoas eram vistas como máquinas”, contou Jacque.

A empresária engravidou aos 19 anos e, após se formar, procurava emprego em várias empresas, mas sempre era questionada sobre a sua filha.

“No momento em que eu falava que eu era mãe, não existiam mais perguntas sobre o campo profissional. Tudo era sobre a minha filha. Foi ali que percebi o que era a indústria e que não queria estar dentro dela”, pontuou.

Tudo isso motivou Jacque para que ela conseguisse elaborar a sua marca e os seus produtos em torno da força do candomblé e da ancestralidade. A ideia é mostrar uma linha de produtos bons, bonitos e que expressem de fato o que esta religião traz.
Linha de produtos é elaborado através de uma perspectiva energética, com preceitos ancestrais (foto: divulgação)
“Eu sou filha de Oxum (orixá ligada à beleza e a fertilidade), a partir disso pensei no que a engenharia química poderia me oferecer e surgiu a ideia de elaborar cosméticos. É algo que está ligado à beleza, ao feminino e à referência de quem é Oxum. Aqui eu tenho um ponto de encontro entre a minha profissão e minha religião”, explicou a empreendedora.

Linha de produção
Abebé é o nome de uma das ferramentas de Oxum que é representada por um espelho da verdade. Ele é uma referência ao poder feminino, característica que está presente em todos os produtos da marca.

“Eu elaboro os cosméticos a partir de uma perspectiva energética, penso uma linha para um determinado sentido ou para uma determinada energia de um orixá. A linha yabás, por exemplo, é sobre orixás mulheres e, por isso, eu trabalho com os insumos e óleos essenciais que trazem uma sensação de acolhimento, de amor maternal”, explicou.
Produtos da linha Yabás (foto: divulgação)
O processo de produção é artesanal, no qual Jaque pensa os conceitos, elabora a fórmula e confecciona os cosméticos. O objetivo é que, logo em breve, a empresa cresça ainda mais e seja possível desempenhar um processo de produção em larga escala.

“Trabalho com os aromas baseados no conhecimento de tecnologia ancestral sobre energias, orixás, flores e folhas. Com os óleos essenciais eu trago a energia do candomblé, do ambiente de terreiro e as pessoas podem vivenciar isso no dia a dia usando os produtos”.

A marca Abebé conta com sabonetes, hidratantes, óleos, linha facial (sérum e máscara de argila) e com uma linha capilar (máscara, finalizador e shampoo).

Crescendo com as comunidades de terreiro
Jaque fundou a Abebé no mesmo ano em que foi iniciada no Candomblé, em 2016, e logo no início do projeto contou com uma ajuda financeira do padrasto. A empresa foi crescendo e a empreendedora precisou, além de um maior aporte financeiro, de uma ajuda para direcionar o negócio.

Após conseguir apoio do fundo de investimento Bem-Te-Vi, de São Paulo, ela está começando a estruturar uma rede de vendas diretas da Abebé nas comunidades de terreiro.
Linha de produtos Òsún (foto: divulgação)
“Além de vender nossos cosméticos,  as comunidades de matriz africana poderão se fortalecer culturalmente e socialmente. A ideia é ter revendedores dos produtos em terreiros e, além de todo material que será dado, nós vamos oferecer cursos. O objetivo é que as pessoas tenham um  treinamento financeiro para que saibam gerir o dinheiro e consigam crescer com isso”, detalhou a empreendedora.

Os sonhos de Jaque são grandes e ultrapassam as barreiras da Bahia. “Quando eu visualizo a Abebé, eu penso em algo grande, que todo o Brasil conheça. Quero que a gente consiga impactar as comunidades de terreiro, que a gente consiga muitos revendedores e que  a vida das pessoas mudem por isso. Sei que tenho muito caminho para percorrer, mas cada pequena vitória eu comemoro e isso me dá força para acreditar”, finalizou Jaque.

Se interessou pelos produtos da Abebé? Conheça o e-commerce e o Instagram da marca.