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Marketing de influência: influenciadoras baianas falam sobre o mercado e como viver disso

De acordo com uma pesquisa do Instituto Qualibest, 76% dos internautas já consumiram um produto ou serviço após a indicação de um influenciador digital

Lívia Oliveira (livia.oliveira@portalibahia.com.br )
- Atualizada em

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Os influenciadores estão cada vez mais presentes na vida das empresas e dos consumidores. De acordo com uma pesquisa do Instituto Qualibest, 76% dos internautas já consumiram um produto ou serviço após a indicação de um influenciador digital. Com base nisso, o iBahia conversou com Allysson Raia, CEO da produtora de conteúdo Forrest, e com as influenciadoras soteropolitanas Amanda Dias e Carol Gonçalves para entender como funciona esse mercado do marketing de influência. 

Mas, você sabe o que é marketing de influência? A estratégia consiste no conjunto de ações digitais que usam um interlocutor (influenciador) com poder de convencimento para fazer a ponte entre uma marca e o público. Ele é usado para atrair novos clientes, gerar valor e confiança para a marca, reter clientes existentes e estimular a decisão de compra por produto ou serviço. 

De acordo com Allysson Raia, o método surgiu no século XIX quando uma marca de ingredientes para panqueca contratou uma ex-escrava chamada Nancy Green para estampar a embalagem de seu produto.

"A narrativa envolvente e a presença de Nancy, que tinha empatia para gerar confiança no público, consolidou o sucesso de vendas da marca", contextualizou. 

E quem são os influenciadores? Também conhecidos como influencers, são pessoas produzem conteúdo nas redes sociais ou em outros veículos de troca de informações no meio digital.

Eles possuem um grande volume de pessoas engajadas com seu conteúdo e alto poder de influência sobre elas. Na web, é possível encontrar influenciadores de todos os segmentos: moda, estética, empreendedorismo, finanças, educação, gastronomia, humor, entre outros. 

Amanda Dias e Carol Gonçalves vivem exclusivamente de produzir conteúdo para web | Foto: arquivo pessoal

Como nasce um influenciador e como funciona a relação com o público? 

Os influenciadores digitais produzem variados conteúdo, para as redes sociais e até blogs, sobre um segmento que possuem afinidade. Com os seguidores, eles dividem todos os dias seu estilo de vida, hábitos, opiniões e dicas. 

Ao iBahia, Amanda e Carol contaram que suas trajetórias como influenciadoras começaram de uma forma bem natural. 

Amanda Dias é dona da página Grana Preta, no Instagram, e conta com mais de 36 mil seguidores. No perfil, ela fala sobre educação financeira, desde orientações para economizar até dicas para começar a investir dinheiro. 

"Sou jornalista e sempre trabalhei com internet em agências. Em um determinado momento, comecei a observar essa movimentação de influenciadoras digitais, percebi que elas tinham bastante autonomia do que elas postavam e falavam nas redes sociais e que dava para fazer dinheiro e viver disso. Me interesse por esse universo e no final de 2018 criei o Grana Preta. Inicialmente, fazia um conteúdo mais opinativo, interpretando notícias de economia", relembrou Amanda.   


Carol Gonçalves é dona da página Blog Mulher Melhore, no Instagram, e conta com mais de 51 mil seguidores. Na página, ela fala traz conteúdos sobre moda, beleza e estilo de vida. 

"Sou publicitária e sempre gostei muito da Revista Capricho, queria trabalhar lá. E eu avaliei que poderia criar meu próprio portal de notícias (um blog) para falar de famosos, colocar coisas que eu comprava e gostava.  Em 2016, resolvi profissionalizar o blog, fazer um layout e depois acabei criando o Instagram como uma mídia de apoio, mas hoje é o meu canal principal. O meu maior objetivo é compartilhar dicas para fazerem as mulheres melhorarem de alguma forma", relatou Carol. 

Para as influenciadoras, o feedback dos seguidores, que acompanham os conteúdos e se identificam, é a melhor parte do processo.

"A interação das pessoas é fundamental, é o grande combustível para a gente querer continuar. Faz a gente se sentir importante, querer estudar, encontrar novos caminhos e colocar a cara a tapa mesmo", avaliou Amanda.

Já Carol reforçou a parte que a palavra do influenciador tem um grande peso. "Tem horas que eu paro para pensar que é muita responsabilidade, porque eu não posso me contradizer, tenho que ter certeza do que estou falando. O que pode parecer uma besteira para mim pode significar muito para outra pessoa". 

Como funciona a contratação de um influenciador por uma marca? 

No marketing de influência, as marcas podem trabalhar com mídia paga (contrata e remunera influenciadores para fazer campanhas ou ações com foco na divulgação de um produto, serviço ou marca) e mídia conquistada (quando o influenciador fecha negócio com uma marca sem uma contrapartida financeira, porque vai lhe render visibilidade e prestígio no mercado). 

No início, esses profissionais da internet podem se cadastrar em plataformas de marketing digital, que fazem a ligação entre os influenciadores e a marca, com base no perfil desejado para campanha.

Squid, Spark iBahia e Digital Favela são algumas de plataformas disponíveis. Depois, as próprias agências começam a entrar em contato com o influenciador quando surgir algum trabalho que combine com o público que ele dialoga.

"Todas as empresas devem investir em marketing de influência. Antes de contratar um influenciador, é importante definir quais são os objetivos comerciais e escolher um profissional que consiga canalizar o discurso da marca com coerência e efetividade, para potencializar sua promessa única de venda frente aos seus concorrentes e ao público consumidor", orientou Allysson Raia, que também sinalizou que é imprescindível que tenha um contrato entre as partes que determine as responsabilidades e questões comerciais. 

Com vencer as dificuldades e viver só de marketing de influência?

A remuneração por prestação de serviço é o ponto que merece maior atenção, pois não existe uma tabela fixa de valores. "O pagamento varia muito. Os cálculos de valor são bem específicos para cada pessoa, com base no que ela fala e com a marca que ela vai trabalhar", contou Amanda. Ela sinalizou ainda que os preços praticados aqui em Salvador e região são bem diferentes que no resto do país, principalmente em comparação com o Sul e o Sudeste. 

As duas influenciadoras falaram que aprenderam sozinhas a tocar o próprio negócio. Edição de vídeo, fotos, criação de card, alternativas para gerar renda mesmo sem fechar publi, entre outras coisas. "Tudo tem tutorial no YouTube, sou formada pelo YouTube (risos)", indicou Carol.  Atualmente, ambas vivem exclusivamente de produzir conteúdo para internet. 

Além disso, elas também afirmaram quais foram e são os pontos indispensáveis para o sucesso:  um bom planejamento, regularidade de postagens de conteúdo - independente de fechar contrato de publicidade ou não -, estudo constante sobre as temáticas abordadas e muita criatividade.  

*A Forrest lançou um projeto de podcast falando sobre a evolução do marketing de influência. O primeiro episódio da temporada é "A jornada até os influenciadores digitais", que aborda as origens do marketing de influência, dicas para se tornar um influenciador e os critérios que as marcas devem ter atenção nas suas estratégias. É possível acompanhar o conteúdo clicando aqui