Comportamento

Muito além de gerar e educar: Mariene de Castro abre o jogo sobre maternidade

"Sei de 'cor e salteado' quais são as maravilhas e as dificuldades", garante a cantora

Lívia Oliveira (livia.oliveira@redebahia.com.br )
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"Sempre digo que ser mãe é trabalho bom", garante Mariene de Castro, de 42 anos, ao falar sobre os desafios e delícias da maternidade. A cantora, que é mãe de quatro filhos - João, Bento, Pedro e Mari -, se alegra ao lembrar que os pequenos sempre estiveram presentes da sua rotina e em todos os momentos da sua carreira. 

Dar conta de tantas experiências artísticas e atividades diárias exige muito jogo de cintura, mas Mariene explica que sempre conseguiu interligar tudo. 

"Meus filhos são crianças boas, tranquilas, que estavam sempre perto de mim. Viajávamos juntos. Eles estavam no camarim e eu amamentava na passagem de som. Essa fase de amamentação é muito importante quando os filhos podem ficar com as mães, porque é um elo e uma conexão ali importantíssima de fortalecimento de laços. Sinto que meus filhos são muito seguros e eu devo muito a essa fase da gente está integralmente juntos ali", conta a cantora. 

Foto: Edson Machado / reprodução - Instagram

A trajetória de Mariene reforça o quanto é importante se desafiar no palco da vida e aproveitar todas as oportunidades. Além dos mais de 20 anos encantando o Brasil e o mundo com a sua música e com a dança, ela leva na bagagem participação em filmes e na novela "Velho Chico" (2016), onde deu vida à personagem Dalva.

Ao iBahia, Mariene conta que não imaginava que sua carreira tomaria toda essa proporção e deixa claro que ainda tem muitos sonhos para realizar. "Eu nunca nem imaginei que seria cantora, queria ser bailarina. Comecei minha carreira com arte em sala de aula fazendo dança. Nunca imaginei nada disso. Tudo foi acontecendo. E ainda quero fazer muitas coisas e um dos meus sonhos é conseguir reencontrar os meus ancestrais indígenas e africanos. É algo que minha alma pede. Quero agradecer a eles por tudo que eu sou e por tudo que eles deixaram de herança para mim", detalha. 

Em homenagem ao Dia das Mães, que é comemorado neste domingo (9), o portal conversou com Mariene de Castro sobre maternidade, carreira, desafios da vida e pandemia. Confira a entrevista: 

Foto: reprodução / Instagram

iBahia: Como a maternidade surgiu na sua vida? 

Mariene: Desde pequena eu sou mãe, sempre fui cuidadora. Cuidadora, cuidadosa e me sentia muito responsável desde muito cedo e esse lugar da maternidade chegou na minha vida trazendo esse arquétipo de Oxum, esse sentimento, dessa necessidade que a minha alma tem de cuidar do outro.

iBahia: Qual foi o momento mais marcante da maternidade em sua vida? 

Mariene: Acho que cada minuto é precioso, eu não saberia dizer o que é de mais sagrado. Claro que ver a chegada, olhar o rosto pela primeira vez é sagrado, mas amamentar também é muito bom, ver os primeiros passos, a primeira palavra, eu acho tudo muito lindo. E agora ver todo mundo já crescido é emocionante. Fico com o coração acelerado de emoção quando vejo o desenvolvimento, o crescimento, o caráter e as atitudes deles.

iBahia: Qual o maior desafio de ser mãe? 

Mariene: Acho que se despedir da fase pequeninhos, dessa primeira infância, que eu amo, mas eu acho que a vida cada dia que se vive é um pouco de saudade que se sente. Eu tenho essa sensação em tudo, não só vendo meus filhos crescendo. Eu sinto saudade quando olho meus filhos crescidos e vontade de carregar no colo de novo, de proteger e dizer fica aqui, porque eu não sei como esta o mundo lá fora.

Sei que vai ser trabalho para vida inteira, mas é trabalho bom. Eu sempre disse que filho é trabalho bom, então para mim quando a gente fala de algo que você faz com amor não é uma obrigação. Filho para mim está neste lugar, nunca esteve no lugar de obrigação.

Mariene e família | Foto: reprodução
iBahia: O que você acha dessa ideia de maternidade idealizada como algo perfeito? 


Mariene: Eu gosto de olhar o lado bom das coisas. Não é romantizar aquilo que dói, é olhar com olhar de realidade para aquilo que dói. As vezes a gente vai amamentar e o bico do peito começa a sangrar, mas você precisa continuar amamentando e pensa no lado bom daquilo, que o seu filho está sendo alimentado e que ele vai crescer forte. Você ganha força e o bico do peito vai sarar. É uma questão de como você enxerga as dificuldades. 

Uma mulher que tem uma quantidade de filhos como eu tive sabe de "cor e salteado" quais são as maravilhas e as dificuldades, principalmente no meu caso que fui mãe solteira. Eu dei conta e dou conta dos meus filhos. Pude vivenciar também esse lugar de força, dessa solitude, dessa escolha de criar meus filhos e ser a provedora da minha vida. 

iBahia: Você tem uma carreira bem intensa e leva na bagagem apresentações musicais e interpretações no cinema, na TV. Como é conciliar tudo isso com os filhos, a família? 

Mariene: Apesar de toda essa gincana que é cuidar dos filhos, da família, trabalhar e cuidar do cabelo (risos). Sempre fiz várias coisas ao mesmo tempo. Eu ouvia dizer que não era possível conciliar carreira e família. Tinha esse estigma de não poder ter uma família, de não poder dar conta de uma família, carreira, filhos, marido e casa. Lógico que é trabalhoso fazer tudo isso, mas é trabalho bom, que me dá prazer, me motiva e me faz ser melhor. 

iBahia: Você acredita que a maternidade, o convívio com seus filhos, te inspira artistícamente? 

Mariene: Muito e em tudo. Tudo foi feito para eles, cada disco meu tem uma relação com uma chegada deles. João no "Abre Caminho", Pedro com o "Santo de Casa", Bento com "Tabaroinha", e Maria ali também chegando com "Ser de Luz". Tem muita conexão. 

A inspiração vem da natureza deles, desse lugar que eu sou apaixonada, que é ser mãe. Hoje, eu vejo eles cantando as músicas, tocando, interessados. Saber que os meus filhos gostam do que eu faço, que fiz tudo isso por eles, também é uma história de amor, bonita entre mãe e filhos, entre uma carreira de cantora e filhos. 

Mariene e seus filhos | Foto: reprodução / Instagram

iBahia: A pandemia mudou a vida de todo mundo de alguma forma. Como você tem enfrentado esse momento? É difícil controlar a "turminha" em casa? 

Mariene: Apesar de ser uma artista do mundo, eu sou uma mulher de casa. Eu gosto de ficar em casa e os meus filhos também.  Voltar para casa sempre foi o meu melhor lugar, estar em casa com eles sempre foi a coisa que eu mais sonhava. A nossa vida em si já era assim sossegada. Nesse momento de pandemia estamos tendo a oportunidade de ficar juntos o tempo todo e isso é muito bom. 

E eu não preciso controlar. A minha turminha foi criada para ser. Cada um sabe da sua responsabilidade, a gente vai se ajudando. A gente gosta de comer pipoca e brigadeiro de colher, de ficar em casa ouvido música, lendo um livro, fazendo coisas entre a gente. E isso contribui muito. Lógico que a gente quer ir em uma praia, no shopping, que a escola é legal, mas não é momento.

iBahia: E como anda seu processo de criação artística nesse período? 

Mariene: Eu tenho cantado desde setembro para uma câmera virada para mim. É assim que tem sido meus shows, meus eventos, online e com um músico. E eu tenho uma banda de 10 pessoas, mas é o que pode ser agora. Lancei alguns singles durante a pandemia e também o álbum "Abre Caminho", que foi meu primeiro disco, mas teve um tiragem pequena de mil cópias e só agora é que eu disponibilizei nas plataformas digitais. 

Tenho criado dois shows novos a cada mês. É desafiador? É, mas só me melhora como pessoa, como artista. Estou vivendo algo muito parecido com o início da minha carreira, em que eu fazia tudo. A minha equipe sou eu, o meu marido e os meus filhos. A minha casa é o meu set, meu palco e assim tem sido. 

E no dia do meu aniversário (12 de maio) vou lançar o single Abian. Uma música que foi feita há 16 anos, quando me iniciei no Candomblé e eu vou lançar agora. Adaptei a minha casa, o quarto dos meus filhos, para gravar com eles ali perto de mim, foi um momento muito sublime. 

Assista: