Tecnologia

O céu é o limite: Google completa 20 anos e lança novidades nas buscas

Confira a história do gigante em buscas e veja como proteger seus dados

Naiana Ribeiro*, do Correio 24h (naiana.ribeiro@redebahia.com.br)
Pode até não parecer muito tempo, mas, há  20 anos, o filme Titanic ganhava 11 Oscars, o presidente ainda era Fernando Henrique Cardoso,  o navegador Internet Explorer tinha acabado de ser lançado, assim como o acesso à internet era através conexão via rádio. Em 1998, nascia também o Google, um repositório de sites existentes na internet.
Duas décadas depois, a ferramenta de busca online está em todos os lugares - computadores, celulares e até em eletrodomésticos. E não mais se resume a responder perguntas, mas também se define como um assistente que proporciona experiências e descobertas. Os engenheiros do Google, serviço de buscas mais usado do mundo, têm trabalhado duro para transformar a jornada do usuário mais precisa, intuitiva e customizada. 
É que mais de 80% da receita da empresa vem da tecnologia, segundo o presidente do Google no Brasil, Fabio Coelho.  Pensando nisso, a empresa anunciou três novidades durante a comemoração na última semana.
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Uma nova funcionalidade, já disponível, melhora buscas em tópicos relacionados. Quando alguém faz várias pesquisas sobre um mesmo tema, verá imagens e links semelhantes no que eles chamam de Painel do Conhecimento, recurso que exibe informações relacionadas com o termo procurado pelo usuário já na página de resultados. “Se o usuário buscar por Neymar e depois por Messi, a pesquisa vai mostrar um carrossel com fotos de outros jogadores no topo da página, com respostas que vão ajudá-lo a continuar explorando”, exemplifica o engenheiro-chefe de Busca Bruno Pôssas.
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O recurso desenvolvido no Brasil já atinge 0,5% das buscas diárias do sistema no mundo. No país, a empresa tem  150 engenheiros de software, 70 focados no aprimoramento da busca. 

Outra novidade feita no Brasil estará disponível em maio. Os snippets em destaque – respostas resumidas que aparecem logo no topo das buscas a partir da análise de todos os documentos na web - vão contar com imagens contextualizadas e “pesquisas relacionadas”. Com isso, os usuários poderão aprender mais sobre um tópico ou descobrir novas informações de interesse.
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Por fim, os painéis de conhecimento ganharam conteúdo extra. Ao pesquisar sobre esqui, por exemplo, dá para ver também informações relacionadas a esportes como o snowboard, por exemplo, diretamente dentro do resultado. Este último recurso foi desenvolvido nos Estados Unidos. “O usuário pode explorar todo o conteúdo que oferecemos de uma forma dinâmica e visual, com resultados que vão desde fotos a vídeos e números”, garante o diretor de engenharia do Google para a América Latina Berthier Ribeiro-Neto.

Contexto
Esses e outros aprimoramentos levam em consideração que, hoje, 50% das buscas são feitas por celular. Também faz parte da estratégia da empresa deixar o  buscador mais personalizado, direcionado e tornando-o um assistente para as pessoas e organizações. “A primeira grande revolução foi no início, com o PageRank, que rastreava a web e dava resultados de pesquisa em ordem de importância”, lembra Berthier.
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Em 2007, a mudança drástica foi mover a busca para o celular. “Nós demos aos internautas a possibilidade de procurar respostas dentro do ambiente que está inserido. Em pouco tempo, entendemos que digitar no celular é difícil e elevamos a ferramenta a novo patamar com a busca por voz. Com a revolução do mobile, as buscas consideram a localização das pessoas, se estão em movimento... Contexto é tudo”, explica o cientista da computação. 

O resultado disso é que entre 5% e 10% das buscas globais são feitas agora através da ferramenta de voz, um dos principais focos de trabalho dos engenheiros do Google. Em menos de um ano, a taxa de erro do reconhecimento de voz foi reduzida em 50% graças a técnicas de inteligência artificial. “O aperfeiçoamento da máquina é fundamental na hora de buscar respostas para perguntas novas, complexas ou muito específicas”, pontua Pôssas.

Limites?
Mal imaginariam os estudantes de pós-graduação Sergey Brin e Larry Page, em 1998, que a ideia deles mudaria gerações. Vinte anos depois, os gigantes da pesquisa mostram que o céu é o limite quando o assunto é buscas e inteligência artificial. “Eles tinham uma visão ambiciosa de tornar todo o conhecimento do mundo disponível e acessível para todas as pessoas em qualquer lugar. Há 20 anos, isso era uma loucura. O Google evoluiu com a nuvem, a mobilidade e ajudou a formar uma sociedade mais inclusiva e informada. Hoje, a busca conecta  usuários com conteúdos e virou uma fonte de insights e transações. É um oráculo, onde as pessoas perguntam coisas que elas não perguntam em outros lugares”, resume Coelho.

Engenheiros não têm acesso a dados pessoais
Após polêmica envolvendo dados no Facebook, a preocupação dos usuários com a segurança das suas informações na internet tem sido cada vez maior. Pensando nisso, o Google deixa cada vez mais claro quais informações são usados e compartilhadas pela empresa. 
“Mantemos as informações pessoais do usuário particulares, seguras e controladas”, afirma o  diretor de engenharia do Google  Berthier Ribeiro-Neto.

Ele destaca que quem tem uma conta Google pode entrar em Minha Conta e ver exatamente o que está sendo usado. A empresa diz respeitar as opções de compartilhamento limitado ou configurações de visibilidade que o usuário faz para a conta. Todas as políticas de dados da ferramenta estão disponíveis também no site www.policies.google.com/privacy.
Os dados para melhora de produto são usados de forma agregada e anônima. Segundo o engenheiro-chefe de buscas do Google, Bruno Pôssas, todas as informações que identificam os usuários individualmente são removidas antes de serem processadas pelos engenheiros. Empregados, contratados e representantes do Google estão sujeitos a rigorosas obrigações contratuais de confidencialidade. “Não temos acesso a nenhum tipo de usuário. A gente só consegue validar se o produto está funcionando ou não com o nosso próprio usuário. O controle é bem  forte”, garante Pôssas. 
Funciona como uma moeda de troca: as informações coletadas servem aprimorar os serviços da ferramenta. “Quando o usuário compartilha informações conosco, por exemplo, criando uma Conta do Google, podemos tornar esses serviços ainda melhores – mostrar-lhe resultados de pesquisa e anúncios mais relevantes, ajudá-lo a se conectar com pessoas ou tornar o compartilhamento com outras pessoas mais rápido e fácil”, resume texto do Google.
*A repórter viajou a São Paulo a convite do Google