Transformação Digital

O que são cidades inteligentes e como elas te afetam?

Seis cidades brasileiras são consideradas ‘inteligentes’, mas estão bem longe do topo

Especial de Conteúdo

Se você receber a informação de que Nova Iorque é a cidade mais inteligente do mundo, o que vai entender? Ser inteligente, no caso de uma cidade, tem a ver com tecnologia, sustentabilidade, governança, planejamento urbano, alcance internacional, mobilidade e transportes. Pelo menos é o que a escola de negócios IESE da Universidade de Navarra, na Espanha, levou em consideração para montar o ranking divulgado em julho deste ano. E para conseguir boa nota, é importante achar um equilíbrio entre todos os critérios.

Mas mais importante do que saber que Nova Iorque é a cidade mais inteligente do mundo, é entender o que isso significa e de que modo impacta na vida de quem mora lá ou quem visita a cidade americana. Mauro Fukuda, diretor de Estratégia, Tecnologia e Arquitetura da Oi explica que o espaço precisa ter uma série de fatores para se tornar inteligente. “É preciso que a cidade crie um ambiente que seja ao mesmo tempo inteligente, inovador, útil, acessível, interativo, colaborativo e que melhore de fato a vida de seus cidadãos, utilizando para isso todo o potencial de sua infraestrutura e das tecnologias de informação e comunicação”, pontua.

O título de ‘smart city’ é dado, dessa forma, àquelas cidades que encontram um equilíbrio entre esses pontos, tendo a tecnologia com ferramenta para tal.  No caso de Nova Iorque, o que a torna a cidade mais inteligente do mundo, são ações como a instalação de sensores de presença em 90 escolas da cidade, em 2017, o que deve reduzir as emissões de gases do efeito estufa e economizar mais de US$ 2 milhões por ano.

Enquanto isso, o Brasil até pode dizer que possui cidades inteligentes, mas o país – e suas respectivas capitais presentes no ranking da IESE – ainda tem muito a evoluir para chegar em um alto patamar de “smart city”. Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba são as brasileiras “inteligentes”, e Fukuda explica o porquê. “Estas cidades se destacam, porque desenvolveram um conjunto de facilidades para seus cidadãos e para o crescimento urbano inteligente e sustentável da mesma. Implementaram soluções para resolver problemas de mobilidade urbana (transporte público, trânsito), saúde, segurança pública, entre outros, além de se preocuparem com um planejamento urbano (envolvendo construções, saneamento, mobilidade, etc.) sustentável e mais preparado para o futuro”, resumiu.   

Efeito prático
Assim como Nova Iorque, existem ações que explicam essas cidades na lista desenvolvida pela escola de negócios. São Paulo, por exemplo, que auxilia a abertura de empresas, reduzindo para sete dias este processo, através do programa ‘Empreendendo Fácil’, se destaca no quesito empreendedorismo. Já Belo Horizonte tem destaque positivo em ações para o meio ambiente, como o uso de energia solar no estádio do Mineirão.

Em Salvador, a criação de startups focadas em Cidade Inteligente deu origem a plataformas voltadas a educação, como a REP Educa, que utiliza recursos de jogos para dar suporte a professores no ensino de língua portuguesa e matemática, e a Mini Maker Lab, um mini laboratório que visa facilitar o ensino de microeletrônica, automação, programação e robótica.

De acordo com o secretário de Cidade Sustentável e Inovação (Secis) de Salvador, André Fraga, há um esforço, desde 2013, para que a capital se encaminhe para esse patamar de cidade inteligente. “São ações que envolvem desde infraestrutura, tecnologia e possibilidade de participação cidadã até o diálogo com a sociedade civil. Podemos observar que Salvador desenvolve todos os critérios adotados pelo estudo”, destacou.

Em comum, as ações envolvem o uso da tecnologia. O que reforça que o potencial de digitalização é desenvolvido, ofertado e estimulado, em cidades inteligentes, como pontua o diretor da Oi.  Exemplos disso, segundo ele, são o “mapeamento de trânsito em tempo real, com alertas de congestionamentos, acidentes, melhores rotas; a localização de vagas de estacionamento em vias públicas, além de pagamento de estacionamento regulamentado por aplicativo; o transporte público em tempo real para a identificação de tempo de chegada de ônibus em seus pontos de embarque; e serviços públicos online: acionamentos emergenciais, agendamento de serviços, acompanhamento de solicitações e reparos”, entre outros.

Como ajudar
O que leva uma cidade ao patamar de inteligente, passa, primordialmente, pela governança do local. Mas, por outro lado, o cidadão é peça importante neste processo. De acordo com Fukuda, uma das dimensões da cidade inteligente tem muito a ver com o desenvolvimento da inteligência individual e coletiva da população da cidade.

“É preciso que os cidadãos colaborem e utilizem os recursos da cidade inteligente para solução de seus problemas, dentro de uma consciência sustentável e de melhoria de qualidade de vida para si e para todos”, explica.

Se o cidadão tem sua importância, empresas também. A telecomunicação, por exemplo, é essencial para o desenvolvimento de uma cidade inteligente e deverá ser capaz de enviar, tratar ou processar os dados de forma confiável, rápida, segura e com alta disponibilidade. No caso da Oi, o diretor conta que a empresa é capaz de atuar em diversas frentes, promovendo serviços de conectividade, habilitadores, análise e tratamento de dados, digitais de Internet das Coisas (IoT), cloud e datacenter.

Cidades Interativas

Dentro do conceito de Cidade Inteligente, há estudos que analisam outros aspectos, como é o caso das Cidades Interativas, conceito desenvolvido pelo empreendedor catarinense Paulo Hansted, formado em Marketing pela Universidade de Berkeley (Califórnia).

De acordo com Hansted, as cidades consideradas interativas permitem o diálogo entre todos dentro de uma cidade inteligente, o que inclui os habitantes e os turistas. Um exemplo disso, são as cidades históricas que buscam transformar as ruas em museus a céu aberto.

“Em Atlanta, na Geórgia, o simples caminhar pelas ruas da cidade abre espaço para a interação com passagens e personagens marcantes da Guerra Civil Americana. Os locais que foram pauta de batalhas, e momentos históricos estão lá, prontos para serem desvendados. Cada esquina pode revelar uma surpresa”, exemplifica o estudioso.

Essa interação, segundo Hansted, faz com que as pessoas – sejam moradores ou turistas – saiam mais de casa e busquem mais as ruas, se divertindo mais e consumindo mais, o que é bom, consequentemente, para a economia.