Literatura

'O Sol Ainda Brilha' fala de injustiça e racismo

Livro conta a história real de americano que ficou 30 anos no corredor da morte sem ter cometido crime

Heyder Mustafá* (heyder.mustafa@redebahia.com.br)

Anthony Ray Hinton é apenas um dos milhares de norte-americanos que tiveram a vida marcada pela injustiça por conta da cor da pele e da condição financeira. O autor do livro ‘O Sol Ainda Brilha’ conta, em um relato chocante e emocionante, como as autoridades do Alabama sequestraram 30 anos de sua vida por conta de um crime que ele não cometeu, desconsiderando provas evidentes, atrasando o ritmo do processo e mostrando que a justiça infelizmente não alcança todos.
Negro, pobre, filho de mãe solteira e nascido no Alabama – um dos estados mais racistas dos EUA – Hinton foi preso dentro de casa, aos 29 anos de idade, por supostamente ter cometido dois assaltos e um homicídio. Provas que o apontasse como o autor dos crimes nunca existiram, muito pelo contrário. Tudo o que foi analisado mostrava claramente que ele nunca estivera nos locais em questão, mas as evidências foram intencionalmente desacreditadas pela justiça.
Foto: Reprodução
A saga de Hinton é surreal. A separação da mãe, o convívio com os colegas de cela, os entraves judiciais ao longo de 30 anos, tudo é de deixar qualquer ser humano indignado. No entanto, o que mais impressiona é a resiliência demonstrada por ele durante todo esse tempo. Com uma escrita dinâmica, impactante e cheia de detalhes (alguns aterrorizantes), Anthony Ray Hinton nos presenteia com sua história de esperança. Mais do que um excelente livro, ‘O Sol Ainda Brilha’ é um manifesto contra a injustiça, o preconceito, a pena de morte e um sopro de fé e amor em meio à crueldade.
  
*Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.