Economia

Pandemia e home office provocam aumento na busca por imóveis no Litoral Norte da Bahia

De acordo com o presidente da ADEMI-BA, Cláudio Cunha, houve um aumento de 52% na comercialização de imóveis na região

Lívia Oliveira (livia.oliveira@redebahia.com.br )
- Atualizada em

Morar perto da praia e ter uma vida menos acelerada é um objetivo comum entre os brasileiros. Para alguns, a pandemia do novo coronavírus foi o "start" que faltava para comprar o imóvel dos sonhos. De acordo com o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA), Cláudio Cunha, neste período, houve um aumento de 52% na comercialização de imóveis na região do Litoral Norte, na Bahia. 

O aumento é resultado dos novos gostos e necessidades das pessoas e das condições de compra oferecidas pelo setor imobiliário, principalmente no que se refere as negociações com os bancos. As instituições financeiras estão praticando taxas de juros baixos para financiamento. 

"A casa voltou a ser o centro da vida das pessoas. É em casa que a gente se diverte, trabalha com o home office e que os nossos filhos estão estudando. Então, a residência passa a ser multitarefa e as pessoas começaram a buscar por imóveis maiores, onde pudessem ter mais espaço para os filhos, animais de estimação e ter mais liberdade", avalia Cláudio Cunha. 

Home office na casa de praia | Foto: reprodução / gettyimages

Para o presidente da ADEMI-BA, a preferência pelo Litoral Norte surge exatamente nesse contexto de querer uma vida mais leve. Entre os clientes, Cláudio Cunha percebe que existe dois movimentos: pessoas que compram um novo imóvel no litoral e passam a residir por lá e pessoas que vendem um imóvel grande que tem na cidade para comprar um perto da praia, mas mantém um ponto de apoio na capital, e se dividem entre os ambientes. 

O corretor de imóveis Fernando Santos, da Borges Realty Imobiliária, afirma que também percebe essas tendências no mercado e acrescenta que as mudanças trazidas pela pandemia já impactam as empresas e seus lançamentos. "Os empreendimentos estão oferecendo cada vez mais espaço livre. Área gourmet maior, mais espaços de lazer, espaços voltados para saúde e bem-estar, ambientes para receber delivery e coworking (sala para reuniões e outras atividades de trabalho)", exemplifica. 

Vantagens de morar no Litoral Norte 

Imóvel em Praia do Forte | Foto: reprodução/@borgesrealty
Guarajuba, Itacimirim, Praia do Forte e Imbassaí são algumas das opções de locais para morar no Litoral Norte. Além de belas praias, Fernando Santos pontua que as regiões oferecem toda comodidade que uma família precisa. 

Mercados grandes, bancos, lojas de roupas e serviços, postos de saúde, centro comercial e clínicas. "Muitas pessoas que queriam migrar para o Litoral Norte tinham preocupação com os filhos, em ter opções de escola. Hoje, tem instituições de ensino com conceito internacional na região - Villa Global e a Maple Bear. Isso aumenta a possibilidade de consolidar moradia", acrescenta o corretor. 

A aposentada Socorro Dutra, 62, faz parte do grupo de pessoas que adquiriram um imóvel no Litoral Norte durante a pandemia e se sente muito satisfeita com a aquisição. Ela e o marido optaram por uma casa em um condomínio de Itacimirim, perto da praia. 

"A gente comprou o imóvel logo no início da pandemia e foi nossa salvação, porque passamos a maior parte do tempo por lá. Percebo que muitas pessoas têm feito isso também, cerca de 70% das casas do condomínio ficam ocupadas na maior parte do tempo. Itacimirim e as outras localidades das redondezas oferecem várias opções de mercados, restaurantes e bancos", relata Socorro, que também comentou que já tinha costume de veranear no Litoral Norte. Para ela, a única coisa que ainda precisa melhorar é o serviço de internet. 

Além de oferecer sossego e comodidade, Lucas Pithon, o gerente comercial da Moura Dubeux na Bahia, pontua que adquirir um imóvel no Litoral Norte é também uma forma de rentabilizar o dinheiro, pois tem a possibilidade de alugar por temporadas ou em datas comemorativas - como fim de ano e Carnaval. 

Ao iBahia, Lucas afirma que, com o aumento na busca por empreendimentos na região, a Moura Dubeux tem feito análises e negociações para construir em Imbassaí. "É um movimento [de busca por imóveis no litoral] muito evidente e a gente entende que vai permanecer assim mesmo depois da pandemia. As pessoas passaram a ter uma necessidade de ter um refúgio familiar, um espaço reservado para lazer e descanso". 

Imagem aérea de um condomínio de casas em Imbassaí | Foto: reprodução / site Borges Realty

O corretor Fernando Santos garante que comprar um imóvel é sempre um bom investimento a médio e longo prazo. "O imóvel valoriza com o tempo e é um patrimônio seguro, pois vivemos em um país com poucos casos de catástrofes naturais", pontua. 

Para quem ainda tem dúvidas de que vale a pena adquirir um imóvel neste momento, os especialistas explicam que o setor imobiliário vem tendo um crescimento significativo, com ofertas de negociação atraentes, desde ano passado. 

"A perspectiva é que os bancos continuem competitivos em 2021. Não há previsão da Selic (taxa básica de juros da economia) subir e ainda tem a alta do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). O IGP-M é o que atualiza os preços de imóveis de locação, então, quando a pessoa coloca na balança o que gasta com aluguel e o que poderia pagar em um financiamento, é muito mais vantajoso comprar um imóvel próprio", detalha Fernando. 

Vale lembrar que antes fazer qualquer negociação é importante entender o seu momento, planejar sua realidade financeira, com uma perspectiva de orçamento mensal, para depois decidir qual imóvel vai adquirir. 

Fontes especialistas: 

Cláudio Cunha - presidente da Ademi-BA. Ele é engenheiro civil e atua no mercado imobiliário há mais de trinta anos, sempre na área comercial, de incorporação e gestão. 

Fernando Santos - corretor que atua na Borges Realty Imobiliária, que tem como foco imóveis de alto padrão. Ele também é formado em administração de empresas.

Lucas Pithon - gerente comercial da Moura Dubeux na Bahia. Ele é engenheiro civil e tem especialização em gestão de negócios e finanças.