Saúde

Pílula de insulina pode substituir injeção em portadores de diabetes

Dentro da cápsula há uma pequena agulha que libera a insulina quando o dispositivo chega à parede do estômago

Agência O Globo

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), nos EUA, desenvolveu uma pílula que pode ser ingerida por pacientes portadores de diabetes em substituição às injeções de insulina. A inspiração para a criação da cápsula foi o formato do casco da tartaruga-leopardo, que permite que o animal consiga rolar sobre o próprio eixo. O objetivo era reproduzir a capacidade de auto-orientação do bicho para que a pílula chegasse ao estômago, uma vez que os medicamentos contendo insulina poderiam ser destruídos pelo ácido do sistema digestivo durante a ingestão.

Dentro da cápsula há uma pequena agulha que libera a insulina quando o dispositivo chega à parede do estômago. A agulha é presa a uma mola e protegida por um disco de açúcar. O dispositivo é eliminado normalmente, após a liberação da insulina, no processo de digestão.

Testes em humanos em três anos

À revista Science, os pesquisadores disseram que a cápsula de insulina já foi testada em ratos e porcos, e que a expectativa é de que os testes em humanos comecem em três anos. A descoberta ainda requer muitos testes por segurança e para garantir que não haja prejuízo ao estômago, por exemplo, mas a expectativa é de que a pílula também seja usada para outros medicamentos injetáveis, não só para a insulina.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Rodrigo Moreira, os resultados do estudo talvez sejam vistos em cinco a dez anos:

— É algo ainda muito inicial, eles testaram para saber se a cápsula funcionava, não para saber se em pacientes com diabetes ela funcionaria para baixar a glicose. Este estudo abre uma perspectiva para que outros testes sejam feitos. Caso a pílula seja válida para pacientes com diabetes, ainda seria necessário testar quantas cápsulas o paciente precisaria tomar, qual seria o custo disso para saber se o tratamento seria viável. Este é um ponto extremamente importante.

O médico afirma que pacientes com diabetes do tipo 1 precisam aplicar insulina quatro vezes por dia, em média. E que, se o tratamento com a cápsula desenvolvida pelo MIT for viável no futuro, poderia facilitar a adesão dos pacientes ao tratamento:

— Certamente melhorando a adesão do paciente, há melhora no controle da doença nesses indivíduos.