Sustentabilidade

Plataforma colaborativa quer envolver cidadãos com os problemas das cidades

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A expressão "Múrmura" vem de Murmuration, uma palavra em referência ao som proveniente do bater de asas de milhares de pássaros que voam juntos (veja o vídeo ao final da matéria) - um dos fenômenos mais belos da natureza.

É sob o conceito de que cidadãos unidos são capazes de melhorar as cidades onde vivem que nasceu o projeto Múrmura, uma plataforma de inovação aberta para problemas urbanos, com o objetivo de que qualquer pessoa possa participar de forma ativa de seu habitat, seja por meio de insights, ideias, projetos, enfim, metendo a mão na massa.

Funciona assim: qualquer um pode enviar ideias para os desafios lançados na plataforma (o site será lançado em breve). Ou você pode sinalizar um problema da sua região e o Múrmura ajuda a transformar esse problema em desafio. Uma equipe especializada e dedicada transformará as melhores ideias enviadas em projetos, que serão executados via Catarse, patrocínio, edital ou força-tarefa.

Temos uma oportunidade única de validar essa hipótese, de que é possível solucionar os problemas por meio do conhecimento das pessoas que vivem a cidade

"Queremos construir a cultura de que cuidar da cidade não é dever única e exclusivamente da prefeitura. Queremos construir a cultura de que participação popular se faz todos os dias, não apenas de 4 em 4 anos através do voto", explicam os organizadores do projeto.

"As pessoas devem usar seus conhecimentos, habilidades e redes de contatos para catalisar mudanças na comunidade e promover o bem comum, não apenas para acumular dinheiro para bem individual", completam.

Na visão do Múrmura, a cidade é um organismo móvel, e mutante. E para entender essa nova cidade, é preciso estar no chão, na rua, nas esquinas, nos parques. É preciso descer da cobertura dos grandes prédios e caminhar pelas calçadas, ciclovias, e ruelas de cada bairro. "É preciso conversar com o cara do mercadinho, com a senhora da floricultura, com o jovem skatista, com o empresário e com o catador de material reciclável", justificam os responsáveis pela iniciativa.

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O EcoD conversou com o idealizador do projeto, o jovem gaúcho Gabriel Gomes, 24 anos, que revelou mais detalhes do Múrmura:

EcoD: Qual é o propósito do Múrmura?

Gabriel Gomes: A gente acredita que o dever de cuidar da cidade não deve ser só da prefeitura. É de todo o mundo. Queremos despertar nas pessoas um senso de cuidado e de construção da cidade. Se pararmos para pensar, nós, cidadãos, estamos indo e vindo, no fluxo da Matrix, e não nos questionamos sobre as coisas. O Múrmura é uma nova forma de mostrar que tudo pode ser feito de um jeito diferente. Dessa vez, dando voz e poder para as pessoas se articularem, mobilizarem, colidirem ideias e meterem a mão na massa.

O financiamento coletivo é um dos pontos fortes do projeto?

O Múrmura não é um site de crowdsourcing, como parece ser. É uma comunidade. E para que essa comunidade seja forte e divertida, é preciso investir bastante energia em construir e fortalecer os laços de quem está envolvido com os projetos. Queremos que acima de tudo, se forme um grupo de pessoas que enxerga a cidade de uma forma diferente.

gabriel-ecod.jpgQualquer cidade pode aderir?

Isso, teremos atuação nacional. Entendendo que os problemas de uma cidade também são problemas de outra, não faz sentido limitarmos a origem das soluções geograficamente. Aliás, legal mesmo é eu ter empatia por um problema lá do Norte do país e investir minha energia e tempo para tentar ajudar o pessoal a resolver.

E de que forma a equipe do Múrmura transformará as ideias em projetos executáveis?

Nossa equipe é formada por quatro pessoas muito especiais: Camila Farina, expert em projetos culturais e artísticos, entende tudo de leis, editais, patrocínio e viabilização. Maurício Thomsen, um dos caras que eu conheço que é mais bem sucedido em projetos de crowdsourcing, entende como usuário na prática, Luiz Fonseca, chefe de tecnologia da plataforma, esteve envolvido com Meu Rio, Catarse e outras plataformas muito importantes pro Brasil e eu, cofundador da Shoot The Shit, que tenho experiência na prática de ir para rua e desenvolver projetos usando a cidade como plataforma.

Ou seja, nossa equipe multidisciplinar tem expertise, inteligência e processos para olhar para as ideias enviadas e saber qual é a melhor forma de executá-las, seja encontrando um patrocinador que está super alinhado com o projeto, colocando num edital, inscrevendo o projeto no Catarse, ou simplesmente convocando uma força tarefa para executar a ideia.

A gente lembra que o Múrmura não é responsável pela execução dos projetos, mas é de total interesse nosso que eles aconteçam de verdade. Por isso nós damos todos os caminhos necessários para que eles saiam do papel.

E quem executa?

Então, varia. Depende de como o projeto vai ser viabilizado. Se for força-tarefa, são as pessoas, a própria comunidade ao redor daquela causa. Se for patrocinado, a marca se responsabiliza pela execução. No caso dos editais e financiamento coletivo, a pessoa que enviou a ideia se responsabiliza. O legal é entender que não existe só um formato. Nós vamos dar um jeito de encontrar um caminho para que a ideia aconteça.

Vocês tiveram alguma influência de projeto semelhante?

O Múrmura nasceu de um entendimento de que existe uma nova forma de desenvolver projetos para a cidade, utilizando o poder da inteligência coletiva. Conhecemos alguns projetos de crowdsourcing que operam na lógica da competição, colocando muito valor no prêmio que será entregue, e não na formação de comunidades para co-criar ações. Dessa forma o Múrmura é muito inovador e temos uma oportunidade única de validar essa hipótese, de que é possível solucionar os problemas por meio do conhecimento das pessoas que vivem a cidade.

Já existem projetos em andamento no Múrmura?

Estamos terminando a parte de desenvolvimento da plataforma e pretendemos lançá-la antes da Copa do Mundo (que será realizada em junho). Mas já temos os dez desafios que estarão no lançamento. Serão metas lançadas por pessoas que são referências em suas áreas. As categorias serão: Alimentação, Educação, Mobilidade Urbana, Política, Comunidades, Economia Colaborativa, Digital, Copa do Mundo, Espaços Públicos e Comunicação.

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