Salvador

Por onde anda Kátia Vargas? Relembre o caso da morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle

Acusada será levada a júri popular em 2017; caso aconteceu em outubro de 2013

Luiz Fábio Almeida* (luiz.almeida@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Kátia Vargas vai a júri popular no próximo ano

Três anos e dois meses depois, o Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou, no último domingo (11), uma reconstituição da morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes Dias, então com 21 e 23 anos. Os dois morreram no bairro de Ondina, em 2013. A oftalmologista Kátia Vargas, de 48 anos, é acusada de provocar o acidente que terminou com a morte dos jovens. Mas por onde anda a médica?

Após o acidente, Kátia ficou internada no Hospital Aliança, no Rio Vermelho, e saiu direto para o Presídio Feminino de Salvador, na Mata Escura. Ela permaneceu presa por 58 dias, até o dia 16 de dezembro de 2013, quando teve o alvará de soltura assinado pelo juiz Moacyr Pitta Lima.

Em 2014, o Tribunal de Justiça da Bahia decidiu que a acusada fosse levada a júri popular. A defesa recorreu até a ultima instância, mas o Supremo negou o pedido. Em 2015, Kátia teve a prisão preventiva revogada. A data ainda não foi definida, mas está prevista para acontecer até maio de 2017. Ela cumpre medidas cautelares, como não poder sair de Salvador sem autorização da Justiça.

Kátia Vargas voltou a atender em consultório (cujo nome será preservado) na avenida Garibaldi. O iBahia tentou conversar com a médica e com os seus advogados, mas não obteve sucesso até o fechamento desta matéria.

Reconstituição
O domingo foi escolhido por ser uma data de menos movimentação de trânsito - a reconstituição aconteceu na Avenida Oceânica, trecho geralmente bastante cheio, onde os dois irmãos morreram. A ação reuniu a presença de 16 peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), policiais, fotógrafos e professores da Universidade Federal da Bahia.

Kátia Vargas não participou da ação, mas a sua defesa foi representada por dois advogados e um perito particular. O advogado da família das vítimas e um promotor de justiça também estiveram presentes durante a reconstituição.

O DPT utilizou os veículos, uma moto e um carro, idênticos aos que estavam envolvidos no acidente. Peritos dirigiram os automóveis, repetindo diversas vezes a rota que teria sido feita pela médica.

Relembre o caso
Os irmãos Emanuel, 21, e Emanuelle, 23, morreram na manhã de 11 de outubro de 2013, depois que a moto em que eles estavam bateu em um poste em frente ao Ondina Apart Hotel, em Ondina. Na época, testemunhas disseram que Kátia Vargas saiu com o carro da Rua Morro do Escravo Miguel, no mesmo bairro, e fechou a passagem da moto pilotada por Emanuel, que levava a irmã na garupa, no sentido Rio Vermelho.

Emanuel e Emanuelle Gomes Dias (Fotos: Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Após uma parada no sinal, Emanuel protestou contra a atitude da médica, batendo com o capacete contra o capô do carro. Foi quando o sinal abriu para a moto, mas não para o carro da médica, que faria um retorno no sentido Jardim Apipema.

O inquérito policial da 7ª Delegacia (DT/Rio Vermelho) apontou que a oftalmologista arremessou o veículo que dirigia, modelo Sorento, contra a moto Yamaha XTZ, projetando os irmãos contra um poste, em frente ao Ondina Apart Hotel, resultando na morte instantânea dos irmãos. Imagens gravadas do local mostram o carro da médica seguindo atrás da moto antes da batida.

Em novembro de 2013, o médico oftalmologista Paulo Henrique Brito Pereira falou, com exclusividade ao iBahia, sobre o acidente envolvendo a esposa dele. Na época, ele falou sobre os filhos, o estado de saúde da esposa e disse que a médica está revoltada com a Justiça.

"Eu sempre peço é que as pessoas não pré-julguem [...] A delegada-chefe simplesmente condenou, executou minha esposa, disse que o vídeo era conclusivo, que ela perseguiu a moto, que ela bateu na moto [...] pegaram ela para Cristo", desabafou o médico, que também criticou o posicionamento de alguns veículos de imprensa e disse acreditar na inocência de Kátia Vargas: "Que minha esposa é inocente eu não tenho a menor dúvida disso", garantiu.

A médica afirmou, em vídeo (veja acima), que não jogou o carro que dirigia contra a moto onde estavam os irmãos, em Ondina. “Não posso assumir algo que não fiz. Acredito na Justiça dos homens e na divina. Se perdermos a fé na Justiça, acho que perderemos a fé na vida. A verdade existe e tem que aparecer”, disse Kátia Vargas.

*Sob supervisão e orientação de Aline Caravina