Nem Te Conto

Por Onde Anda? Marcionilio relembra o início da carreira e revela os novos projetos

O cantor falou sobre os grupos de baile em Itabuna, a banda EVA em Salvador e os trabalhos na Argentina

Érica Torres (erica.torres@redebahia.com.br)
- Atualizada em
Marcionilio: um dos precursores do axé music na Bahia

Lembra de Marcionilio?O cantor e compositor, Marcionilio, foi um dos precursores do axé music na Bahia. Nos anos 70, ele tocou com Luiz Caldas, Paulinho Caldas, Noberto, Zé Paulo, entre outros artistas, em bandas de baile da cidade natal de Itabuna, região sul da Bahia. O grupo mesclava diferentes estilos - Rock, MPB, Pop, Reggae - e tinha como referência a música estrangeira. Para Marcionilio, as bandas foram verdadeiras "escolas de música" que formaram profissionais competentes e ajudaram a desenvolver a música baiana, que posteriormente ganhou corpo e se transformou no axé.Marcionilio cantou na banda EVA e puxou o bloco nos anos 80, quando o repertório ainda era composto por canções de Cazuza, Barão Vermelho, Cidade Negra e Rpm. Ele dividiu o trio com Daniela Mercury, que cantava as músicas carnavalescas como os frevos de Gal Costa e as canções de Amelinha e Elba. Em 88, o cantor assumiu a banda e o bloco Pike, que seguia um estilo musical bem semelhante ao EVA. Em busca de novas oportunidades, o artista deixou os canavais de lado para investir na carreira solo, quando morou por alguns meses na Argentina e no Uruguai. Em entrevista ao iBahia, Marcionilio falou sobre a paixão que tem pela música e suas vertentes, os estilos musicais preferidos e os novos projetos que estão em andamento.

"Sigo firme na luta e esperando reconhecimento da batalha", diz Marcionilio

"Eu não faço outra coisa que não seja música. Com seis anos eu comecei a cantar, com 18 me profissionalizei e não parei mais. Continuo na batalha e vou seguir em frente", revelou Marcionilio. O cantor está morando em Salvador, mas em breve ele irá retornar à Argentina para fazer shows ao lado de amigos que conheceu quando foi pela primeira vez, há dez anos atrás. "Devo ficar três meses por lá. Quero voltar em novembro, no verão de Salvador", frisou.Salvador - ArgentinaMarcionilio não quer deixar Salvador mesmo sabendo que as oportunidades na Argentina são boas. Ele desenvolveu dois projetos com amigos argentinos e brasileiros que moram em Buenos Aires, um voltado para música baiana e outro para Bossa Nova. "Sinto necessidade de me manter vivo na Bahia", afirma. Recentemente ele fez um show com releituras de sucessos da música popular brasileira, no Largo Pedro Arcanjo, no Pelourinho.


Quanto ao Carnaval, Marcionilio explica que não o abandonou de vez: "Eu toco em praças do Pelô, trios independentes ou palcos localizados em bairros periféricos. Os horários geralmente são ruins e de pouca visibilidade". Vai e volta, o artista é lembrado pelo grupo EVA, que faz questão de convidá-lo para eventos como a gravação do DVD em homenagem aos 25 anos da banda, realizada em 2005 e a exposição de fotos em comemoração aos 30 anos, que aconteceu em shopping de Salvador.

Cantor e compositor Marcionilio

Fusão de RitmosA vontade de cantar e tocar todo tipo de música, do Blues ao Rock passando pelo Reggae, sem qualquer tipo de rótulo, foi o fator principal para Marcionilio abandonar as bandas de carnaval e seguir carreira solo. "Chegou uma época em que os tambores dominaram os outros instrumentos. O Samba Reggae tomou conta dos carnavais e a coisa foi tomando outra forma", revela. O artista explica que não segue um estilo, gosta mesmo da fusão de ritmos. "Tenho uma veia Rock, mas gosto de MPB e Pop Rock do tipo Raul Seixas e Tim Maia", conta.Lembranças de ItabunaSobre as famosas bandas de baile da cidade de Itabuna, mais precisamente do bairro Mangabinha, o cantor lembra com ar nostálgico: "O bairro Mangabinha é uma vertente do que hoje é a música da Bahia, pela presença de artistas que fizeram nome, verdadeiras referências da música baiana. Lá conheci pessoas como Luiz Caldas e tive acesso a instrumentos como guitarra e piano". O grupo tocava de Caetano Veloso à Pink Floid, além de Beatles e Rita Lee.Marcionilio chama as bandas de "escolas" e explica o motivo: "Escola no sentido figurado, porque foi onde nós começamos a aprender o que viria a ser a música de hoje. Só dez, quinze anos depois que veio o axé".