Economia

Procura por armas em lojas especializadas aumenta 70%

Maioria dessas pessoas porém, desconhece os trâmites para a aquisição de uma arma e acaba se surpreendendo

Agência O Globo

Telefones tocando sem parar, contatos via internet e redes sociais para tirar dúvidas de um público bem mais diversificado do que até então. Essa foi a rotina das lojas de armas em Brasília na semana em que o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto que flexibilizou as normas para a posse de armas pela população. Lojistas relataram um aumento de até 70% nas procuras por armas de fogo — a maioria em busca de informações sobre o burocrático e caro procedimento para obter um revólver.

— Muita gente que sempre quis ter arma e achava que não podia está me procurando por acreditar que agora vai conseguir comprar — afirma o instrutor de tiro Rodrigo Moreira, que é credenciado para emitir os certificados de curso de tiro que a Polícia Federal exige para emitir as autorizações de compra de armas.

Foto: Reprodução

A mudança no perfil dos compradores foi percebida pelas lojas de armas no Distrito Federal, que antes atendiam prioritariamente militares e pessoas com o certificado CAC, de colecionadores, caçadores e praticantes de tiro esportivo. Os que mais buscavam as lojas eram comerciantes, preocupados com a segurança de seus estabelecimentos, mas também houve casos de advogados, médicos e motoristas de ônibus.

A maioria dessas pessoas porém, desconhece os trâmites para a aquisição de uma arma e acaba se surpreendendo.

— R$ 4 mil uma pistola? Está caro demais. Vou esperar acabar o monopólio da Taurus — disse um potencial comprador que não quis se identificar. Além dos custos da arma em si, as lojas oferecem um pacote de serviços que inclui despachante e advogado para revisar os documentos que precisam ser apresentados à Polícia Federal. O preço de aquisição de uma arma fica em torno de R$ 5 mil, incluindo as taxas da PF, os custos com despachantes, além do exame psicológico e do teste de manuseio de armas.

Nem o preço nem os trâmites, porém, foram um empecilho para o empresário mineiro Luiz Eduardo Borges, de 32 anos, dar entrada na documentação para comprar sua primeira arma. Mesmo com um histórico trágico na família envolvendo a posse de armas, ele considera importante ter uma arma em sua loja de venda de açaí localizada em Valparaíso de Goiás, no entorno do DF, para garantir sua segurança e a de seu estabelecimento.

— Vi inúmeras empresas sofrendo assalto na minha região e decidi comprar a minha arma. Também tenho muitos amigos policiais que recomendaram — disse o comerciante.

Filho de um oficial de Justiça que tinha arma em casa, ele conta que seu pai morreu com um tiro do próprio revólver após uma discussão com sua madrasta.

— O processo foi arquivado como suicídio — conta Borges, que na época tinha 6 anos e morava com a mãe, em Brasília, enquanto o pai morava com a madrasta em Itajubá, no interior de Minas Gerais. Apesar do episódio, ele diz que pretende ter uma arma de forma mais segura do que seu pai.

— Ninguém deve portar arma em situações em que é fácil perder as estribeiras. Essa conscientização todo mundo tem que ter — diz ele, que afirma já ter feito os testes psicotécnico e de tiro.