Maternidade

Reprodução assistida: nova técnica prevê transferência de apenas um embrião

A transferência de apenas um embrião, ou Single Embryo Transfer (SET) tem sido postura adotada para reduzir as gestações múltiplas e também o impacto que elas geram

Redação iBahia
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O desenvolvimento das modernas técnicas de reprodução assistida e a maior percepção dos casais, de que a infertilidade descoberta precocemente e tratada com mais velocidade traz resultados mais satisfatórios, fez aumentar consideravelmente o número de procedimentos realizados. Segundo estudo recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o número de procedimentos utilizando a técnica foi superior a 43 mil em todo o país, em 2018; um índice 18,7% maior do que o de 2017.

O que ocorre é que o aumento na realização de Fertilizações In Vitro e outras técnicas de reprodução humana, fez crescer também o número de gestações múltiplas, ou seja, de gêmeos. E uma gravidez múltipla traz riscos associados. Entre eles, partos prematuros e bebês com baixo peso ao nascer. Justamente pensando em reduzir esses problemas, existe uma tendência de diminuir o número de embriões transferidos para o útero da mulher nos tratamentos de reprodução.

A transferência de apenas um embrião, ou Single Embryo Transfer (SET) tem sido postura adotada para reduzir as gestações múltiplas e também o impacto que elas geram. Estima-se que a taxa atual média de gravidez gemelar seja de 20% em tratamentos reprodutivos. Com o método SET, apenas o melhor blastocisto (embrião) formado é transferido. Isso aumenta as chances de implantação. “A política atual do grupo IVI em todo o mundo é optar, sempre que possível, por transferências de um único embrião”, explica a embriologista Daniele Freitas, Coordenadora do Laboratório de Fertilização In Vitro da IVI Salvador.

Técnicas que permitem observar a evolução embrionária trouxeram progressos na seleção e escolha do melhor embrião. E assim contribuíram para fortalecer a tendência de transferência única em processos de inseminação artificial. O diagnóstico genético pré-implantacional também ajuda na escolha de um único embrião, pois dessa forma, podem-se descartar aqueles com anormalidades cromossômicas. “Tudo para que se entenda que a gestação múltipla não é uma meta a ser alcançada, mas uma complicação a ser evitada”, complementa a Coordenadora do Lab FIV da IVI Salvador, Daniele Freitas.

Além de tudo isso, o SET trouxe à tona um fato importante a ser assimilado. Normalmente os casais com dificuldades para engravidar pedem aos médicos para transferir mais de um embrião, imaginando que isso aumenta as chances de engravidar. Mas “os resultados publicados em diferentes estudos indicam que não há diferenças na taxa de gestação acumulada comum de um único embrião versus a taxa de gestação clínica quando dois são transferidos”, completa Daniele Freitas.

Reduzir as gestações múltiplas e tornar as políticas mais eficazes gera economia e maior segurança

O custo de várias gestações dobra se comparado ao custo de gestações únicas. E não apenas isso, mas os custos associados ao parto são 1,7 vezes mais caros, do que os de uma única gravidez.

Desse modo, reduzir a gravidez múltipla tem assegurado taxas cada vez menores de, por exemplo, internações em UTIs pediátricas e tratamentos para sequelas em recém-nascidos. Pelo estudo conduzido pela IVI na Espanha, estima-se que as economias de curto prazo com o uso prioritário do SET são fixadas em 7 milhões de euros e, a longo prazo, de 50 a 70 milhões de euros.

Os inúmeros avanços científicos no campo da medicina reprodutiva delineiam grandes oportunidades para o SET. Com técnicas e tecnologias de ponta, os resultados alcançados levam a um aprimoramento constante com as maiores garantias para as mães e seus bebês.

Vale lembrar que no Brasil a gravidez não planejada ainda é um problema de saúde pública. E, mesmo com o avanço na medicina reprodutiva e dos métodos anticoncepcionais, nas camadas sociais menos favorecidas, as mulheres em situação de vulnerabilidade estão cada vez mais expostas. E o custo desta situação tem causado sérios prejuízos ao país. Estima-se que R$ 4,1 bilhões ao ano, segundo pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas – SP).