Literatura

Revisitando as memórias: crianças contam como é a Fliquinha e do que sentem falta

Luiza Meireles, Gian Pedro Amorim, Caio Francisco Miranda e Isabella Santana relembram momentos que mais gostaram do evento

Lívia Oliveira (livia.oliveira@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Bate-papos com autores, contação de histórias, apresentações teatrais e musicais, oficinas e cenários mágicos. Todos esses itens podem ser facilmente lembrados quando falamos da Fliquinha, espaço infantil da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica). Para matar a saudade do evento, o iBahia conversou com escritora mirim Luiza Meireles, Gian Pedro Amorim, Caio Francisco Miranda e Isabella Santana. Vale lembrar que Luiza foi a única autora mirim convidada a se apresentar na Fliquinha de 2019. 

Apresentação de Luiza Meireles na Fliquinha de 2019 | Foto: acervo pessoal 

"Participar da Flica é incrível", "É uma experiência fantástica", "Foi muito bom conhecer meus ídolos" e "A Fliquinha traz conhecimento, felicidade e cultura". Estas foram algumas das frases que eles usaram para explicar como é a experiência de participar da festa literária, seja como ouvinte ou convidado. 

Luiza Meireles, de 10 anos, conseguiu, em poucas palavras, descrever como é vivenciar todos os dias do evento. "Eu me senti muito honrada e muito feliz de participar. Foi muito divertido, porque participei como fã e autora. Conheci Talita Rebouças, Renata Fernandes, um monte de gente que eu gosto. No dia da minha apresentação, estava muito ansiosa, comendo bastante, quando entrei lá tinha um monte de gente na plateia do teatro e eu consegui me apresentar", detalhou. 

A pequena escritora ainda teve a oportunidade de aproveitar o contato com os fãs. "Dei dedicatória em livros. E tinha uma pessoa que falou que conhecia meu trabalho e tinha ido lá para me ver. Eu me sinto feliz de saber que estou incentivando de alguma forma as pessoas a ler e escrever, a soltar a imaginação". 

Gian Pedro apresentando o espetáculo 'Eu Vi o Rio Rir' | Foto: arquivo pessoal

Gian Pedro Amorim, de 14 anos, participa todos os anos do evento e já se apresentou em espetáculos teatrais e recitais de poesia da programação. Sem a edição de 2021, o garoto afirmou que sente saudade de todas as atividades. "Desde uma mera sinopse de algum livro que estava sendo lançado naquele momento até a apresentação de uma peça inteira. Eu sempre me aventurava na história, era uma mais legal que a outra", explicou. 

Ele também relembrou os ídolos que teve a oportunidade de conhecer e como é se apresentar na festa. "Eu fico ansioso a cada edição, porque sempre apresento algum trabalho. Já participei de um recital de poesia e cultura popular, da peça 'De Pedaço em Pedaço, Olha Só o Que Eu Faço', em que interpretei um mago, e do lançamento do livro 'Dedinho de Prosa', onde tive três poesias minhas publicadas. Além disso, conheci Antonio Cícero, Mabel Veloso e Antonio Cedraz".

Caio Francisco Miranda, 10 anos, também não perde uma atividade da programação e contou que já ganhou até livro de uma autora. "Gosto dos cenários, são lindos, e de assistir os espetáculos e contações de histórias, principalmente quando os autores perguntam o que a gente entendeu do livro. Eu já respondi e ganhei um livro de Lulu Lima", relembrou. 

Caio Francisco | Foto: arquivo pessoal

Ele já sabe até o que vai fazer quando tiver a próxima edição. "Eu vou no cinema e vou abraçar as pessoas que gosto e conheci lá - Saulo Fernandes, Lulu Lima, Frederico do Quintal da Cultura e 'minha vó' Conceição Evaristo". 

Isabella Santana, de 12 anos, também já fez parte de espetáculos da programação e, ao iBahia, revelou que este ano vai sentir falta de assistir as apresentações e os bate-papos sobre livros.  "Eu amo tudo na Fliquinha. As poesias, as peças de teatro, as apresentações musicais, as ideias de cenários", reforçou. 

Com relação ao espetáculo que apresentou, Isabella relembrou que gostou muito da experiência, pois a peça contava a história de uma menina negra que enfrentava várias dificuldades". 

Isabella (a menorzinha de branco) se apresentando na Fliquinha | Foto: arquivo pessoal 

Crianças falam sobre seus livros e autores favoritos 

Ao iBahia, Luiza explicou que sempre quis ser escritora e que gosta muito de ler biografias e diários. "A coleção Black Power, o livro O Dia Que Minha Vida Mudou Por Causa De Um Pneu Furado em Santa Rita do Passa Quatro e 50 Brasileiras Incríveis Para Conhecer Antes de Crescer são os meus favoritos".

A escritora mirim revelou que tem muitas inspirações para escrever suas obras. Entre os autores citados estão: Emília Nuñez, Pedro Bandeira, Érica Falcão, Eva Furnari e Ruth Rocha. 

Luiza na Fliquinha | Foto: arquivo pessoal

Gian Pedro garantiu que os livros de histórias do Brasil sempre chamaram sua atenção e que, no momento, suas obras favoritas são "Bichos da África", volume 1 e 2, de Rogério Andrade Barbosa, com ilustração de Ciça Fittipaldi. 

Caio Francisco contou que gosta muito de mangás, que esse tipo de livro o ajuda a ficar "quieto e na paz". 

Isabella Santana afirmou que não abre mão de ler um bom romance e indicou a leitura do livro 'A Seleção', de Kiera Cass, o seu favorito. 

Ficou com saudade da Flica e da Fliquinha?

A décima edição da Flica, que aconteceria em 2020, foi suspensa por causa do novo coronavírus. Este ano, as produtoras Cali e Icontent resolveram celebrar a memória das nove edições da festa, ocorridas entre 2011 e 2019, através da série Flica na Rede. 

O projeto conta com 16 programas a serem exibidos no canal do YouTube da Flica, nos dias 6 e 7 de março ( Flica) e 13 e 14 de março (Fliquinha), em formato de live. Confira a programação completa clicando aqui