Tecnologia

Saiba quais são os benefícios de games digitais e analógicos em empresas e escolas

Jogos em grupo encorajam a autonomia intelectual, a habilidade social, o pensamento crítico saudável e o comportamento cooperativo das crianças

Evelin Azevedo, da Agência O Globo

Dedicar parte de seu tempo a jogos — analógicos ou digitais — pode trazer mais benefícios do que dar uma simples espairecida. O que parece simples brincadeira tem sido usado por empresas como uma maneira de despertar as melhores habilidades em seus funcionários. O engenheiro Thiago Bacic que o diga. Coordenador da área de automação da Radix, ele, junto a outros colegas da firma, foram os vencedores do hackaton (maratona de programação) ao desenvolverem um software que agiliza os processos de compra da empresa de engenharia.

— Os maiores benefícios que tivemos (com a gincana entre profissionais) foi melhorar nosso trabalho em equipe, desenvolver a liderança e a criatividade — conta.

Foto: Reprodução / Oficina Nobre

A neurologista Jerusa Smid, membro da Academia Brasileira de Neurologia lista outros benefícios:

— Os jogos eletrônicos podem ajudar a melhorar o processamento de ideias e a tomada de decisão mais rápida — diz.

Inserir jogos na rotina, pode ser novo para as empresas, mas não para algumas escolas. Há 22 anos, a professora de Educação Física Iara Helena Santos passou a integrar os jogos de tabuleiro a suas aulas.

— Por meio do xadrez a gente vai ensinando a criança a seguir as regras, e melhora o comportamento. Além disso, desenvolve o raciocínio lógico e a autoestima, já que as notas começam a aumentar — relata a especialista em jogos intelectuais e xadrez escolar.

Praticar atividades como estas dentro do ambiente escolar desperta outras habilidades nos pequenos.

— Os jogos em grupo encorajam a autonomia intelectual, a habilidade social, o pensamento crítico saudável e o comportamento cooperativo das crianças — explica Solange Jacob, diretora pedagógica nacional do método Supera ginástica para o cérebro.

Lugar para comer e brincar

Pensado inicialmente para ser uma loja de aluguel de jogos de tabuleiro, a hamburgueria Boards & Burgers, em Niterói - Rio de Janeiro, abriu as portas há um ano e meio e vem conquistando, a cada dia, mais clientes.

— Os clientes são muito fiéis. Eles ficam horas aqui, pois jogam e comem. As cartas têm uma capinha para não sujar, mas os tabuleiros sujam, não tem jeito — brinca uma das sócias da hamburgueria Karina Feitosa, de 30 anos.

Para ter acesso à ludoteca, é preciso pagar o valor de R$ 15, que é convertido em consumação. A casa ainda oferece outros três tipos de plano, incluindo dois em que o cliente pode levar o jogo para casa.

Tabuleiros estão em alta no mercado

Nos últimos anos, o brasileiro vem retomando o hábito de comprar jogos de tabuleiro. O mercado está obtendo lucro, mesmo com a crise do país. Segundo dados da Abrinq, no ano passado, este tipo de brinquedo foi o quinto mais vendido, ganhando até mesmo de tablets, computadores e videogames.

— O mercado hoje já tem um bom tamanho, com um público ativo e que aumenta mês após mês. Mas temos certeza que o grande boom ainda não aconteceu. Talvez, se não estivéssemos em um momento tão complicado econômica e politicamente, as coisas teriam se adiantado e o mercado estivesse em um patamar melhor e com maior divulgação — comenta Antonio Sá, editor da Redbox, editora de jogos de tabuleiro.