Economia

Saiba quando vale a pena antecipar o 13º salário

Modalidade de crédito tem juros a partir de 1,79% ao mês

Stephanie Tondo, da Agência O Globo
O 13º salário é um dos pagamentos mais esperados do ano e, por isso, muitos não resistem à tentação de antecipar o abono por meio da contratação de crédito oferecida pelos bancos. Esse tipo de empréstimo atrai pela facilidade e juros baixos, mas é preciso avaliar se a antecipação é realmente necessária. O ideal, segundo especialistas, é aguardar para receber o pagamento.
Atualmente, os principais bancos do país cobram juros entre 1,79% e 2,89% ao mês nessa linha de crédito. A contratação fica disponível para trabalhadores que recebem seus salários naquelas instituições. A liberação do crédito normalmente é imediata, com pagamento do empréstimo em dezembro.
Coordenador do MBA em Finanças do Ibmec/RJ, Filipe Pires afirma que a antecipação do 13º deve ser utilizada apenas em casos de necessidade urgente. — Essa modalidade é indicada principalmente em casos de endividamento que levem a uma inadimplência ou à perda de um bem. Ou, ainda, para substituir uma dívida muito cara, como de cartão de crédito ou cheque especial — aconselha.
Segundo ele, fazer um empréstimo para antecipar o abono de fim de ano não compensa quando não se tem um objetivo claro ou se for para fins de consumo ou viagem. Isso porque ainda que a taxa de juros mensal pareça baixa, no fim do prazo para quitação da dívida pode representar um desconto significativo no pagamento. A menor taxa praticada, que é de 1,79% ao mês, por exemplo, no fim de quatro meses representa juros de 7,32%. Esse seria o percentual para quem contrata o empréstimo em agosto e paga em dezembro. Portanto, se esse trabalhador teria um 13º no valor de um salário mínimo para receber, que é de R$ 998, ele pagaria, só de juros, cerca de R$ 73 por ter antecipado o recebimento do abono.
Myrian Lund, planejadora financeira e professora de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), recomenda que se evite tomar decisões com base nas emoções. — A antecipação do 13º é como se o trabalhador pagasse um aluguel pelo dinheiro que o banco dá enquanto ele não recebe o pagamento. E, muitas vezes, as decisões de pegar esse empréstimo são tomadas por emoção, e nem sempre são a melhor coisa a se fazer. A recomendação é que o consumidor não contrate um crédito pela facilidade, mas trabalhe com objetivos, de forma planejada — alerta a economista.
Atenção ao custo efetivo total
As taxas de juros não são a única cobrança quando se contrata um empréstimo. De acordo com o coordenador do MBA em Finanças do Ibmec/RJ, Filipe Pires, é importante que o consumidor avalie, no momento da contratação, qual é o custo efetivo total da dívida, que inclui as tarifas cobradas pelo banco.
— As instituições financeiras são obrigadas a informar o custo efetivo total no contrato do empréstimo. Mas o ideal é que o consumidor saiba antes de contratar quanto vai ter que pagar no final das contas — explica Pires.
Também é importante que o trabalhador que pretende antecipar o 13º salário avalie se não existem no mercado outras modalidades de crédito mais baratas, como o consignado, por exemplo. Em alguns bancos, os juros cobrados pelo empréstimo pessoal são mais baixos que os da antecipação do abono, com a vantagem de ter mais tempo para quitar a dívida. Além disso, Filipe Pires recomenda pesquisar as linhas de crédito oferecidas pelas ‘fintechs’, que são empresas de tecnologia do mercado financeiro.
— As ‘fintechs’ normalmente têm um custo de operação mais baixo, por isso conseguem oferecer condições mais vantajosas — explica o economista. Outra opção, segundo Pires, são empréstimos com garantia de imóveis ou carros, que costumam ter taxas mais baixas. Mas, neste caso, é importante que o consumidor se planeje e saiba que terá condições de quitar a dívida dentro do prazo.
Ideal é guardar 50% do abono
Para os economistas, a melhor decisão financeira, caso o trabalhador não tenha dívidas ou emergências, é guardar o dinheiro do 13º salário para ajudar a formar uma reserva de emergência. Para Filipe Pires, do Ibmec/RJ, a recomendação é que o trabalhador planeje sua vida sem contar com o abono de fim de ano.
— Se a pessoa não puder guardar 100% do 13º, o ideal é guardar entre 30% e 50% e utilizar esse recurso como porta de entrada para um investimento que possa ser utilizado em momentos de emergência. Para isso, é importante que esse investimento seja de baixo risco e com liquidez, como Tesouro Direto e alguns fundos de renda fixa — aponta.
A professora de Finanças da FGV Myrian Lund também aconselha que o trabalhador guarde pelo menos metade do 13º, e utilize o restante para quitar alguma dívida, evitando gastos excessivos com consumo e compras de Natal, por exemplo.
— A gente tem que reaprender a lidar com as nossas emoções e com as formas de presentear. Hoje em dia vale mais um beijo e um abraço do que ficar gastando com lembranças que a pessoa às vezes nem usa, nem são do gosto dela — aconselha.
A economista também alerta para a necessidade de se planejar: — Para ter qualidade de vida, tem que se planejar, ver o que vai ser importante fazer com o 13º para que ele não vá para o ralo. Caso contrário, quando a pessoa vê, o dinheiro acabou. Se não há um destino específico, o melhor é aplicar.
Veja as condições do empréstimo
Bradesco
O Bradesco oferece a linha de crédito para antecipação do 13º salário com a novidade de contratação pelo internet banking e máquinas de autoatendimento. A contratação é exclusiva para clientes pessoas físicas que recebem seus salários no Bradesco e são funcionários de empresas privadas, órgãos públicos ou aposentados e pensionistas do INSS.
Os juros são a partir de 1,79% ao mês. O trabalhador pode antecipar até 100% do 13º salário, com valor máximo de R$ 100 mil. O crédito deverá ser quitado em uma única parcela até 20 de dezembro de 2019.
Itaú Unibanco
O empréstimo está disponível para contratação até o dia 31 de outubro, com taxa de juros a partir de 1,90% ao mês. É necessário ser correntista e ter recebido o 13º de 2018 no banco. O valor máximo do empréstimo é de 100% do abono de fim de ano, entre R$ 80 e R$ 5 mil para clientes Uniclass, e limite de R$ 10 mil para clientes Personnalité.
A linha de crédito está disponível pelo aplicativo, pelo internet banking, pelo caixa eletrônico e nas agências.
Santander
A linha de crédito é aberta durante todo o ano, com taxa de juros fica em 2,59% ao mês. O limite de crédito é de R$ 100 e de até 100% do total do 13º salário, limitado a R$ 8 mil. A contratação é exclusiva de trabalhadores que recebem seus salários pelo Santander. A quitação é feita em parcela única, até o dia 20 de dezembro, com principal e juros atualizados na data de vencimento, que deve coincidir com a liberação do crédito que está sendo antecipado.
A contratação pode ser feita pelos seguintes canais de atendimento: agências bancárias, internet banking, aplicativo do banco no celular e canais telefônicos.
Banco do Brasil
No BB, a linha antecipação do 13º salário fica disponível durante todo o ano. A liberação do crédito é imediata, na contratação, para os clientes que têm limite disponível, conta-corrente ativa e recebem o salário em conta do Banco do Brasil. Para os clientes beneficiários do INSS que recebem via cartão no BB, é dispensada a abertura de conta. Os juros cobrados são a partir de 2,89% ao mês.
O pagamento da operação é feito na data do recebimento do 13º salário ou no vencimento do contrato, ou seja, o que ocorrer primeiro. O valor é limitado a R$ 20 mil. A contratação pode ser feita por meio do aplicativo do banco, dos terminais de autoatendimento, do internet banking, da central de relacionamento e das agências.
Caixa Econômica
A instituição foi procurada pela reportagem, mas, até o fechamento desta edição, não havia informado o percentual da taxa de juros cobrada pela operação. O valor da antecipação varia entre R$ 500 e R$ 20 mil. O valor é calculado sobre a parcela líquida do 13º salário ou pela capacidade de pagamento estabelecida para o cliente. A opção escolhida será a de menor valor.
A contratação é exclusiva para quem tem conta salário na Caixa e está empregado há, no mínimo, 12 meses. Ou, ainda, aposentados e pensionistas do INSS que recebem o benefício na Caixa. O vencimento da operação é na data do crédito da respectiva parcela antecipada do 13º salário, limitado ao prazo de 330 dias.