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Sem fronteiras: chef de cozinha faz sucesso com acarajé na Austrália: 'eles amam'

Dona da marca Tabuleiro by Taty Albano, a chef baiana é idealizadora de festivais que promovem a cultura baiana

Bianca Andrade* (bianca.andrade@redebahia.com.br)
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Ousadia, dendê e muita saudade. É desse jeito que Taty Albano descreve a sua aventura ao levar a culinária baiana para a Austrália. Dona da marca Tabuleiro by Taty Albano, a baiana viu no quitute mais famoso de Salvador uma forma de se reaproximar da Bahia e de espalhar a cultura do outro lado do mundo. "A primeira coisa que me perguntaram quando eu cheguei aqui na Austrália foi: "você sabe fazer acarajé?", conta a chef, que encontrou em um dos seus empregos um restaurante brasileiro a chance de apresentar os bolinhos na terra do Canguru.


(Reprodução: Divulgação)

"Eu dei a ideia de fazer um festival de culinária baiana e anunciei na minha ousadia que iria fazer o acarajé. Ainda bem que deu certo. A comunidade baiana e brasileira é muito forte aqui na Austrália. Pra você ter uma ideia as pessoas se emocionam quando comem o acarajé. Tiveram pessoas que chegaram a chorar mesmo, me abraçar, porque moram bastante tempo aqui e já não vinha tendo contato mais com o acarajé", conta a chef, que garante que o quitute também faz sucesso entre os australianos.

Mas e o sabor? É o mesmo que o acarajé feito na Bahia? Taty diz que faz de tudo para se aproximar do que é encontrado nos tabuleiros de Salvador. Para isso a baiana recorre aos mercados africanos e asiáticos, que segundo a empresária, são os que mais se aproximam dos temperos encontrados na Bahia. "Aqui tem empresas especializadas em exportação de produtos brasileiros, então eu encontro algumas marcas aqui de dendê. Mas eu conheci o mercado africano, que foi onde eu encontrei um dendê mais parecido com o baiano. Além desses dois mercados, eu encontrei bastante coisa no mercado asiático, até o próprio camarão seco", relata.


(Reprodução: Divulgação0

Além do acarajé, Taty apresenta a Bahia em outros pratos populares. Um deles, inclusive, é o favorito dos australianos, a moqueca baiana. "Quando eu comecei a assumir esse restaurante em
Maroubra (praia australiana), o antigo dono, que era um brasileiro, já estava também fazendo moquecas. Quando eu chego lá na sexta-feira à noite e informo que não tem moqueca, eles fazem cara feia. Eles amam e me cobram", ri a chef de cozinha.

Festivais: culinária, música e muita Bahia
Você pensa que é só a comida baiana que faz sucesso na Austrália? Basta procurar pelos festivais promovidos por Taty para ter uma noção da adesão dos australianos à cultura baiana. O último evento, no dia 3 de dezembro de 2017, contou com a participação do grupo percussivo 'Batida de Rua' que agitou o público com o axé da Bahia. "Atraímos cerca de 400 pessoas, uma loucura, uma energia, muito axé. Eu sou uma pessoa que valorizo muito a minha cultura e através dos meus pratos, da música, da dança eu consigo espalhar isso pelo mundo", declara Taty. 

(Reprodução: Divulgação)

Entusiasta da cultura raiz, com o dendê correndo nas veias, como ela mesma diz, a chef de cozinha revela que a saudade da Bahia chega a gritar no peito, mas a vontade de levar a história do estado para outros lugares se torna maior.

"Eu sinto falta de tudo, da música, da cultura, do idioma, do povo, da receptividade, da forma que nós temos em lidar com as pessoas. Esse calor humano é nosso. Eu já viajei para alguns lugares, mas essa energia ela é só nossa. Mas eu quero mostrar ao povo e ao mundo o que é que a Bahia tem. A nossa comida tem história e uma história muito especial. Eu tenho orgulho de levar toda a minha cultura e a minha culinária para que o mundo conheça o que de fato a Bahia tem para oferecer, porque é muito rica".

*Sob supervisão e orientação do repórter Rafael Sena