Saúde

Técnica converte gordura ‘ruim’ em ‘boa’ para combater obesidade

Experimento consegue converter tecido adiposo fora do corpo humano

Agência O Globo

Uma nova técnica desenvolvida por cientistas pode revolucionar o tratamento da obesidade e do diabetes. Testado em camundongos e células humanas, o tratamento envolve a conversão de gordura branca, que se acumula no organismo, em gordura marrom, conhecida como “gordura boa”, por ajudar na queima de calorias e, consequentemente, no emagrecimento.

O estudo, publicado no periódico “Scientific Reports”, descreve como transformar a gordura branca em marrom por um processo simples, que consiste em adicionar um coquetel de substâncias químicas ao tecido e manter a mistura num biorreator por um período entre uma e três semanas.

— A ideia geral desta abordagem é que você pode criar a gordura marrom fora do corpo e retorná-la como um transplante — explicou ao “Guardian” Brian Gillette, pesquisador do Hospital Winthrop, da Universidade de Nova York.

Foto: Reprodução
O procedimento foi bem sucedido com tecido humano e, em cobaias, chegou a ser reimplantado, mas após oito semanas os camundongos que passaram pelo experimento não perderam peso em comparação com o grupo de controle. Segundo os pesquisadores, mais pesquisas são necessárias para demonstrar que o tratamento pode funcionar.

A maior parte da gordura armazenada no organismo humano é branca, considerada ruim, por se depositar ao redor da cintura, nos quadris e nas coxas. Mas uma pequena quantidade de gordura marrom é encontrada em torno do pescoço, dos ombros e no interior das reservas de gordura marrom. Segundo Gillette, entre 50 e 100 gramas de gordura marrom, quantidade aproximada encontrada num adulto, é responsável por 20% da queima diária de energia.

— É um dos tecidos mais metabólicos no corpo — comentou.

Pesquisas anteriores demonstraram que pessoas com maior percentual de gordura marrom tendem a enfrentar menos problemas com o ganho de peso. O tecido adiposo branco pode ser transformado naturalmente em marrom, pela exposição ao frio extremo, ou por medicações, mas as drogas atuais possuem efeitos colaterais que praticamente inviabilizam o seu uso.

Na abordagem proposta por Gillette e seus colegas, a gordura branca é extraída do paciente, convertida em gordura marrom fora do corpo e depois reimplantada, como nas cirurgias plásticas. Caso o procedimento se mostre eficaz e seguro, ele pode vir a substituir o uso de drogas para emagrecimento e a invasiva cirurgia bariátrica.