Saúde

Telas de smartphones e tablets não são tão ruins para crianças, dizem médicos

Guia na Inglaterra diz que não há evidências suficientes de que o uso é prejudicial aos filhos. Contudo, orienta os pais a limitarem as horas de uso e evitá-las antes de dormir

Agência O Globo

O Colégio Real de Pediatria e Saúde Infantil (Royal College of Paediatrics and Child Health - RCPCH) do Reino Unido, que supervisiona o treinamento de especialistas em medicina infantil, na Inglaterra, publicou um guia na revista médica do BMJ Open, sobre o uso de telas de smartphones, tablets e computadores para crianças. Segundo eles, após alguns estudos, "não há boas evidências de que o tempo na frente de uma tela seja tóxico para a saúde delas", como é dito frequentemente.

Eles destacam que os pais devem se preocupar menos com uso de smartphones e tablets por seus filhos. Po outro lado, sugerem que os mesmos fiquem mais atentos à quantidade de horas, especialmente antes de dormir, e para que os filhos não substituam atividades físicas e mentais ou o tempo com a família pelos aparelhos.

Dr. Russell Viner, presidente da RCPCH, disse que "as telas são parte da vida moderna", acrescentando: — O gênio está fora da garrafa. Não podemos colocá-lo de volta.

Segundo ele, os pais devem considerar seu próprio uso de telas, se o tempo de tela for controlado em sua família e se o uso excessivo estiver afetando o desenvolvimento e a vida cotidiana de seus filhos.

— Precisamos nos ater a aconselhar os pais a fazerem o que eles fazem bem, que é equilibrar os riscos e benefícios. Um padrão não serve para todos, os pais precisam pensar sobre o que é útil e útil para o seu filho.

Dr. Max Davie, diretor de promoção da saúde do RCPCH, acrescenta: — Telefones, computadores e tablets são uma ótima maneira de explorar o mundo, mas os pais costumam sentir que há algo indefinidamente errado neles.

Quantas horas?

O grupo de estudiosos afirmou que não estabeleceria limites de horas para as crianças porque não havia evidências suficientes de que o tempo de tela fosse prejudicial à saúde infantil em qualquer idade. Em vez disso, publicou uma série de perguntas para ajudar as famílias a tomarem decisões sobre o uso de tempo na tela.

Já a recomendação de que as crianças não usem os dispositivos na hora antes de dormir vem por causa de evidências de que podem prejudicar o sono. Isso porque os dispositivos estimulam o cérebro, e a luz azul produzida por eles pode perturbar a secreção do hormônio do sono, a melatonina.

Embora existam modos noturnos em muitos telefones, computadores e tablets, não há provas de que sejam eficazes, segundo eles. Em geral, o que se descobriu é que o efeito do tempo de tela na saúde das crianças é pequeno quando considerado próximo a outros fatores como sono, atividade física, alimentação, intimidação e pobreza.

Outro ponto relevante é o conteúdo que eles tenham acesso. Dr. Davie acrescentou: - Sugerimos que limites apropriados para a idade sejam estabelecidos, negociados pelos pais e pela criança, e que todos na família entendam.

O colégio pediu uma pesquisa de melhor qualidade para entender mais sobre como o conteúdo dos dispositivos e o contexto em que são usados afetam os resultados da saúde.

Depressão adolescente

Um outro estudo, realizado por especialistas da University College London, incluindo o presidente da RCPCH, Prof Russell Viner, encontrou associações entre maior uso de tela e obesidade e depressão, sendo que as meninas aparecem como duas vezes mais propensas a apresentar sinais de sintomas depressivos ligados ao uso da mídia social aos 14 anos em comparação com os meninos.

O Colégio, entretanto, pondera que não ficou clara a evidência se o uso de tela maior estava causando esses problemas ou se as pessoas com esses problemas eram mais propensas a passar mais tempo nas telas.