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Temas mais discutidos pelos brasileiros no Facebook são economia, segurança e corrupção

40 milhões de brasileiros utilizaram a rede social para falar em temas relacionados às eleições na última quinzena de agosto

Daniel Salgado, da Agência O Globo

Economia, segurança e corrupção foram os temas mais comentados pelos brasileiros do início do período eleitoral ao final do mês de agosto, segundo dados revelados pelo Facebook. A análise de 360 milhões de interações, que foram feitas por 40 milhões de usuários entre os dias 16 e 29 do mês, mostra os dez assuntos mais debatidos na rede social.

Em seguida, a lista coloca Educação, Desemprego, Temas de Gênero, Judiciário, Direitos Humanos, Saúde e Habitação para fechar o ranking dos dez temas mais comentados. O campeão geral, a Economia, foi tema de pouco mais de 40 milhões de interações no período analisado. Habitação, por último, chegou a marca de 15,3 milhões de reações. O estudo também apresenta recortes de gênero e idade, mostrando qual grupo predomina nas conversas sobre os diversos assuntos.

Tanto no Brasil como no Rio de Janeiro, onde foram analisados 4,5 milhões de usuários, os jovens tendem a ser maioria nas conversas sobre os chamados assuntos de costumes: temas de gênero, desarmamento e direitos humanos foram assuntos em que os brasileiros de 18 a 34 anos dominaram a discussão.

Foto: Reprodução
— Isso tem muito a ver com a força que os movimentos identitários ganharam no debate público. E há também uma reação grande a isso. Esses movimentos são compostos na sua maioria de jovens, no mundo todo. Então é natural esse cenário — explica Esther Solano, socióloga e professora da Unifesp.

O protagonismo dos jovens nesse debate não significa, porém, que esses mesmos temas não sejam caros aos usuários mais velhos. Segundo Pablo Ortellado, professor e pesquisador do Monitor do Debate Público no Meio Digital da USP, a questão gira mais em torno do quanto os assuntos movem esses diferentes grupos.

— Esse levantamento incluiu só 40 milhões de usuários. 80 milhões não falaram em nenhum desses temas. Essa população mais silenciosa capta as pessoas que saem para falar e estão mais apaixonadas, que é o caso dos jovens nestes temas, mas também se importam — explicou.

As diferenças também aparecem na análise por gênero. No Brasil, as mulheres proporcionalmente são maioria nas discussões sobre Saúde, Temas de Gênero e Habitação. Já os homens, ocupam maior parte da discussão sobre Temas Políticos, Impostos e Indústria. Para a pesquisadora, essa divisão é um reflexo claro da sociedade:

— A parte feminina tem mais a ver com a privada, e a masculina com a pública. É um recorte de como funciona o patriarcado. A mulher fica, infelizmente, relegada a esse papel. E por isso ela tem mais indecisão na hora de votar, pois ela se enxerga muito menos nesses temas — explica Solano.

Os números refletem uma pesquisa divulgada no último mês de junho pelo Datafolha, que mostra que 80% do eleitorado feminino não tinha um candidato definido. Maioria em 2018, as eleitoras citaram ao instituto de pesquisa que a Saúde era sua principal preocupação.

— A Saúde e Habitação vão aparecer como temas muito importantes pelos mesmos motivos. Geralmente, cabe à mulher a função de cuidadora do lar e da família — diz a professora, que também destacou a importância do perfil do usuário médio da internet brasileira. — Esse tipo de discussão, nas redes sociais, acontece principalmente com a população urbana, de classe média e escolarizada. A população rural e a mais pobre precisam ser levadas em consideração.

Ainda que proporcionalmente mais citada por mulheres, a Saúde ocupou apenas a penúltima posição no ranking geral divulgado pelo Facebook, tanto no Brasil quanto no Rio de Janeiro. Na pesquisa com usuários de todo o país, o tema teve metade das 4,4 milhões de interações geradas pela Corrupção, que ficou em terceiro lugar.

— O que os números indicam é que há uma certa normalização da crise da saúde, ainda que a situação seja precaríssima em ambos os níveis. Mas é como se houvesse pouca expectativa por parte da população, o que explica a baixa discussão nas redes — explicou Michael Mohallem, professor de Direito da FGV Rio.

Para ele, outro fator que sofre de um descompasso similar é o do desemprego. Apesar dos 13 milhões de brasileiros sem trabalho ou na informalidade, e do protagonismo do tema nos debates televisivos, os números mostram uma população preocupada com outros temas.

— A violência e a corrupção, por exemplo, se impuseram nesses cenários. Vive-se no Brasil uma epidemia de segurança pública, não só no Rio de Janeiro. É um tema sensível. Assim como a corrupção, que frequentemente aparece em pesquisas como número 1 na agenda dos brasileiros — disse.

Para Pablo Ortellado, a posição destacada da economia é natural em tempos de crise nacional na área. Mas são os demais assuntos que completam o pódio que dialogam mais diretamente com fenômenos nas pesquisas de intenção de voto.

— A proeminência da corrupção e da segurança como temas principais chama a atenção. São dois que aparecem como pautas centrais do primeiro colocado nas pesquisas, que é o Jair Bolsonaro (PSL). Vê-se, então, que são centrais também na internet — explica o professor da Usp.

VEJA O RANKING COMPLETO DE INTERAÇÕES NO BRASIL:

Economia (40,6 milhões de interações)

Segurança (32,8 milhões)

Corrupção (31,2 milhões)

Educação (28,1 milhões)

Desemprego (20,9 milhões)

Temas de Gênero (18,6 milhões)

Judiciário (16,5 milhões)

Direitos Humanos (16,3 milhões)

Saúde (15,9 milhões)

Habitação (15,3 milhões)