Comportamento

Tensão para a primeira vez? Entenda porque você não deve ter medo dela

A expectativa por esse momento é grande, mas possível de ser driblada com medidas simples

Carlos Bahia* (carlos.filho@redebahia.com.br)
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Quem já passou da adolescência sabe que um dos maiores momentos de ansiedade e de expectativa nessa fase da vida é a iniciação sexual. Com a explosão de hormônios típica dessa idade, não demora muito e os meninos e meninas passam a notar as mudanças no corpo e querem dar esse "start" na vida sexual. Com as inseguranças nessa fase, a primeira vez pode se tornar um grande pesadelo e até um trauma na vida daquela pessoa. O iBahia conversou com a psicóloga do Hapvida Marta Souza e o urologista e sexólogo Rogério Matos Araújo em busca da resposta que intriga os jovens prestes a ter a primeira vez: ela será necessariamente tão ruim assim? 

Voltaremos a essa pergunta mais tarde. Antes, é preciso entender as razões para esse estigma com relação a primeira vez. Segundo a psicóloga Marta Souza, do sistema Hapvida, a falta de diálogo em casa e de educação sexual nas escolas contribuem para o "não saber o que fazer" na hora H. "As meninas preferem tirar dúvida com uma amiga da escola porque o assunto é tabu dentro de casa. Já o menino procura alguém mais velho, que vai aconselhá-lo a ver um filme pornográfico", opina a psicóloga, em entrevista ao iBahia.

A questão dos filmes adultos leva o garoto a entender o sexo de maneira errada, segundo Marta. "Sexo não é a penetração. O ato inicia a partir dos primeiros contatos, das preliminares, das conversas que se tem antes entre aquelas pessoas", explica. O pensamento é enfatizado pelo urologista Rogério Matos Araújo. "Não é uma guerra de quem goza mais. É um ato de carinho, de prazer mútuo", resume o médico.

A primeira vez será ruim?

Voltemos à pergunta inicial. As relações sexuais entre adolescentes brasileiros têm ocorrido cada vez mais cedo. Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde apontou que o índice de mulheres que tiveram relações sexuais antes dos 15 anos triplicou entre o estudo de 1996 e o de 2006. Já o estudo "Durex Global Sex Survey", encomendada pela marca de preservativo Durex em 2012, aponta que os brasileiros perdem a virgindade, em média, aos 13 anos.

Com tão pouca idade, é comum a tensão aparecer na hora e poder tornar o momento ruim, mas não deve ser a regra. De acordo com Marta, a ansiedade é natural e vai aparecer de qualquer forma, e que isso não deve fazer a pessoa se sentir mal. Ela também fala que não há uma idade indicada para iniciar a vida sexual, mas alerta: "Cuidado em relação a influência dos amigos. Há quem pense que vai fazer mais cedo não porque quer, mas por conta da pressão dos colegas que já tiveram a primeira vez. A verdade é que tem que ser quando souber que o seu corpo está pronto para isso".

Como se preparar?

O diálogo exerce parte importante na preparação para a iniciação sexual, seja ele com os pais ou com médicos especializados. "A coisa é simples, bem natural, e podemos explicar como funciona um aparelho reprodutor, por exemplo", destaca Rogério, que ainda menciona a importância da higiene íntima, algo considerado fundamental para o médico.

Já a psicóloga ressalta a importância de conhecer o próprio corpo. "Nesse autoconhecimento a pessoa entende que a relação pode acontecer consigo mesma, através da masturbação, por exemplo. O entendimento do homem quando está ereto, quando vai ejacular, a mulher vai descobrindo quando está lubrificada", diz Marta.

Além disso, ela aconselha que exames de verificação devem ser feitos antes de ingressar nessa vida. "Os exames de sangue para prevenir a possibilidade de ser portador de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) é muito importante". A Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou, em junho de 2019, que mais de 1 milhão de novos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) curáveis são registradas diariamente entre pessoas com 15 a 49 anos. O uso de preservativos também é fundamental. "Vá no ginecologista, fale com seus pais, use camisinha", sintetiza Marta.

Fontes:
Marta Souza, psicóloga do Sistema Hapvida - 03/13783 CRP-BA

Rogério Matos Araújo, mestre pela USP e doutorando pelo hospital sírio libanês, urologista e sexologia - CRM 10369-BA


*sob supervisão da repórter Lívia Oliveira