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Testamos o EcoSport 2.0 Titanium automático; veja o resultado

O EcoSport entrou na sua terceira fase preparado para brigar pelas primeiras posições no mercado de SUV compactos, um dos segmentos que mais crescem no Brasil

Rafael Sena* (rafael.sena@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Se o mercado de SUV compactos é uma das categorias que mais crescem em vendas não só no Brasil, mas no mundo, a briga precisa ter jogadores à altura do setor. E a Ford não economizou nas ferramentas para entrar e, bem, na disputa. 

Aposta da companhia para este segmento, o reestilizado EcoSport está disponível com a mesma identidade visual, mas com características completamente novas e alinhadas com as novas exigências do mercado consumidor. 


Os novos modelos foram lançados no início deste ano e saem nas versões SE, FreeStyle, Titanium e Storm. Os preços vão de R$ 73.990 até R$ 99.990. Por uma semana, o iBahia testou o Ford EcoSport 2.0 Titanium automático, versão top de linha, que custa a partir de R$ 93.900. As primeiras impressões são de que a companhia apostou na trinca conforto, segurança e tecnologia. Aliás, não só apostou. Acertou. O EcoSport surge com uma consistência mais moderna e robusta - o interior do veículo, por exemplo, foi totalmente renovado. 

Um novo carro, tecnologia em quase tudo

Percorremos quase 500 Km com o novo EcoSport, na cidade e na estrada. A sensação de conforto é gritante. O banco parece se adaptar para oferecer a melhor experiência ao motorista. O espaço interno é amplo, do condutor aos caronas no banco traseiro - atrás o carro comporta três pessoas. Para o motorista, as operações do veículos estão facilmente ao alcance das mãos. O volante, multifuncional, agora conta com trocas de marcha manuais no estilo borboleta. No todo, a dirigibilidade é bastante agradável.


Novidade também nesta geração é o central multimídia SYNC 3 com tela capacitiva de 6,5” (versão SE) ou 8” (FreeStyle e Titanium). O veículo conta com boa conectividade e recursos avançados, a exemplo do assistente de emergência. Não houve problemas para conectar o celular, ouvir músicas e fazer ligações.

O encaixe da tela, no entanto, deixa a desejar. A impressão é de que ela foi embutida no painel para funcionar, mas sem boa aderência. O painel, por sua vez, é novo, mas dá a entender que foi o item que menos acompanhou a reestilização total do EcoSport.


O que mais surpreende no interior, no entanto, é o estofado em couro na cor creme, redesenhado e em harmonia com o veículo. A estética, casada com os recursos tecnológicos do EcoSport, empresta ao veículo uma tendência de sofisticação e elegância. A versão topo de linha, Titanium, vem equipado com teto solar elétrico.

Do lado externo, as mudanças são visíveis somente na parte dianteira. O capô vem no estilo estilo “power dome". Faróis de xenônio com luzes diurnas de led, sensores de chuva e luz. O para-choque foi redesenhado, está maior, assim como a grade, que também está mais elevada. No todo, a identidade visual do EcoSport segue o modelo da geração anterior. 

O estepe na traseira, no entanto, continua motivo de polêmica entre os consumidores. Há quem esperava que a Ford abolisse o velho modelo, mas a própria companhia já respondeu que é marca registrada do veículo e que os seus clientes já estão acostumados.

Vale ressaltar também que a abertura do porta-malas se mantém pela lateral. Abri-lo pode se tornar uma tarefa difícil se o veículo estiver estacionado muito próximo de outro ou em paredes. Em contrapartida, o porta-mala pode aumentar dos 356 litros para 1.178 litros com o rebatimento dos bancos traseiros.


Dentro dos recursos que facilitam a vida do motorista e melhoram a segurança estão o monitor de pressão de pneus, alertas de ponto cego, tráfego cruzado na traseira e controle de estabilidade com sistema anti-capotamento (RSC). Todos manuseados a partir do volante multifuncional.

A abertura e fechamento do veículo, além da partida, também chamam a atenção. O motorista pode abrir e fechá-lo com as chaves no bolso, já que as maçanetas têm sensor capacitivo. Um botão dá a partida, tornando a experiência do condutor bem prática. Ao todo são sete airbags - de frontais e laterais até proteção para o joelho do condutor.


Motor, performance e consumo

O motor Duratec 2.0 Direct Flex equipa o EcoSport, o mesmo do Focus, que consegue entregar 176/170 cv e 22,5/20,6 kgfm com etanol e gasolina. É o mais potente do segmento.

O nível de ruído interno é baixo, mesmo nas lombadas e variações na pista. O motor é suave e só ronca numa aceleração mais aguda. As mudanças de marchas são quase imperceptíveis. 

A direção elétrica é firme e precisa. A suspensão passa despercebida, ao mesmo tempo que a potência tem bons resultados. As retomadas são rápidas e o carro mostra ótima aderência nas curvas, sobretudo nas rápidas.


O consumo passa a ser mostrado como litros por hora e não mais quilômetros por litro, permitindo um controle mais eficiente do condutor. Na cidade, rodamos uma média de 7,8/11,0 km/l com etanol/gasolina, enquanto que na estrada o desempenho passou para 9,1/13,1 com etanol/gasolina. Resultado correspondente para um veículo 2.0 e automático. 

Conclusão

O EcoSport entrou na sua terceira fase preparado para brigar pelas primeiras posições no mercado de SUV compactos. Categoria, a propósito, que ela inaugurou no Brasil em 2002. A mudança profunda neste novo modelo é reflexo dos novos dados do setor.

Em 2017, segundo números da Fenabrave, federação que representa as concessionárias, as SUVs representaram 22,34% do mercado brasileiro de automóveis, perdendo apenas para os hacthes compactos. É a maior participação da história do segmento. 


A última atualização do EcoSport foi em 2012 e, de fato, como mostram os números, havia a necessidade de uma reconstrução. O segmento está bastante concorrido com veículos como Jeep Renegade, Honda HR-V, Hyundai Creta, Nissan Kicks, Renault Duster e Captur, entre outros.

A Ford não pensou duas vezes em superequipar o novo Ecosport, que promete não decepcionar clientes que buscam um bom SUV compacto. Além da boa performance do carro, o EcoSport agrada com recursos tecnológicos funcionais e novos mecanismos de segurança. O conforto também é um diferencial. Carregado com bons e novos atributos, cabe ao consumidor decidir se o custo valerá o benefício.  

*Jornalista testou o veículo do dia 1° de março até o dia 8 de março