Trânsito

Transalvador registra quase 121 mil invasões de sinal só este ano; veja as sinaleiras 'recordistas'

Segunda infração mais registrada pela Transalvador, o avanço de sinal vermelho está longe de ser uma exclusividade da madrugada

Bruno Wendel (bruno.cardoso@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Se você acha que avançar o sinal vermelho é uma ação frequente apenas na madrugada, e por medida de segurança, está enganado. Os soteropolitanos têm hábito de avançar o sinal a qualquer hora do dia. E bota hábito nisso!

Kombi desrespeita sinal vermelho bem em frente ao Hospital Santo Antônio, nos Dendezeiros. Pacientes e moradores reclamam de imprudência




Os dados da Transalvador atestam que desde o início do ano até a última semana foi registrado pelos 80 fotossensores espalhados pela cidade e agentes de fiscalização do órgão um total de 120.963 notificações por desrespeito ao sinal vermelho. Dá uma média de 419 avanços de sinal por dia. 

De acordo com os registros, 103.642 notificações ocorreram entre 6h e 18h. No turno da tarde (das 12h às 18h), de maior movimentação, foram registradas 52.208 infrações.

O horário da manhã (6h às 12h) registrou 51.434 avanços de sinal. Já no início da noite, das 18h às 21h, foram 12.544 ocorrências. As outras 4.777 notificações foram registradas pelos agentes e não têm horário definido.

Enquanto pedestre espera, carros avançam sinal na Jequitaia






Avançar o sinal vermelho ocupa a segunda posição no ranking das multas da Transalvador. Conforme o artigo 208 do Código Brasileiro de Trânsito, a infração é gravíssima e gera multa de R$ 191,54 e sete pontos. 

A primeira posição das multas é transitar em velocidade superior à máxima permitida em até 20%, com 160.780 notificações registradas desde o começo do ano. A terceira notificação é estacionar em local/horário proibido, com 25.673.   



O CORREIO foi a três sinaleiras recordistas em registros de irregularidades. Em primeiro lugar está o semáforo na Avenida Dendezeiros, em frente ao Hospital Santo Antônio (Irmã Dulce). Foram 7.761 registros desde janeiro.


Apesar de estar em frente ao hospital, a equipe de reportagem não teve trabalho para fazer os registros. Às 10h, bastou pouco menos de meia hora e uma kombi cruzou a faixa de pedestres sem sequer reduzir a velocidade. Menos de dez minutos depois, um Fiat Idea cometeu a mesma irregularidade, impedindo a travessia de pacientes e funcionários do hospital.


“Esse problema é diário, principalmente nos finais de semana”, relatou Josevaldo Ribeiro, encarregado de serviço patrimonial do Hospital Irmã Dulce. “A gente fica com muito medo. Aqui passam muitos idosos e correm risco de ser atingidos”, disse Maria Anunciação, moradora do bairro.

Em segundo lugar aparece a sinaleira da Avenida Jequitaia, próximo à Feira de São Joaquim - 4.364 infrações. “O problema maior são os motoqueiros. Eles não querem saber de ninguém. Uma vez quase fui atropelado”, contou o ambulante José Carlos dos Santos, de 55 anos.

Logo em seguida vem a sinaleira que fica próxima ao campus da Universidade Católica de Salvador (Ucsal), na Avenida Professor Pinto de Aguiar, em Pituaçu. Lá, os motoristas avançaram o sinal vermelho 4.339 vezes desde o início do ano até o fim da semana passada. No final, dá uma média de 15,01 por dia. 

Já o quarto lugar no ranking de registros de avanços de sinal  pertence ao semáforo em frente à Escola Pingo de Gente, na Avenida Professor Manuel Ribeiro, no Stiep,  com 4.068 ocorrências (14 por dia).

Sinaleira em frente à escola, no Stiep, é uma das primeiras




Ali, por volta das 11h, um Palio azul cruzou um sinal vermelho enquanto um grupo de pessoas aguardava para atravessar. Em seguida, uma Captiva cometeu a mesma infração. A diferença entre uma irregularidade e outra foi de cinco minutos. Mais dez minutos e uma kombi com a plotagem da Prefeitura de Salvador também avançou o sinal.

Depois, um táxi e um Punto foram flagrados furando o sinal vermelho ao mesmo tempo, em sentidos contrários. 

Desrespeito

“O que acontece por aqui é uma tremenda falta de respeito. Os motoristas sequer temem o fotossensor. Tenho um sobrinho que foi atingido por uma moto e está num hospital”, disse a professora aposentada Bernadeth Salgado, 61 anos, moradora do bairro.

“É comum a gente ouvir o barulho de freio. Os motoristas vêm embalado e, ao perceberem o fotossensor, freiam bruscamente”, reclamou o economista Otávio Bouri, 57. 

A assessoria de comunicação da Prefeitura informou que os veículos usados pelo órgão são alugados, mas que o carro e o motorista serão multados, caso o veículo tenha sido identificado pelo sensor.

O estudante de Fisioterapia Danilo Alencar, 28 anos, sabe bem a consequência da pressa. Há um ano, ele voltou a ter o direito de dirigir. “Passei cinco anos sem habilitação porque invadi um sinal na Avenida Garibaldi. Achei que dava para passar. Ainda estava no amarelo... só vi o flash”. 

Ele só percebeu que havia cometido a infração um ano depois, quando pagou o licenciamento. “Tive que começar tudo de novo: frequentei a autoescola e fiz os testes”, disse Danilo, que garantiu estar mais prudente.

“Para quem tem habilitação provisória, é tolerável ter apenas uma infração leve”, explicou Samuel Freitas, chefe do setor de Processamento de Infração da Transalvador. Ele disse que o condutor-infrator recebe inicialmente o comunicado da infração (NAI) – a via amarela. 

“Ele tem prazo de 15 dias para apresentar o condutor, a partir da data da emissão do documento. Ele ainda tem 15 dias para apresentar a defesa. Caso não apresente, automaticamente receberá a Notificação de Imposição de Penalidade (NIP), via verde”, explicou. O condutor ainda pode recorrer na segunda instância, à Junta Administrativa de Recurso de Infração (Jari), e ao Contran (Conselho de Trânsito), na última instância.


Matéria original do Correio

Transalvador registra quase 121 mil invasões de sinal só este ano; veja as sinaleiras 'recordistas'