Salvador

Transexual é morta com mais de 15 tiros no bairro de Cajazeiras

A mulher transexual Camila Albuquerque foi assassinada na manhã desta quarta-feira (15) na pista que liga a BR 324 ao bairro de Cajazeiras XI

Jorge Gauthier, do Correio 24h
A mulher transexual Camila Albuquerque foi assassinada na manhã desta quarta-feira (15) na pista que liga a BR 324 ao bairro de Cajazeiras XI. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).  Camilinha, como era conhecida, foi alvejada com mais de 15 disparos de arma de fogo. “Ela era uma pessoa do bem, maravilhosa. Foi muita maldade o que fizeram com ela. Foi muita crueldade”, disse uma amiga de Camila ao Me Salte, por telefone. Em sua rede social, horas antes de morrer, Camila escreveu: Me rebaixar? Sentir ódio? Pra que? Mulher que sabe seu potencial deve se olhar no espelho todos os dias e dizer ” SOU MAIS EU ” ..”.
Foto: Reprodução/Facebook

Morte de pessoas transexuais no Brasil 
Só no ano passado 144 pessoas transexuais e travestis mortas no Brasil em 2016 – um aumento de 22% em relação a 2015. Segundo o antropólogo Luiz Mott, responsável pelo site Quem a homofobia matou hoje – desenvolvido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) e que é usado internacionalmente como instrumento de notificações de casos de LGBTfobia, proporcionalmente, as travestis e transexuais são as mais vitimizadas.

“O risco de uma pessoa trans ou travesti ser assassinada é 14 vezes maior do que um gay, e se compararmos com os Estados Unidos, as 144 travestis brasileiras assassinadas em 2016 face às 21 trans americanas, as brasileiras têm 9 vezes mais chance de morte violenta do que as trans norte-americanas”. Segundo agências internacionais, a exemplo da Trans Respect Versus Transphobia World Wide , mais da metade dos homicídios de transexuais do mundo ocorrem no Brasil.

Transfobia pós-morte
Desde que o Me Salte teve a notícia da morte de Camila nos foram enviadas – e estão sendo compartilhadas em diversas redes sociais – imagens do corpo da Camila no momento em que estava sendo periciado pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT). A foto, que mostra Camila sem roupa no meio da rua, tem sido alvo de vários comentários transfóbicos por conta da exposição da genitália de Camila. Não é possível identificar a autoria das fotos, mas faço o pedido: NÃO COMPARTILHEM AS FOTOS DE PESSOAS MORTAS. Isso só traz sofrimento para a família e é falta de HUMANIDADE E RESPEITO