Saúde

Uso errado de antibióticos fortalece bactérias;entenda

Resistência bacteriana aumenta o tempo de permanência dos pacientes em hospitais

Agência O Globo

A resistência bacteriana é uma preocupação em todo o mundo. Para alertar a população sobre a utilização correta de antibióticos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou a Semana Mundial de Conscientização do Uso Racional de Antibióticos, que começa na próxima segunda-feira. 

Estimativas da OMS apontam que, a partir de 2050, mais de 10 milhões de pessoas morrerão por ano por causa de bactérias resistentes a antibióticos, superando o número anual de óbitos por câncer, que hoje chega a 8,2 milhões. A resistência bacteriana aumenta o tempo de permanência dos pacientes em hospitais, demanda a realização de uma quantidade maior de exames médicos, eleva os preços dos tratamentos e contribui para o aumento da mortalidade.

— As bactérias têm um “WhatsApp” muito mais rápido do que o nosso, então elas trocam informações (genéticas) de uma para a outra, formando a resistência, que é um fenômeno natural. Esse processo pode ser acelerado dependendo da maneira como os antibióticos são usados — alerta Flávia Rossi, diretora médica do Serviço de Microbiologia da Divisão do Laboratório Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

O uso excessivo e inadequado de antibióticos dentro e fora dos hospitais, a utilização destes medicamentos na agricultura e na pecuária e a demora no diagnóstico de infecções bacterianas são alguns fatores que ajudam a acelerar o processo de resistência.

— Ao saber qual é a bactéria que está causando a infecção, é possível atacá-la de forma mais direta, sem afetar aquelas bactérias que nos protegem — afirma Flávia.

Exigência de receita ajuda a controlar venda

Uma resolução do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada em 2010, determinou que antibióticos só podem ser vendidos com prescrição médica. Além disso, a receita vale por somente 10 dias e tem que ficar retida na farmácia após a compra.

— O governo tomou uma atitude extremamente importante ao exigir a prescrição. O uso racional do antibiótico não depende só da prescrição do médico, mas que a população conheça e entenda os problemas que estamos enfrentando — diz Eurico Correia, diretor médico da Pfizer.