Saúde

Uso indiscriminado de diuréticos pode provocar arritmias, convulsões e AVC

Médicos alertam sobre a utilização de remédios, que são vendidos sem a exigência de receita

Eduardo Vanini, da Agência O Globo

Vendidos sem a necessidade de apresentação de receita médica, os diuréticos são frequentemente vistos como alternativa para quem quer se livrar de "inchaços" no corpo. O modelo Danilo Borgato, por exemplo, contou, nos bastidores da São Paulo Fashion Week, que recorreu à substância para encarar a passarela. Mas, antes de adotar esse recurso, vale a pena se ligar no alerta dos médicos: o uso indiscriminado pode trazer consequências graves.

A nefrologista Lilian Carmo, que é professora da Faculdade de Medicina da UFMG, afirma que, além do líquido, os diuréticos eliminam eletrólitos, como sódio, potássio e magnésio. Dependendo do tipo e do uso, também podem provocar alteração na glicemia e aumento do ácido úrico.

- Potássio baixo pode levar a arritmias e parada cardíaca. Já a falta de sódio é capaz de provocar convulsões e quadros neurológicos, como dormência e AVC - comenta a Lilian. - Também há o risco de desidratação, é claro. Porque, se a pessoa faz algum tipo de exercício, vai perder muito mais líquido do que deveria, sendo que isso já seria naturalmente administrado pelo organismo, caso os rins estejam funcionando normalmente.

Ela acrescenta que muitas pessoas que fazem a utilização indevida de diuréticos podem sofrer de algum distúrbio de imagem, o que deixa o quadro ainda mais complexo. Por isso, se o paciente está, por algum motivo, se sentindo inchado, o ideal é que busque um médico para saber se isso, de fato, está acontecendo e iniciar um tratamento adequado.

- Ninguém fica inchado sem uma causa para isso - frisa.

O nefrologista Marcos Gomes Bastos, do Departamento de Clínica Médica da UFJF, endossa os alertas. Como ele enfatiza, quando o uso de diuréticos se faz realmente necessário, cada paciente recebe uma dosagem diferente.

- O ideal é que nunca seja feito o uso indiscriminado, porque a pessoa pode começar tomando baixas dosagens e ir aumentando aos poucos, em busca de resultados. Isso pode ter consequências desastrosas, levando até à morte - afirma.