Economia

Vale à pena pagar IPTU e IPVA em cota única, apontam especialistas

Nas contas dos economistas, desconto para quitar os impostos à vista é maior que o rendimento da renda fixa

Agência O Globo

Se em dezembro comemoramos, em janeiro chegam várias contas, como IPTU, IPVA e matrícula escolar, entre outros. E surge a dúvida: em que situações o desconto oferecido é vantajoso e faz valer a pena o pagamento à vista?

Foto: Divulgação

Em 2019, os cariocas terão 7% de abatimento no IPTU para pagamento em cota única, até 7 de fevereiro. A outra opção é o parcelamento em dez cotas. No caso do IPVA, o abatimento é de 3% no valor à vista, para pagamento entre 21 de janeiro e 1º de fevereiro, conforme a placa do veículo. O imposto pode ser dividido em três parcelas.

Na avaliação de economistas, se o contribuinte tiver dinheiro disponível, sem comprometer seu orçamento, é aconselhável quitar a dívida à vista.

— O pagamento em cota única vale a pena. Se a pessoa colocasse o dinheiro em um investimento conservador, como a caderneta de poupança, o retorno só viria em mais de dez meses, no caso do IPTU, e em mais de três, no caso do IPVA — explica a professora dos MBAs da FGV e planejadora financeira Myrian Lund.

Ela calcula que o desconto de 7% do IPTU equivale a uma aplicação de um ano e meio na poupança, e os 3% do IPVA, a um investimento de oito meses.

Mesmo em outros investimentos de renda fixa, a rentabilidade acaba sendo menor do que o valor do desconto oferecido pelos órgãos do governo no pagamento à vista dos tributos, como indicam as projeções de Filipe Pires, professor de Finanças do Ibmec/RJ.

BAIXO RENDIMENTO

No caso de um IPTU de R$ 1 mil, com o desconto de 7% o contribuinte pagaria R$ 930 à vista, ou seja, um ganho indireto de R$ 70. Se o valor cheio do imposto fosse investido no Tesouro Selic durante dez meses, e considerando que a taxa de juros no próximo ano seja de 7,5%, conforme projeção mais recente do Boletim Focus, do Banco Central, o total líquido da aplicação seria de R$ 1.042,37. Ou seja, o ganho com o Tesouro seria R$ 27,63 inferior ao oferecido no desconto da cota única.

A mesma lógica se aplica ao IPVA. Caso o tributo seja de R$ 2 mil, com o desconto de 3%, fica em R$ 1.940. Ou seja, R$ 60 a menos. Se os R$ 2 mil fossem aplicados no Tesouro Selic por três meses, chegariam a R$ 2.013,82 — um ganho de R$ 13,82. O desconto é mais vantajoso.

Nesse cenário, surge a pergunta: por que essa desvantagem nos investimentos em renda fixa na comparação com os descontos oferecidos? Pires cita taxa de juros, tabela regressiva de Imposto de Renda (IR) e tempo de aplicação.

— Com taxa de juros na mínima histórica (a Selic está hoje em 6,5% ao ano), pouco tempo de aplicação e a incidência de IR na faixa de 20%, os rendimentos acabam sendo reduzidos.

PROCURE NEGOCIAR

Os economistas ressaltam ainda que as outras contas de início de ano, como matrícula escolar, devem ser negociadas para conseguir desconto no pagamento à vista.

— Caso se consiga uma boa negociação para pagar todas as mensalidades de uma vez, é vantajoso quitar esta divida à vista também — explica Myrian.

Uma estratégia para quitar todos os gastos com a escola de uma só vez, diz, é guardar o valor correspondente à cobrança mensal em um fundo de renda fixa:

— Se a pessoa investe o valor da mensalidade na poupança ou no Tesouro Selic, no início do ano seguinte terá dois ganhos, o desconto na escola e o rendimento da aplicação.

Para isso, é necessário seguir um planejamento rígido ao longo do ano.

— Programe uma transferência automática para algum investimento no mesmo dia em que o salário cair na conta — aconselha Myrian. — É a melhor maneira de criar o hábito de poupar. Não há necessidade de já começar com valores altos. O importante é saber que uma parcela mensal do salário precisa ser investida.