Natal

Véspera de Natal é ponto em que ataques cardíacos são mais prováveis, diz estudo

Números coletados por universidade sueca apontam para risco 37% maior que datas posteriores

Agência O Globo

Com as festas de fim de ano se aproximando, um estudo feito por pesquisadores suecos da Universidade de Lund alerta que o aumento do estresse e das emoções fortes contribuem para criar o ponto anual em que é mais provável que ocorram ataques cardíacos.

Em um dos estudos mais longos a analisar os riscos das festas de fim de ano, pesquisadores suecos indicaram as 22h da véspera de natal como o ponto anual em que os ataques cardíacos são mais prováveis. Segundo estudos anteriores, esse pico pode variar em países de maioria muçulmana para o dia 25 de dezembro e em outras comemorações, como o Eid al-Fitr, que marca o fim do jejum no mês sagrado do islã, o Ramadã.

Ainda assim, o resultado da pesquisa feita na Universidade de Lund também teve um resultado que une a todos, fixando as segundas-feiras, às 08h, como um outro ponto em que os ataques cardíacos são mais comuns.

De acordo com estudos anteriores, grandes eventos nacionais, como a final do campeonato de futebol americano (Super Bowl), uma eventual queda da bolsa de valores e desastres naturais também contribuem para o aumento dos ataques cardíacos, embora isso não tenha sido verificado na pesquisa atual.

O estudo foi incluído na edição de Natal do periódico "BMJ", e é uma das análises mais aprofundadas em eventos cardíacos anuais usando registros nacionais confiáveis. O levantamento contou com a análise de 283.014 mil registros de ataques cardíacos registrados no sistema de saúde sueco em um período de 16 anos, de 1998 até 2013.

A porcentagem de ataques cardíacos no Natal foi 15% maior que em semanas antes e depois, e também subiram 12% durante as festas de verão da Suécia, comemoradas em junho. O maior nível, no entanto, foi verificado na véspera de Natal, quando as chances de alguém ter ataque cardíaco é 37% maior que qualquer dia da semana anterior ou posterior à data — o que é ainda maior em pessoas com mais de 75 anos ou que tenham pré-condições, como diabetes.

De acordo com o texto "(estudos anteriores) mostraram que fortes sentimentos de raiva, ansiedade, tristeza, luto e estresse aumentam o risco de infarto do miocárdio e possivelmente explicam o alto risco observado no estudo". Mesmo que o réveillon seja visto como um outro pico de emoção, o mesmo estudo descobriu que as maiores ocorrências de ataque cardíaco estão relacionadas ao dia 01 de janeiro.

As taxas de ataque cardíaco foram amplamente semelhantes entre homens e mulheres ao longo do ano, com exceção do solstício de verão, quando houve um nível um pouco maior em homens. "É possível que os homens tenham mais chances de fumar, consumir álcool e comer em excesso, durante as férias, do que as mulheres", acrescentaram os autores.