E. C. Bahia

Jean abandona fama de 'problemático' e mostra evolução em campo

Preparador Thiago Mehl fala sobre trabalho com o goleiro: 'quando cheguei ouvi muita coisa do Jean, até internamente'

Fernanda Varela, do Correio 24 Horas (fernanda.varela@redebahia.com.br)
Desde que decidiu calçar as luvas e se tornar goleiro profissional, Jean já sabia que carregaria um grande peso. Filho do também goleiro Jean, ídolo no futebol baiano, ele ganhou o apelido de Jeanzinho e tinha noção que as comparações seriam inevitáveis. 
Dono de uma personalidade forte, Jean dispensou o apelido e traçou sua própria história. Com toques semelhantes ao do pai quando assume as traves, ele foi ‘crucificado’ em 2015, após um frango que custou ao Bahia a Copa do Nordeste, conquistada pelo Ceará. Depois disso, veio a desconfiança, seguida de constantes críticas em relação ao jovem, que ainda estava com 19 anos.
Foto: Filipe Oliveira/EC Bahia
Hoje, aos 21, ele tem outra postura em campo. Mais maduro, deixou as ‘pieguices’ de lado, controlou o gênio forte, passou a evitar provocações e tenta ser mais objetivo. Tem dado certo. Titular absoluto do Bahia, ele sofreu apenas 10 gols em 20 partidas que disputou na temporada - um pelo Baiano, dois na Copa do Brasil, três pela Copa do Nordeste e quatro no Brasileirão. 
A campanha que rendeu ao tricolor a taça de campeão da Copa do Nordeste foi digna de aplausos. Com a melhor defesa, o time não sofreu nenhum gol na Fonte Nova. “Foi uma redenção, mas não com gosto de que devolvi o título para os torcedores. Eu não entrei pra vingar isso. Segui trabalhando e, dois anos depois, conquistei esse título com meu trabalho”, disse Jean ao CORREIO.
AMADURECIMENTO
O crescimento de Jean tem nome. Ou melhor, nomes: Maria Eduarda, 2 anos, e Maria Valentina, de 8 meses. “O nascimento das minhas filhas me fez amadurecer muito. Desde que elas nasceram, ganhei uma maturidade muito grande. A gente muda, cresce quando se torna pai”, avaliou o camisa 1, que também disse ter crescido após a morte do avô Wagir, pouco antes da final do Campeonato Baiano.
Foto: Filipe Oliveira/EC Bahia
Outro responsável pelo salto de Jean foi o preparador de goleiros Thiago Mehl. “Desde a chegada dele, tenho outra postura no campo”, admite.
PARCERIA DE SUCESSO
Surpreso com o reconhecimento, Mehl fala da sua participação na carreira de Jean. "Legal saber disso, porque reconhecimento hoje em dia é tão difícil, né? Desde que cheguei no clube, ouvi falar muitas coisas do Jean, por parte da imprensa, da torcida e até internamente mesmo, de que ele era um garoto problemático, com talento, mas imaturo. Eu vi que não tinha nada disso. Comecei a trabalhar com ele tudo isso e vi que, além de um fenômeno, que tem talento nato, vi um menino de coração bom e fácil de lidar. Como eu já trabalhei com muitos garotos da base, da idade dele, acho que minha linguagem ajudou, tava fácil dele entender", conta ele ao CORREIO.
O preparador de goleiros, assim como a torcida, vibra a cada boa partida de Jean. Tudo isso, segundo ele, é fruto de uma parceria de sucesso. "Mesmo quando não estava jogando, eu propus metas pra ele. Uma delas era voltar à Seleção, e ele conseguiu. Esse ano, o desafio é fazer o melhor ano da vida dele. Para que ele consiga atingir os sonhos dele, que é jogar um Brasileiro, futuramente ir jogar fora do país. Enxergo muito a evolução dele, até pela responsabilidade que assumiu esse ano. Antes, ele não tinha nenhuma, teoricamente, porque não jogava. A partir do momento que viu essa responsabilidade, ele amadureceu naturalmente. Teve também uma questão familiar aí, principalmente com o nascimento da segunda filha", completa Mehl.
Thiago conta ainda que a evolução de Jean também tem muito a ver com personalidade. O preparador entrega que o goleiro é extremamente competitivo. "Ver obra pronta é fácil, mas eu já dizia antes que isso ia acontecer, porque era nítido. Jean é movido a desafios, é extremamente competitivo. Eu já trabalhei com muitos atletas e nunca vi nenhum tão competitivo quanto ele. Se alguém aposta qualquer coisa com ele, tem grande chance de perder", finalizou.