E. C. Bahia

Por visibilidade trans, Bahia adota nome social em procedimentos administrativos do clube

Tricolor cita um relatório feito pela ONG TGEU, que mostra que o Brasil é o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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O Bahia anunciou uma novidade para seus procedimentos administrativos nesta terça-feira (29). No Dia Nacional da Visibilidade Trans, o clube agora passa a permitir o uso do nome social em crachás, carteiras de sócio e outros lugares ligados ao time em que a exibição do nome da pessoa seja necessária. O "nome social" é o nome pelo qual pessoas transexuais ou travestis preferem ser chamadas, em substituição do nome de registro.

Através de uma nota oficial, o clube cita um relatório feito pela ONG Internacional Transgender Europe (TGEU), que mostra que o Brasil é o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo. Ainda de acordo com a nota, a Bahia é o terceiro estado em mortes violentas de pessoas LGBT (levantamento do Grupo Gay da Bahia).

"O futebol amplia a sua razão de existir quando cumpre o papel de geração de bem-estar e transformação da sociedade. O futebol une pessoas, reconcilia conflitos e promove igualdade. Diante do nosso time, assim como deveria ser na vida, todos somos iguais. Por outro lado, também se revela como reflexo da sociedade ao se ser, lamentável e paradoxalmente, um ambiente de reprodução de homofobia, machismo, racismo, transfobia e outra muitas formas de preconceito", diz parte da nota.

"Mudanças no futebol refletem na sociedade. Mudanças na sociedade refletem no futebol. Futebol e sociedade, portanto, são uma só coisa", completa o Bahia.

O dia 29 de janeiro passou a ser conhecido como Dia da Visibilidade Trans por causa de acontecimentos em 2004. Na oportunidade, 27 travestis, mulheres transexuais e homens transexuais entraram no Congresso Nacional para lançar a campanha "Travesti e Respeito".

Confira a nota na íntegra:

O Brasil é o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo, de acordo com o relatório da ONG Internacional Transgender Europe (TGEU). O número de assassinatos é três vezes maior que o do segundo colocado na pesquisa, o México.

As pessoas que sobrevivem a esse massacre convivem diariamente com diversas formas de opressão, seja no ambiente familiar, nas ruas, nas escolas, nas faculdades, nas redes sociais ou no ambiente de trabalho – quando raramente conseguem acesso ao emprego.

Tal contexto acentua outro desafio relacionado às pessoas trans: a depressão. Um estudo do National Center for Transgender Equality revela que 40% das pessoas trans já tentaram acabar com a própria vida. Em outra pesquisa, na Universidade da Califórnia, revela-se que as pessoas trans pensam em suicídio 14 vezes mais em comparação à população geral.

Segundo levantamento do GGB, a Bahia é o 3º estado em mortes violentas de pessoas LGBT.

O futebol amplia a sua razão de existir quando cumpre o papel de geração de bem-estar e transformação da sociedade. O futebol une pessoas, reconcilia conflitos e promove igualdade. Diante do nosso time, assim como deveria ser na vida, todos somos iguais. Por outro lado, também se revela como reflexo da sociedade ao se ser, lamentável e paradoxalmente, um ambiente de reprodução de homofobia, machismo, racismo, transfobia e outra muitas formas de preconceito.

Mudanças no futebol refletem na sociedade. Mudanças na sociedade refletem no futebol. Futebol e sociedade, portanto, são uma só coisa.

Diante disso, é necessário incluir no futebol também a luta das pessoas trans.

As pessoas trans existem, possuem planos de vida, amam, andam pelas ruas, possuem famílias, merecem cuidados, desejam e precisam atuar no mercado de trabalho. Incluir, garantir a dignidade, respeitar e acolher são obrigações emergenciais da sociedade, de seus indivíduos e das instituições.

Hoje, 29 de janeiro de 2019, Dia Nacional da Visibilidade Trans, o Esporte Clube Bahia reafirma a sua luta por um mundo mais justo, humano e igual e anuncia o uso do nome social em todos os seus procedimentos administrativos, a partir desta data.

Respeitaremos o nome social das pessoas trans sejam elas sócias do Bahia, sejam elas funcionárias do Bahia, sejam elas torcedoras do Bahia ou sejam elas torcedoras de outros clubes (ou de nenhum).

O nome social passa a ser o nome oficial no crachá, na carteira de sócio e onde for necessária a exposição do nome da pessoa.

Bahia, clube de todxs.