E. C. Bahia

Resumo: entenda toda a confusão que aconteceu no Ba-Vi

Jogo teve socos, nove expulsões e muitas acusações

Fernanda Varela, do Correio 24h
- Atualizada em

O torcedor mais distraído ou que não conseguiu assistir ao primeiro Ba-Vi do ano certamente levará um susto ao abrir os sites e páginas de jornal nesta segunda-feira (19). O jogo tinha tudo para ser mais um clássico comum, em uma tarde de domingo (18), no Barradão, mas o campo de futebol virou campo de guerra e tudo começou a desandar. Quer entender melhor? A gente explica.

O dia do jogo, que marcava o retorno das duas torcidas ao estádio após seis partidas, começou com uma confusão na Baixa dos Sapateiras, em um confronto que treze torcedores do Vitória fossem presos. Doze deles estavam com a camisa da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI).

No estádio, o clima era de tranquilidade. Com 90% da carga de ingressos para os rubro-negros e 10% para tricolores, as torcidas fizeram suas festas e os jogadores se abraçaram no círculo central do campo, fazendo um pedido por um Ba-Vi da paz.

A bola rolou e o jogo estava empolgante. Aos 33 minutos, Denilson abriu o placar e fez 1x0, placar que durou até o intervalo. No retorno para o segundo tempo, Uillian Correia meteu a mão na bola aos 4 minutos e o árbitro marcou pênalti. O meia Vinícius cobrou e fez sua tradicional dancinha.

O jogador tem o hábito de comemorar assim, mas fez o gesto do créu em direção à torcida do Leão, o que não agradou nem um pouco ao goleiro Fernando Miguel, que partiu em disparada em direção ao jogador tricolor para tirar satisfação, já que Vinícius também apontou o dedo para a torcida rubro-negra e disse: "eu sou p...". Após isso, o tumulto estava formado. Fernando Miguel segurava o jogador pela camisa quando Kanu chegou e deu dois murros em Vinícius, partindo o supercílio do atleta, que também foi agredido com socos de Denilson e Rhayner.

Aparentemente sem esperar a reação dos companheiros, o goleiro tentou acalmar os ânimos, sem sucesso.
Foto: Arisson Marinho/CORREIO
Com a confusão generalizada no gramado, também teve Edson dando chutes por trás em Kanu, que não revidou. Mas Rhayner não gostou e deu um soco em Edson, que descontou com uma muqueta em Bryan, que não tinha nada a ver com a história. Foi bizarro. Vergonhoso, mesmo.

Vejam as cenas abaixo:


Mais tumulto e fim de jogo
Foram 15 minutos de paralisação, até que a situação fosse controlada. Ao todo, Kanu, Rhayner e Denilson foram expulsos pelo lado rubro-negro, enquanto Vinícius, Lucas Fonseca, Edson e Rodrigo Becão, levaram o vermelho pelo lado tricolor. Fernando Miguel, Yago e o goleiro reserva do Bahia, Anderson, foram advertidos com cartões amarelos.

Pensa que o tumulto acabou? Então senta que lá vem mais confusão. Depois de 12 minutos com a bola rolando, Uillian Correia, que já tinha amarelo, fez falta dura em Zé Rafael e entrou para o time dos expulsos. Sem querer dar continuidade ao jogo com apenas sete atletas em campo, o zagueiro Bruno, que também estava amarelado, forçou uma expulsão e acabou o Ba-Vi antes da hora.

Ao deixar o gramado, o goleiro Fernando Miguel teve humildade e reconheceu que a cena protagonizada pelos atletas não foi legal: 'o jogo estava bom e a gente estragou'.

Regra dá triunfo ao Bahia; Vitória não sabia
O jogo foi encerrado porque a regra diz que não pode continuar tendo jogo quando um dos times tem menos de sete atletas em campo. Só que a regra também determina que, quando isso acontece, o time que tem número de atletas suficiente, é declarado vencedor por 3x0. Aparentemente, o rubro-negro não sabia disso. O técnico Vagner Mancini, o presidente Ricardo David e o vice-presidente Chico Salles reagiram com muita surpresa ao serem informados disso durante entrevista coletiva. A regra consta no Regulamento Geral de Competições da CBF.

Apesar do regulamento, a Federação Bahiana de Futebol (FBF) ainda não publicou em seu site oficial o placar da partida, que seguiu em branco até a publicação desta matéria. Além disso, a súmula da partida, apitada por Jailson Macedo Freitas, também não foi disponibilizada ainda.
Foto: Reprodução

Os culpados
Não parou por aí. Na entrevista, que também contou com a presença do diretor de futebol Erasmo Damiani, Mancini afirmou que a ordem para acabar o jogo não partiu dele, o presidente Ricardo David bradou contra Vinícius e o clube culpou o atleta tricolor pelo tumulto no Ba-Vi: 'ele quem começou'.

Ouça aqui a coletiva completa do Vitória:



Pelo lado do Bahia, muita reclamação. Machucado, Vinícius saiu do estádio e foi direto para a delegacia, onde registrou ocorrência após agressões. Já o técnico Guto Ferreira criticou ferrenhamente a atitude dos jogadores do Vitória. Segundo o técnico, houve um total desequilíbrio do elenco rival.

Quem também não gostou nada do que viu foi o presidente Guilherme Bellintani, que fez críticas ao comportamento dos jogadores do Vitória: 'eu não colocaria isso na história do meu clube’.

Ouça aqui a coletiva completa do Bahia:

E assim acabou o que foi o pior Ba-Vi da história.

Os times se apresentam nesta segunda-feira (19). O Vitória volta a treinar no turno da manhã, às 9h, com portões fechados e em silêncio. Já o Bahia se reapresentará no turno da tarde, com treino aberto à imprensa e entrevista coletiva.