E. C. Vitória

Em clássico sem gols, Vitória domina, mas só o Bahia sai da zona

Diante de apenas 10 mil torcedores no Barradão, empate em 0x0 mantém rubro-negro em 18º lugar e eleva tricolor para 16º

Vitor Villar, do Correio 24 Horas (vitor.villar@redebahia.com.br)
Apenas 10.741 rubro-negros pagaram para ver o Ba-Vi com torcida única do Vitória no Barradão, neste domingo (2), e eles têm motivo para não gostar do que viram. Apesar do domínio rubro-negro nos dois tempos de jogo, o empate em 0x0 no clássico foi pior para o Leão.
O resultado mantém o Vitória na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, em 18º lugar – com risco de cair para 19º se o Avaí se vencer a Ponte Preta a partir das 19h, em Florianópolis. Já o Bahia, embora tenha aumentado o jejum para seis partidas sem ganhar na atual Série A, saiu do Z4. O tricolor foi beneficiado pela derrota do São Paulo para o Flamengo por 2x0 e subiu uma posição, do 17º para o 16º lugar.
No final das contas, o resultado do Ba-Vi não surpreendeu. Apesar do esforço de Vitória e Bahia em trazer algo diferente, a fim de mudar o mau momento que vivem, prevaleceu a dificuldade técnica que as equipes têm demonstrado no Brasileiro.
O Vitória fez, em termos táticos, a sua melhor exibição na Série A. Com uma escalação ousada, abrindo mão de volantes, o técnico Alexandre Gallo surpreendeu o Bahia e dominou as chances de gol durante todo o jogo. Azar do rubro-negro ter encontrado Jean inspirado, autor de grandes defesas. O goleiro tricolor foi o melhor jogador em campo.
Foto: Tiago Caldas/EC Bahia
Já ao Bahia, resta a preocupação de ter feito o seu pior jogo no Brasileiro. Se antes jogava bem e saía com uma derrota, no Ba-Vi o tricolor não conseguiu criar e mostrou erros na saída de bola.
A torcida rubro-negra ficou surpresa quando saiu a escalação do Vitória. Gallo surpreendeu ao colocar o estreante Carlos Eduardo como titular, além do retorno de Cleiton Xavier. Nas arquibancadas do Barradão, sentimentos divididos. Alguns diziam que o técnico estava “inventando”. Mas a invenção deu muito certo: o Vitória foi superior na primeira etapa.
A ideia rubro-negra era pressionar a saída de bola curta do Bahia – algo que Jorginho tem aplicado desde que substituiu Guto Ferreira. Gallo acertou principalmente ao escalar André Lima, que não perdeu nenhuma dividida com os zagueiros do Esquadrão, sobretudo pelo alto. O técnico acertou também ao apostar em Carlos Eduardo, que acertou bons lançamentos.
Neste contexto surgiram logo chances de gol. A primeira foi do Bahia, aos 4 minutos, quando Éder desviou escanteio para defesa de Fernando Miguel. O Vitória apareceu em seguida: na saída de bola, Carlos Eduardo fez ótimo lançamento para Kieza na área. Ele dominou de peito e chutou à queima-roupa para uma defesa brilhante de Jean.
Na cobrança daquele tiro de canto em seguida, Cleiton Xavier lançou fechado e André Lima cabeceou sozinho: a bola raspou a trave.
A linha defensiva do Bahia sofreu demais com o posicionamento do rival. Os zagueiros, Éder e Tiago, eram o tempo todo incomodados por André Lima na saída de bola e os laterais Eduardo e Armero, em tarde esquecível, eram dominados respectivamente por Kieza e Patric.
Mas Gallo errou, também. Quando Kieza teve de ser substituído por volta dos 25 minutos com uma luxação no ombro, o comandante rubro-negro escolheu David para substituí-lo, e não Neilton. A troca fez a torcida vaiá-lo. De fato, após aquilo, o Leão perdeu força pela esquerda.
O garoto criou uma única chance, aos 29, quando cruzou e André Lima, para variar, ganhou pelo alto. Jean espalmou para escanteio. Na cobrança, Kanu subiu mais uma vez livre e cabeceou no canto. Jean fez outra defesaça.