E. C. Vitória

'Jogar o BaVi assim é complicado', diz Neto Baiano após derrota na Copa do Nordeste

Rubro-negro decepcionou o torcedor mais uma vez e perdeu para o Botafogo-PB por 3 a 1, no Barradão

Gabriel Lopes (gabriel.freitas@redebahia.com.br)

O público que foi ao Barradão na noite da última quinta-feira (7) saiu frustrado com mais uma atuação apática do Vitória. Pouco mais de 2.030 torcedores, apenas 139 pagantes, presenciaram a derrota do Leão para o Botafogo-PB, por 3 a 1, pela Copa do Nordeste. A partida de ontem aumentou a pressão que o clube enfrenta dentro e fora de campo no início da temporada 2019. O rubro-negro ainda não venceu na competição regional (quatro empates e uma derrota) e ocupa a quinta posição do grupo A.

Leão foi derrotado por 3 a 1. (Foto: Maurícia da Matta / ECVitória)

Depois do apito final, o atacante Neto Baiano falou sobre o resultado e o futebol apresentado pelo time comandado por Marcelo Chamusca.

"Não tem o que falar. Desculpa, não posso. Eu, como gosto desse clube, se falar, falo como torcedor. É difícil dar qualquer palavra. Complicado. É trabalhar, porque tem o Ba-Vi, não pode acontecer isso. A gente não tem que botar a culpa na diretoria, é do jogador. Não é só técnico. A gente tem que jogar em campo. Técnico só escala. A diretoria só contrata. Tem que ser cobrado, não só a diretoria. Tem que cobrar os jogadores, como aqui sempre foi. Não pode ser diferente. Não a diretoria. Os jogadores têm culpa", disse o jogador.

O veterano também aproveitou para pedir desculpas ao torcedor do Leão. "Não posso aqui, como jogador mais experiente, botar a responsabilidade na equipe. A gente tem que trabalhar. Quero, como líder, pedir desculpa à torcida. Tem que pedir desculpa. Estou envergonhado. Não pode acontecer isso. Tem que correr mais. Porque jogar o Ba-Vi assim é complicado", finalizou.

Eleições antecipadas
Algumas horas após a derrota pelo Nordestão, o vice-presidente do clube, Chico Salles, afirmou que vai buscar um acordo para antecipar as eleições presidenciais do Vitória. O mandato dele e do presidente Ricardo David vai até dezembro deste ano.

"Um processo, tentativa de antecipação geral. Precisamos procurar fazer um processo de transição de forma negociada. Mais uma renúncia, pura e exclusiva do presidente do Conselho Diretor e do vice, você torna o clube mais instável. Havendo renúncia agora, haverá eleição para completar esse mandato. O que estamos defendendo é fazer algo diferente, pacificado. Estamos conversando com todos os grupos de oposição para tentar antecipar as eleições ouvindo o clamor da torcida. Só que isso de forma pacífica, para dar tempo para as chapas se formarem ", disse Chico.

Marcelo Chamusca diz que fica
Com mais um resultado negativo, a permanência do treinador Marcelo Chamusca também foi colocada em xeque. Ele se reuniu com o diretor de futebol, Alarcon Pacheco, e com o vice-presidente, Chico Salles, após o jogo. Em seguida, Chamusca foi para a sala de imprensa e afirmou que continua no rubro-negro baiano.

"Se tivesse acontecido alguma conversa (sobre a saída), eu não estaria conversando aqui sobre o jogo. A gente conversou sobre a situação. Em relação ao Chico, não foi conversado nada. Está todo mundo desequilibrado emocionalmente. É muito triste jogar, e nós jogamos, não nos omitimos, e ter um resultado desse. Na parte tática, a equipe apresentou uma melhor posição que o adversário. Conseguimos encurralar, mas faltou acabamento para sair na frente para mudar o contexto emocional. Agora, nesse momento, a gente continua o trabalho com a mesma firmeza e pensamento. A gente vai recuperar emocionalmente para amanhã recomeçar. É o que temos para falar nesse momento", disse o comandante.

O Vitória não vence uma partida desde o dia seis de fevereiro e o clima nos bastidores é turbulento. O time agora foca suas atenções no Campeonato Baiano e enfrenta o maior rival, Bahia, no próximo domingo (10), às 16h, na Fonte Nova. Sobre o confronto, Chamusca diz que o maior desafio será trabalhar a parte emocional do elenco.

"Não depende só de nós. O entorno acaba interferindo nesse resgaste, nessa reversão. Seria interessante que a gente tivesse o controle da porta para fora, mas isso não existe. O trabalho maior é da comissão técnica para reverter o emocional, recuperar os jogadores em todos os aspectos, principalmente o físico. Não tem tempo para treinar, e só no sábado é quando estarão na melhor condição. É analisar com calma, recuperar e preparar para o jogo. A importância e a grandeza do jogo nos dá a oportunidade de mudar a história", disse.