E. C. Vitória

Leão fica à frente do Bahia pela primeira vez neste Brasileirão

Se hoje o Vitória enxerga o Bahia pelo retrovisor, o motivo é a campanha do time no returno

Fernanda Varela, do Correio 24h

“Daqui do alto, eu te vejo, eu te vejo...”. Demorou, mas os rubro-negros finalmente puderam tirar onda com os tricolores neste Brasileirão. Foram 26 rodadas de espera, precisamente 141 dias, para que o Vitória ficasse à frente do Bahia na tabela. Ao fim da rodada, que foi encerrada ontem com confronto entre Ponte Preta e Flamengo, o Leão chegou a sua melhor posição nesta Série A, 11ª, enquanto o Esquadrão ficou em 13º. O Leão venceu o Botafogo por 3x2, fora de casa, enquanto o tricolor empatou em 1x1 com o Coritiba, na Fonte Nova.

Rubro-negro recebeu dois dias de folga de presente após vencer o Botafogo (Foto: Maurícia da Matta/EC Vitória)

O caminho até aqui foi árduo. Das 26 rodadas, o Vitória ficou em 20 na zona de rebaixamento e seis fora dela. A posição mais frequentada pelo time vermelho e preto foi a 18ª, onde esteve por nove vezes, seguido da vice-lanterna, em sete oportunidades.

A vida do Bahia tem sido um pouco mais tranquila no atual Campeonato Brasileiro. O time teve breve passagem pela zona de rebaixamento, em apenas uma rodada, a 10ª, quando chegou a sua pior posição (17º), e seguiu sem a corda no pescoço no restante dos jogos. A colocação mais ocupada pelo tricolor até aqui foi a 13ª, onde esteve cinco vezes, seguida pelos 15º e 16º lugares, posições que ocupou por quatro rodadas cada.

Se hoje o Vitória enxerga o Bahia pelo retrovisor, o motivo é a campanha do time no returno. No primeiro turno, o Leão terminou em 18º, com uma campanha ruim. Dos 19 jogos que disputou, somou 19 pontos. Venceu cinco jogos, empatou quatro e perdeu 10, 33,3% de aproveitamento.

O jogo virou. Hoje, o Leão deu um salto e faz, até aqui, a 3ª melhor campanha do segundo turno, atrás apenas de Botafogo e Cruzeiro. Em sete partidas, conquistou 13 pontos, com quatro triunfos, um empate e apenas duas derrotas – aproveitamento de 61,9%.

Já o Bahia fez o caminho inverso. Chegou a liderar após a primeira rodada e terminou o primeiro turno em 13º, com 23 pontos, divididos em seis triunfos, cinco empates e oito derrotas – 40,35% de aproveitamento. No returno, porém, o time ainda não reencontrou o bom futebol e conquistou apenas oito pontos em sete rodadas. Só conseguiu vencer dois jogos, empatou dois e perdeu três, o que equivale a 38,1% de aproveitamento.

Reação com Mancini

Claro, os pontos conquistados devem ser atribuídos ao time, sobretudo àqueles que balançam as redes e fecham o gol. Porém, no caso do Vitória, um dos grandes responsáveis pela reação é o técnico Vagner Mancini. Os números não mentem – nem os atletas, que repetem incansavelmente que o mérito é do treinador, que deu a famosa “moral ao grupo”.

Observem: antes de Mancini assumir o comando do Vitória, a equipe tinha disputado 16 rodadas e somado apenas 12 pontos de 48 possíveis. Em 10 jogos, Mancini já chegou a 20. Ou seja, com ele, o Leão conquistou 62,5% dos pontos que tem no Brasileirão.

O que mais surpreende nisso tudo é a confiança que o elenco adquiriu quando joga fora de casa. Não à toa, dos 32 pontos que tem, 23 foram conquistados longe de Salvador (72%), o que dá ao Leão a alcunha de segundo visitante mais incômodo do torneio, com campanha inferior apenas à do líder Corinthians.

Para se manter em ascensão, no entanto, é preciso que Mancini consiga resolver o maior mistério deste Brasileirão para o Leão: por que o time não vence em casa? A pergunta ainda é uma incógnita. 

Tradicionalmente forte no Barradão, a equipe vermelha e preta tem a pior campanha como mandante na competição. Para se ter uma noção, dos 39 pontos disputados diante do torcedor, apenas nove foram conquistados - aproveitamento de 23%. O Vitória só conseguiu vencer Atlético Mineiro e Ponte Preta em casa, empatou oito e sofreu 13 derrotas.