E. C. Vitória

No olho do furacão: queda precoce no Baiano agrava crise no Vitória; entenda

Além do vexame no estadual, Rubro-negro também foi eliminado na Copa do Brasil

Gabriel Lopes (gabriel.freitas@redebahia.com.br)

O rebaixamento para a Série B e a redução drástica na previsão de orçamento, de R$ 102 milhões para R$ 45 milhões, eram sinais de que a torcida do Vitória teria um 2019 difícil. Mas nem o torcedor mais pessimista imaginaria que o início do ano seria regado a eliminações e crise política na Toca do Leão.

Em 2019, o time foi eliminado logo na primeira fase da Copa do Brasil, quando perdeu por 2 a 0 para o Moto Club, no Maranhão. Com a derrota, a esperança de conseguir arrecadar para aliviar as finanças também foi embora. O Vitória saiu da competição com apenas R$ 525 mil no bolso e deixou de faturar R$ 625 mil. Atualmente, a Copa do Brasil é a competição mais rentável do futebol brasileiro.

No Campeonato Baiano, mais um golpe. O Leão entrou em campo no último domingo (17) e dependia apenas das próprias forças para chegar na semifinal. No Barradão, perdeu para o Fluminense de Feira por 2 a 0 e disse adeus ao estadual. A equipe terminou a fase de grupos na quinta posição com 13 pontos ganhos.

(Foto: Maurícia da Matta / ECVitória)

O revés para o Flu de Feira derrubou o treinador Marcelo Chamusca, que foi demitido pelo clube na tarde de ontem (18). Ele deixou o comando do Vitória com 14 jogos e apenas três triunfos. O time também empatou sete vezes e perdeu quatro.

Em entrevista coletiva após o jogo do Baianão, Chamusca afirmou que o clima na Toca estava carregado.  "Meu estado emocional agora, e de tudo que vem acontecendo... Sem conseguir vencer, tenha certeza que essa estatística que estou vivendo no Vitória é muito triste e me traz um desgaste emocional. Um quadro como esse é quase surreal. A atmosfera é muito negativa, carregada. É muito difícil vivenciar um momento como esse", disse.

Marcelo Chamusca deixa o comando do Vitória. (Foto: Maurícia da Matta / ECVitória)

Na tarde desta terça-feira (19), Claudio Tencati, de 45 anos, foi anunciado para o lugar de Chamusca. O profissional chega com contrato até o fim da Série B de 2019.

Na sequência da temporada, o Vitória ainda joga pela Copa do Nordeste, antes do início da Série B. E a perspectiva também não é boa. Após seis jogos pelo regional, o Rubro-negro ainda não venceu. São cinco empates e uma derrota. Resultados que colocam o time fora da zona de classificação para a fase de mata-mata do Nordestão.

Mas não para por aí. O torcedor do Vitória precisa fazer força para lembrar o último triunfo do time. Foi no dia 6 de fevereiro, quando goleou o Jequié por 4 a 0, no Barradão, pelo Campeonato Baiano. De lá para cá, foram cinco empates e quatro derrotas. Dentro do pacote negativo, a equipe também soma três derrotas seguidas em seus domínios, no estádio Manoel Barradas.

Com o aproveitamento ruim, conversas sobre novas eleições se iniciaram na Toca do Leão. O Conselho Deliberativo decidiu convocar uma assembleia geral com os sócios para definir uma possível antecipação das eleições de setembro para maio, terminando de forma antecipada a gestão do presidente Ricardo David. A assembleia deve acontecer no dia 31 deste mês.

Crise além das quatro linhas
A situação turbulenta do Vitória não se resume ao momento de 2019. Pelo contrário, o trabalho feito esse ano dá continuidade a uma sequência de confusões que o clube enfrentou durante a gestão do presidente Ricardo David, mandatário Rubro-negro desde o dia 14 de dezembro de 2017.

Presidente Ricardo David ainda não fez pronunciamento sobre a situação do clube. (Foto: Maurícia da Matta / ECVitória)

Como não lembrar do BaVi do início de 2018? No Barradão, o clássico pelo Campeonato Baiano terminou com cenas lamentáveis, agressões em campo e expulsão de atletas dos dois times. Após a primeira confusão, Bruno Bispo forçou a expulsão para a partida terminar e o Bahia saiu vencedor pelo regulamento, 3 a 0.

O resultado foi a punição de cinco jogadores titulares, pelo STJD, e a derrota na final do Campeonato Baiano em casa para o maior rival, o Bahia.

O ano do Vitória continuou conturbado. Pouco mais de um mês depois de perder o Baiano, o Leão se despediu da Copa do Nordeste, ainda nas quartas de final, contra o Sampaio Corrêa.

Pela Série A de 2018, mais sofrimento. O time perdeu 19 jogos com direito a goleadas expressivas, para Grêmio e Athletico-PR (4 a 0), e para o Bahia (4 a 1). O Rubro-negro baiano terminou a temporada com 97 gols sofridos (63 apenas na Série A). O ano ruim foi coroado com o rebaixamento para a Segunda Divisão.

Agora resta ao Vitória juntar os cacos e recomeçar o trabalho com o novo treinador. O primeiro semestre do clube já foi praticamente embora, mas a Série B está batendo na porta.