E. C. Vitória

O que leva um austríaco a torcer pelo Vitória? Ele mesmo explica

Conheça a história do professor Wolfgang Theis, rubro-negro desde 2001, mesmo morando no Brasil só há dois anos

Daniela Leone, do Correio 24 horas (daniela.leone@redebahia.com.br)

O futebol europeu é o mais badalado da atualidade, mas Wolfgang Theis se apaixonou mesmo pelo esporte ao ver um time baiano em campo. O austríaco, 44 anos, é colecionador de uniformes de clubes e teve o primeiro contato com o Vitória em 2001, quando ganhou o manto rubro-negro de presente de um amigo paulista. “Gostei muito da camisa e até hoje é uma das minhas favoritas”, conta o professor de inglês.

O austríaco Wolfgang Theis em visita ao Barradão na semana passada (Daniela Leone / CORREIO)

Encantado com o vermelho e o preto, Wolfgang começou a pesquisar sobre o Leão. “O Vitória foi fundado em 1899, o mesmo ano de fundação do meu time favorito da Áustria, o Rapid Wien”, informa.

Um ano depois, ele conheceu a atual esposa pela internet. Os quase 10 mil quilômetros que separam os dois países não ajudavam, mas, para alegria do gringo, a funcionária pública baiana Tatiana Dias é torcedora do Vitória. Os conhecimentos do austríaco sobre o clube do coração dela o ajudaram a puxar assunto e, posteriormente, a conquistá-la.

Em 2016, Wolfgang e Tatiana decidiram se casar e ele se mudou do país europeu para a casa dela, em Brasília, onde moram até hoje. Na capital federal, o estrangeiro se juntou à torcida Vitória Candango, grupo formado por rubro-negros residentes no Distrito Federal que se reúnem nos dias de jogo do Leão. E logo no primeiro jogo que assistiu pela televisão com a galera, derrota por 1x0 para o Flamengo de Guanambi, pelo Campeonato Baiano de 2016.

Se ele ficou chateado com o resultado? Que nada. “Eu vi a paixão e o sofrimento dos torcedores e vi que ali era futebol verdadeiro”. Naquele momento, ele se apaixonou de vez pelo Vitória. “Sou Vitória de coração”, orgulha-se Wolfgang, que na semana passada visitou a Toca do Leão e assistiu ao treino.

Sempre que vem a Salvador com a esposa, o austríaco curte o Vitória da arquibancada. Já perdeu as contas de quantas vezes foi ao Barradão, mas lembra bem do que sentiu no ano passado ao ver pela televisão o sufoco que o rubro-negro passou para permanecer na Série A, contra o Flamengo, na última rodada do Brasileiro. “Os sete segundos na segunda divisão foram um sofrimento muito grande”, conta, lembrando do gol da Chapecoense sobre o Coritiba, nos acréscimos, logo depois do Vitória sofrer o segundo na derrota de 2x1 em casa. Aquele gol da Chape salvou o time baiano e rebaixou o paranaense. 

Este ano, Wolfgang espera não ter o coração tão castigado. “Vi o primeiro triunfo contra o Globo (2x1 pela Copa do Nordeste) e espero que a gente não sofra tanto como no ano passado. Sei que o sofrimento vai chegar com certeza, mas espero que este ano a gente fique no meio da tabela”, vislumbra.