Empregos

Mesmo com maior grau de escolaridade, mulheres ganham menos que homens

Entender o mercado de trabalho inclui enxergar os números por trás dos números e reconhecer que existem pontos críticos

Redação Catho


Redação Catho


Entender o mercado de trabalho não é apenas saber sobre tendências de cargos, áreas e salários. Tampouco sobre índices de desemprego. Entender o mercado de trabalho inclui enxergar os números por trás dos números e reconhecer que existem pontos críticos; recortes que comprovam a dissimetria entre determinados grupos de pessoas. Entre eles, as mulheres no mercado de trabalho.

Compreendendo suas deficiências, é possível saber onde “atacar” para alcançarmos um mercado de trabalho mais humano e igualitário; engajar companhias e acelerar os movimentos em direção ao “mercado sonho de consumo”. Afinal, a mudança efetiva só ocorrerá quando o senso coletivo entender que esses números não são apenas números, e sim pessoas. Pessoas reais, com dores e necessidades atreladas ao mercado de trabalho.

No caso das mulheres, mesmo com os avanços e conquistas dos últimos anos, ainda são notáveis as desigualdades entre os gêneros. Considerando que a qualificação profissional é um dos principais fatores para o crescimento de uma carreira e, consequentemente, para promoção de salários e demais benefícios, o fato das mulheres (30%) possuírem maior grau de escolaridade no nível superior e pós-graduação em relação aos homens (24%), e, ainda assim, os homens ganharem até 52% a mais que mulheres exercendo uma mesma função, deixa evidente o descompasso significativo. Os dados são da Pesquisa Profissionais da Catho.

Mas como um mercado desigual não se resume apenas a uma única questão, ainda há outros dados que reforçam a necessidade da quebra de barreiras: a presença das mulheres em cargos de alta hierarquia também são inferiores em relação aos homens. Apenas 27% dos cargos elevados são ocupados por mulheres e, para elas, a remuneração pode ser 39% menor. As posições com maior desproporção são encontradas nos cargos de profissional especialista e graduado com 52% e profissional especialista técnico com 47%.

Foto: Reprodução

Mesmo nas posições que têm maior ocupação de profissionais mulheres, ainda é observada a desigualdade salarial.  Elas ocupam 66% dos cargos de assistente e/ou auxiliar, onde a diferença salarial é de 8%. Na função de analista, elas ocupam 53% e chegam a receber 14% a menos que os homens.

Além de todo o contexto histórico que, ao atribuir exclusivamente as atividades domésticas às mulheres e restringir seu acesso à educação e à ambientes construtivos intelectualmente, impediu a entrada delas no mercado de trabalho durante muito tempo, as mulheres ainda são preteridas nos dias de hoje, mesmo com as mudanças sociais que vivemos. A maternidade – ou o preconceito com ela – pode ser um dos principais fatores que impulsionam essas estatísticas desiguais. Ainda há um estigma por parte das corporações de que não é possível um equilíbrio entre as tarefas profissionais e maternais, o que resulta na resistência de contratação delas para determinados cargos. No entanto, de fato ainda há uma maior responsabilização social para as mães quando o assunto é criação e educação dos filhos, impelindo outra desvantagem para as mulheres: a necessidade de despriorizar a carreira.

Segundo a Pesquisa Profissionais, 30% das mulheres deixam o mercado de trabalho para cuidar dos filhos. Entre os homens esse número é de 7%. A Tabitha Laurino, gerente na Catho e mãe, discorreu sobre o assunto: “A relação entre ser mulher e o mercado profissional é cercada por obstáculos ainda maiores após a maternidade. Se ter que escolher sair do trabalho para cuidar dos filhos é difícil, o retorno é ainda mais complicado. O status ‘mãe’ além de gerar preconceitos durante o processo de entrevista, também torna a recolocação profissional mais tardia, devido ao período de afastamento”.