Empregos

Trabalho temporário: mais de 565 mil vagas devem ser criadas no país, prevê associação

Devido às datas comemorativas do período, a geração de vagas por meio do trabalho temporário deve crescer cerca de 20%

Pollyanna Brêtas - Agência O Globo

O avanço da vacinação contra a Covid-19 e a flexibilização das medidas de restrição de circulação estão animando os setores produtivos e de contratação para o fim do ano. A entidade aponta que nos meses de outubro, novembro e dezembro devem ser disponibilizadas mais de 565 mil vagas temporárias, diante das 471.300 vagas de 2020.

Devido às datas comemorativas do período como Dia das Crianças, Black Friday e Natal, a geração de vagas formais por meio do trabalho temporário deve crescer cerca de 20% com relação ao mesmo período do ano passado, segundo previsão da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem). As vagas devem começar a ser oferecidas no mês que vem. 

Para o presidente da entidade, Marcos Abreu, o trabalho temporário é uma modalidade de contratação que garante chances reais de efetivação para os trabalhadores. – Temos observado que as empresas acabam efetivando esses profissionais. Tanto que a taxa de efetivação de temporários segue em 22%, um número expressivo – explica.

Previsão otimista
Segundo a Asserttem, 60% das contratações temporárias deste último trimestre serão impulsionadas pela indústria, seguido de 25% do setor de serviços e 15% pelo comércio.– Apesar da reabertura, o Comércio segue cauteloso com relação às contratações. Porém, ainda há uma oportunidade de alta, visto que o setor que está desabastecido de trabalhadores devido à pandemia. Acreditamos que o ano se encerre com destaque para o setor de serviços, principalmente no que se refere aos Serviços Pessoais, como hotéis, empresas de aviação, salões de beleza, clínicas médicas, que estão contratando e devem efetivar grande parte destes temporários – frisa Abreu.

João Gomes, diretor do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), avalia que o retorno às atividades deve estimular as novas contratações:

– Chegamos no fim do ano com um cenário melhor para o segundo semestre. Estamos vendo um arrefecimento da informalidade, e vendo investimento chegando com grandes varejistas – observa Gomes.

Setores em recuperação

Para o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), os próximos meses serão de recuperação da atividade, o que pode se traduzir em geração de postos de trabalho. No setor, segundo a entidade, o Rio de Janeiro foi o estado mais afetado pela pandemia no que diz respeito à perda de postos de trabalho. Porém o saldo passou a ser positivo em maio de 2021. No acumulado de julho de 2020 a julho de 2021 o Rio de Janeiro criou 7.076 novos postos de trabalho, sendo 1.983 no mês de julho. O SindRio avalia que o ritmo de crescimento deve se manter até o carnaval.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) elevou a projeção para crescimento do estado, após os resultados do segundo trimestre. O setor de serviços apresentou crescimento no segundo trimestre de 2021 frente ao mesmo trimestre do ano anterior (+11,1%), sugerindo uma aceleração no processo de retomada. Com aceleração do ritmo de vacinação doestado, aumento da mobilidade e a nova rodada de auxílio emergencial, a projeção de crescimento da atividade econômica do estado foi revisada de 3,8% para 4,2%. 

Na indústria, o segmento da construção civil deve apresentar a maior taxa de crescimento econômico do estado em 2022 (+4,6%). Com o reaquecimento da economia fluminense há um movimento de retorno de empreendimentos imobiliários, e geração de emprego e renda, avalia a analista de Estudo Econômicos da Firjan, Janine Pessanha:

– A retomada do mercado de trabalho demora mais a responder. Teremos um desempenho. Haverá uma recuperação no mercado de trabalho, mas mais lenta do que comparação com mercado – afirma. 

No segmento de buffets e eventos, as sócias do buffet Marias e Amélias estão otimistas que o setor volte a se aquecer. Mesmo com a economia instável, elas celebram por estar com a agenda de 2022 e início de 2023 cheias, o que pode estimular novas contratações no futuro. 

– Enquanto a pandemia não tem fim, seguimos buscando formas personalizadas, para atender cada caso, com segurança – comenta Silvia Guinim. 

Nos shoppings, os resultados positivos no início do segundo semestre deve impulsionar as contratações: 

– Os resultados que temos conquistado ao longo do ano, em comparação ao ano anterior, nos deixam mais positivos quanto a este último trimestre. A abertura de novas lojas, diminuição da vacância e crescimento de fluxo de clientes têm superado nossas expectativas e nos deixado confiantes frente a datas importantes para o setor, como Dia das Crianças e Natal pela abertura de vagas de empregos– pontua Márcio Araújo, diretor de Portfólio da Argo, que opera o Américas Shopping e no West Shopping.