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Veja dicas para ingressar no mercado de trabalho e como fazer o primeiro currículo

A taxa de desocupação entre os jovens de 18 a 24 anos chegou a 31% no primeiro trimestre do ano, segundo IBGE

Agência O Globo

A taxa de desocupação entre os jovens de 18 a 24 anos chegou a 31% no primeiro trimestre do ano, índice superior à média nacional de 14,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as pessoas desocupadas, este grupo etário representa 29%. A crise é geral na pandemia, e as dificuldades pesam muito para quem está ingressando no mercado de trabalho. Por isso, o EXTRA traz dicas de como se preparar para o desafio e elaborar um currículo que se destaque.


— Muitas empresas que estão no modelo home office descontinuaram as contratações nas frentes de aprendizagem e estágio, por não terem políticas e processos estabelecidos para apoiar jovens no início via trabalho remoto, ou até por haver uma necessidade de trabalho presencial, já que muitas atividades são operacionais. Já quando olhamos para posições CLTs (empregos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, ou seja, com carteira assinada), sempre houve uma escassez para cargos de entrada, exceto para carreiras mais operacionais. Mas ainda há uma exigência prévia de determinados conhecimentos que são obtidos na prática laboral presencial. É um fato de grande impacto para a não contratação dos candidatos ao primeiro emprego — diz Alini Dal’Magro, CEO do Instituto PROA, organização sem fins lucrativos que apoia jovens dando os primeiros passos na carreira.

Segundo ela, no entanto, essa visão começa a mudar:

— Felizmente aos poucos, as empresas estão contratando jovens em posições de entrada remotamente e investindo em treinamentos.

Os problemas, porém, não acabam com a escassez de vaga e a alta concorrência. Os candidatos aos postos costumam reclamar das exigências feitas pelas empresas.

— Mesmo para cargos iniciantes, como jovem aprendiz e estágio, empresas pedem cursos e qualificações na área escolhida, uma espécie de pressuposto que o jovem deve ter antes de entrar — diz Rafaela Santos, professora de Marketing e Gestão de Recursos Humanos da Universidade Cândido Mendes.

Além disso, Rafaela explica, as competências socioemocionais são observadas:

— Quando a empresa não pede experiência anterior, costuma analisar as ‘soft skills’, como a capacidade de adaptação, a história de vida do candidato, sua visão de mundo, sua expectativa com a carreira e os valores que ele pode compartilhar.

Como saber o que é importante

Entram na lista de requisitos comuns conhecimentos relacionados a informática, principalmente Excel, além de boa capacidade de redação para uma comunicação digital assertiva e clara. Há também especificidades relacionadas a determinadas áreas. Nas posições de finanças, perfis analíticos são mais valorizados, assim como perfis mais expansivos e comunicativos se encaixam melhor na área comercial.

Para descobrir como se preparar para conseguir o primeiro emprego, Rafaela Santos dá a dica: ficar atento ao que é exigido para a função almejada. Neste sentido, vale conversar com colegas em níveis mais avançados na faculdade, além de professores ou trabalhadores das empresas do ramo. As redes sociais profissionais podem auxiliar neste contato, mas é importante ter a medida do bom senso para não importunar a outra pessoa, que pode ser uma contratante no futuro.

— A palavra-chave é pesquisar, para entender a área para a qual vai se candidatar, entender os conhecimentos que podem ser exigidos pelas empresas e, dentro da possibilidade de cada um, adquirir isso antes das inscrições nos processos seletivos. Nem sempre é preciso investir numa certificação caríssima, mas há conhecimentos básicos que podem auxiliar no cargo que o jovem almeja — aponta.

Como elaborar o primeiro currículo

Como então elaborar um currículo para tentar uma primeira vaga de emprego? Alini Dal’Magro dá o passo a passo:

— Um bom currículo contém: dados pessoais; objetivo profissional; outros idiomas, se houver, e nível de proficiência, trajetória escolar; cursos complementares; e informações adicionais — diz a especialista, explicando o que pode aparecer neste último campo: — Inclua ações sociais e projetos conduzidos na comunidade ou no ambiente escolar, seja em voluntariado, grupos de jovens ou trabalhos informais com pais e familiares.

Rafaela Santos complementa ainda que mentir nunca é o caminho:

— O currículo deve ser objetivo e verdadeiro. Pode destacar habilidades pessoais, como boa comunicação e facilidade de adaptação, e até competências trabalhadas em cargos voluntários. Por exemplo: uma pessoa trabalhou com vendas, mas quer se candidatar a um cargo de ciências contábeis. Ela pode destacar habilidade de cumprimento de metas, engajamento com equipe, ambição e foco.