Música

15 álbuns lançados ao longo do mês de março que você deve ouvir

Depois do carnaval, é hora de ouvir um pouco de rock, pop e jazz

Agência, O Globo

Silenciam os tambores e as fanfarras, mas a sede de música não é aplacada por nada. Momento de voltar ao streaming para saber o que andou acontecendo no mundo durante a folia e de se programar para os lançamentos do rock, do pop e do jazz de março (e alguns dos mais aguardados estão no fim do mês).

O cardápio é farto, a começar pelo novo álbum que os ingleses do Foals vêm mostrar mês que vem no Lollapalooza , lançado no dia 8. Mas tem também as inéditas de uma atração do Rock in Rio, o neo soul da irmã da Beyoncé, os álbuns de estreia de jovens cantoras-revelação, o novo de uma musa melancólica da canção, metal para lá de pesado e o disco perdido de uma grande estrela da música negra americana.

Lançados em 1/3

Solange — “When I get home”
Depois da consagração com "A seat at the table" (2016), a cantora investe num álbum ainda mais refinado. Se Beyoncé ainda tem compromissos sérios com o grande público, a mana Solange pode se inspirar na liberdade de uma Erykah Badu e levar o r&b a um patamar de qualidade e sentimento que lembra o de grandes cantoras dos anos 1970 como Minnie Ripperton.

                                   

Weezer — “Black album”
Poucos dias depois de lançar de surpresa um polêmico disco de covers , a banda americana ( que volta ao Brasil este ano no Rock in Rio ) chega com seu 13º álbum. Longe dos tempos em que surgiu com um dos grandes nomes do rock alternativo pós-Nirvana, o grupo do cantor e guitarrista Rivers Cuomo segue flertando abertamente com o pop moderno em canções que contaminam os ouvidos, como "Zombie bastards", "Can't knock the hustle" e "Living in L.A.".

Branford Marsalis Quartet — “The secret between the shadow and the soul”
Responsáveis por um dos melhores shows vistos no Brasil em 2018 , o saxofonista americano e seu quarteto cumprem a promessa feita pelo líder em entrevista ao GLOBO e lançam mais uma de suas explorações profundas pelo jazz. Do mais incendiário ao puramente introspectivo, o disco viaja por temas dos músicos do quarteto e um do pianista e monstro musical Keith Jarrett ("The windup").

Lançados em 8/3

Stella Donnely — “Beware of the dogs”
Com canções que atacam a misoginia e a cultura do estupro, lançadas em 2018 em um EP, a cantora e compositora australiana de 26 anos conseguiu chamar a atenção para o seu pop inteligente e melódico. Em seu álbum de estreia, Stella não decepciona: além das já conhecidas "Mechanical bulls" e "Boys will be boys", ela traz as lapidares "Tricks" e "Lunch", músicas que fazem dela uma das boas apostas do ano.

Dido — “Still on my mind”
Sucesso mundial em 2001 com a canção "Thank you", a cantora inglesa de 47 anos volta à cena fazendo o que de melhor sabe: condensar melancolia em canções vestidas com luxo pelas eletrônicas do irmão Rollo Armstrong (do grupo Faithless).  Enquanto "Hurricanes" lembra o seu passado, "Still on my mind" e "Friends" indicam novas possibilidades.

                                     

Gesaffelstein — “Hyperion”
Colaborador de Kanye West no álbum "Yeezus" (2013), o produtor francês Mike Lévy ganhou o seu lugar no cenário pela forma criativa com que transitou pelos recantos mais tenebrosos da música eletrônica. Em seu segundo álbum solo, ele mantém a sua boa mão para a a estranheza, mas consegue soar perfeitamente acessível em colaborações com The Weeknd ("Lost in the fire"), Pharrell Williams ("Blast off") e as irmãs Haim ("So bad").

A sair em 15/3

Snarky Puppy — “Immigrance”
Depois de "Culcha vulcha" (de 2016, apresentado em show no Rio de Janeiro ), o coletivo do baixista Michael League volta à carga com um álbum em que incorpora ao seu jazz as influências da música dos vários cantos do mundo. Os toques afrobeat do single "Xavi" dão uma ideia do que vem por aí.

Karen O e Danger Mouse — “Lux Prima”
 Onze anos após o primeiro contato, a vocalista dos revivalistas punks Yeah Yeah Yeahs e o integrante do Gnarls Barkley e produtor de discos de U2 e Red Hot Chili Peppers enfim terminaram seu disco em colaboração. A se julgar por "Woman", o encontro deu liga.

Besta — “Eterno rancor”
Potência do metal extremo de Portugal, o grupo estreia pela gravadora alemã Lifeforce Records com um furioso álbum, do qual já divulgou faixas como "Ofício da mentira".



A sair em 22/3

Mötley Crüe  – "The Dirt soundtrack"
O filme da Netflix que se propõe a lembrar todo o ultraje, o sexo, as drogas e o rock da história do grupo americano de hard rock animou os músicos a gravarem quatro músicas inéditas, que estarão no álbum com a trilha (a ser lançada no mesmo dia da estreia do programa). Uma delas, "The Dirt (est. 1981)" já pode ser vista no YouTube.

Christian Scott aTunde Adjuah — “Ancestral recall”
Um dos mais reconhecidos músicos do novo jazz, o trompetista americano parte para o seu álbum mais ambicioso, no qual tenta, em suas palavras, vislumbrar uma música "na sinergia entre os ritmos da África Ocidental, da Diáspora Africana e do Caribe e seu casamento com modelos rítmicos encontrados no trap, no rock alternativo e em outras formas modernas".

Robin Trower — “Coming closer to day”
Aos 73 anos, o guitarrista inglês que passou pelos bons tempos do Procol Harum (do hit "A whiter shade of pale") e depois produziu e tocou em discos de Bryan Ferry volta ao disco solo em grande forma. Bluesman de mão cheia (aliás, um dos grandes ainda em atividade), ele reafirma sua categoria em faixas como "Tide of confusion".

A sair em 29/3

Billie Eilish — “When we all fall asleep, where do we go?”
 Segundo o "New Musical Express", ela é a adolescente mais comentada do mundo. Aos 17 anos, a americana tem sido notada desde 2016, com sua combinação de poder pop, sensibilidade gótica e afinidade com o hip hop. Depois do sucesso viral de "Ocean eyes" e do impacto dos singles "Lovely" (com Khalid) e "Bury a friend", a garota cheia de atitude, com pinta de nova Lorde, enfim estreia em álbum. Pode ser o nome que todo mundo vai falar em 2019.

Lana Del Rey — “Norman Fucking Rockwell”
A rainha da melancolia volta com seu primeiro álbum desde "Lust for life", de 2017. Produzido por Jack Antonoff (de discos de Taylor Swift, Lorde e St Vincent), o disco homenageia o grande ilustrador do homem comum americano Norman Rockwell (1894-1978). E não foge o que se pode esperar de Lana, como se pode ouvir em "Happiness is a butterfly", que ela antecipou no Instagram.



Marvin Gaye — “You’re the man”
Gravado em 1972, este álbum seria o sucessor da obra-prima "What's going on", destinado a levar adiante a contestação política daquele disco. Mas após o lançamento da faixa-título em single, o cantor resolveu arquivar o projeto por divergências com a gravadora Motown. Só agora, a alguns dias do que seria seu aniversário de 80 anos, o álbum desse mito da soul music verá a luz do dia em sua completude, com um remix da música "My chance" feito pelo produtor Salaam Remi.