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‘A Vida e a História de Madam C.J. Walker’ é deliciosamente inspiradora

Minissérie da Netflix tem Octavia Spencer no papel principal

Heyder Mustafá* ((heyder.mustafa@redebahia.com.br))
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Se hoje, em pleno século XXI, as mulheres encontram uma série de obstáculos para mostrar seu potencial em ambientes historicamente dominados por homens, imagine o cenário há exatamente 100 anos. Quais as chances de uma mulher, negra, filha de escravos deixar de ganhar pouco mais de um dólar por trouxa de roupa lavada para se tornar a primeira milionária dos Estados Unidos? Indo de encontro a todas as previsões, Sarah Breedlove juntou confiança, coragem e uma pitada de sorte para se tornar Madam C.J. Walker e deixar um legado que permanece até hoje.

A história dessa lavadeira que se tornou uma das mais reconhecidas empreendedoras, filantropas e ativistas do começo do século passado é contada em quatro episódios da nova minissérie da Netflix, ‘A Vida e a História de Madam C.J. Walker’, protagonizada pela sempre excepcional Octavia Spencer. O texto rápido mostra de maneira superficial as dificuldades enfrentadas pela personagem principal. Dentro de casa, envolvida num relacionamento abusivo e trabalhando exaustivamente para criar a única filha. Fora das quatro paredes, lutando contra o mundo preconceituoso e uma inimiga em especial, que tentava a todo custo minar seus negócios.

Não há como negar que a minissérie é rasa, peca por destacar a competitividade de Madam C.J. Walker com sua oponente ao invés de mostrar com mais ênfase os outros desafios enfrentados para que todos os seus planos saíssem do papel e se tornassem reais. Ainda assim, a produção é muito boa, com excelentes atuações, fotografia, figurino e uma história que, por si só, merece ser conhecida. A minissérie é baseada em um livro escrito pela tataraneta da protagonista e eficiente ao contar a história da mulher que construiu um império e se tornou, de acordo com o Guinness Book, a primeira negra milionária dos Estados Unidos.

A personagem principal merecia mais? Não resta dúvida que sim! Madam C.J. Walker não só ficou rica, mas inspirou mulheres e deu a elas, além de mais autoestima, a independência em tempos extremamente difíceis. Em meio a um histórico de descriminação e subserviência, conhecer a vida de uma filha de escravos que contribui para a mudança de um pensamento atrasado e mesquinho é, sim, uma boa pedida.

Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.