Cinema

'Absorvendo o Tabu' fala do estigma da menstruação na Índia

Produção da Netflix levou o Oscar de melhor documentário

Heyder Mustafá (heyder.mustafa@redebahia.com.br)
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Imagine um lugar, em pleno século XXI, onde menstruar é considerado um ato pecaminoso e praticamente não mencionado ou discutido pelas pessoas. Sim, esse lugar existe, fica na Índia e foi o cenário da história contada em ‘Absorvendo o Tabu’, vencedor do Oscar de melhor documentário curta-metragem neste ano.

A produção da Netflix lança luz sobre os costumes locais que consideram a mulher impura durante o período menstrual e acabam distanciando as jovens das escolas e as adultas do mercado de trabalho, fortalecendo o patriarcado e reforçando o papel submisso e coadjuvante delas na sociedade.

Foto: Reprodução

O premiado documentário choca ao mostrar que muitas mulheres da comunidade nunca usaram absorvente e quase todo mundo se recusa a falar em menstruação. A realidade começa a mudar com a chegada de uma máquina que produz absorventes a baixo custo, o que garante mais higiene na forma de lidar com a situação e oferece uma ocupação remunerada às dezenas de mulheres desde sempre esquecidas.  

‘Absorvendo o Tabu’ fala da invisibilidade feminina, do inexistente interesse que as demandas e questões dessas mulheres despertam naquele pedaço da Índia e nos faz pensar sobre os nossos absurdos. Aqui, não temos os mesmos problemas de lá, mas ainda estamos longe do que seria uma sociedade justa e digna para todos.

*Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.