Séries

'After Life' é hilária e sensível ao falar de luto

Produção da Netflix foi uma das mais vistas em março

Heyder Mustafá* (heyder.mustafa@redebahia.com.br)
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Depois que sua esposa morre precocemente, Tony quer mais que o mundo pegue fogo. Sem qualquer tipo de razão para continuar vivendo, ele se torna uma pessoa extremamente amarga, impaciente e ríspida com desconhecidos, colegas de trabalho e até com o próprio pai, que vive com Alzheimer em uma casa de repouso. O X da questão é que todos os excessos cometidos pelo protagonista de ‘After Life’ são dotados de um humor incrível e de uma ironia tão fina que não nos resta outra opção senão adorar esse ranzinza convicto.

Tony é um politicamente incorreto assumido. Ameaça crianças, faz bullying com os amigos, destrata o terapeuta, implica com o carteiro, esculhamba as fontes das matérias que escreve para um jornal local e até patrocina o uso de heroína para um viciado da cidade. O fato é que ele está tão desgostoso com a vida, que não dá a mínima para as consequências dos seus atos. Apenas a cadela de estimação e uma senhora que também acaba de perder o companheiro escapam de sua insanidade.



Escrita, dirigida e protagonizada pelo genial comediante britânico Ricky Gervais, a série entrega uma sensível combinação de drama e comédia sobre a superação do luto e a vontade de viver. O elenco de primeira é fundamental para o show do protagonista e o brilhante roteiro é preciso ao mostra a evolução do comportamento de Tony sobre as questões expostas na história. ‘After Life’ é uma deliciosa terapia de seis rápidos e maravilhosos episódios, que merecem ser vistos sem interrupção. Experimente!

*Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.