Cinema

Aly Muritiba desabafa: 'Deixei de ser carcereiro para virar cineasta'

Baiano, de 42 anos, trabalhou em um presídio antes de ter um filme premiado no Festival de Veneza

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

Aly Muritiba declarou nesta semana que foi carcereiro antes de ser cineasta. O depoimento foi dado em uma entrevista à Revista Veja, após o Festival de Veneza. Nascido em Mairi, pequena cidade no sertão da Bahia, o cineasta foi para Curitiba e lá ele prestou um concurso público para se tornar agente penitenciário.

De acordo com o relato dele, a nova rotina estava o afetando muito e foi no curso de cinema que ele encontrou uma oportunidade de conhecer outras realidades. De lá para cá, o diretor já participou de importantes projetos, como as séries “Carcereiros” e “O Caso Evandro”.

"Nunca almejei trabalhar com cinema. Fui a uma sala ver um filme pela primeira vez na vida com 18 anos. Entrei no curso aos 27 anos, aos 28 rodei meu primeiro curta e percebi que era aquilo que eu queria fazer. Deixei de ser carcereiro para virar cineasta. Levei comigo da penitenciária um aprendizado que se revelaria essencial: a importância de ouvir as pessoas que nunca tiveram alguém que as escutasse. Gosto de falar sobre tipos que não conheço profundamente, em um exercício de empatia. Gosto de construir personagens com dilemas humanos: suas dores, amores e crenças — mesmo que eu não concorde com elas."

O mais recente é o filme “Deserto Particular”, que conquistou o prêmio de Veneza. Aly foi ovacionado pela plateia por mais de dez minutos. O longa acompanha a história de um policial de Curitiba que cruza o país até o sertão baiano para encontrar uma moça com quem se relacionava em um aplicativo.

"O lançamento do meu novo longa, Deserto Particular, no Festival de Veneza deste ano foi especial. Eu estava nervoso, havia um frisson ao redor, e a sala ficou lotada. Ao fim, a reação foi maior do que esperava: o filme acabou sendo ovacionado pela plateia por dez minutos. As pessoas saíram tocadas pela história... É uma trama sobre opostos que acham um lugar de respeito mútuo, algo urgente em nosso país. A boa recepção, seguida de um prêmio, me fez notar que vale a pena enfrentar as dificuldades de fazer cinema no Brasil", disse Aly.