Música

As Ganhadeiras de Itapuã lançam primeiro disco fazem show no Boca de Brasa

Lançamento acontece nesta quinta-feira (25), às 17h, no hotel Mar Brasil, antiga casa do poeta carioca Vinícius de Moraes

Camila Botto (camila.botto@redebahia.com.br)
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Elas são baianas de acarajé, lavadeiras, costureiras e comerciantes. Por isso, autênticas ganhadeiras. Há dez anos, 19 senhoras e 10 jovens se juntaram e formaram o grupo As Ganhadeiras de Itapuã, que lança seu primeiro álbum homônimo em evento hoje, às 17h, para imprensa e convidados, no hotel Mar Brasil, em frente ao Farol de Itapuã.


O disco, produzido pelo premiado Alê Siqueira, é composto por 13 faixas, entre cantigas e sambas de roda, como Canto da Lavadeira, Bando das Ganhadeiras (Reginaldo Souza), Conto de Areia (Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento), História das Ganhadeiras (Amadeu Alves) e Passado e Presente (Eunice Jorge). Há espaço ainda para releituras de Rainha do Mar e O Mar, ambas do mestre Dorival Caymmi (1914-2008).


Margareth Menezes é a convidada especial em Festa na Aldeia enquanto Mariene de Castro divide os vocais de Rainha do Mar. "As Ganhadeiras de Itapuã são tesouro da Bahia, tesouro do Brasil", elogia Margareth, 51 anos. O trabalho conta também com participações de músicos convidados como Seu Henrique (pandeiro) e Edson 7 Cordas (violão 7 cordas). Depois do lançamento, o álbum estará à venda na loja Pérola Negra, nos Barris.


FAMÍLIA "Foi uma maravilha (trabalhar com as Ganhadeiras) porque eu criei um vínculo de amizade que transcendeu a gravação. Elas são uma família e eu me considero meio parte integrante dela. Elas me ajudaram muito com lições de vida. Acho que aprendi mais do que ensinei", afirma o produtor Alê Siqueira, 42, que já trabalhou com nomes como Carlinhos Brown, Marisa Monte, Caetano Veloso e Chico Buarque.




O convite para produzir o disco, segundo ele, surgiu durante a gravação de Tabaroinha (Universal Music), terceiro álbum de Mariene de Castro, no qual as Ganhadeiras fizeram participação especial. "Aceitei na hora. Existe uma verdade na poética delas, no jeito de cantar. É tudo natural, sem esforço. É um trabalho autêntico, mas não ortodoxo. Não é um disco tradicional de samba de roda, há um flerte com outros gêneros. Um disco repleto de verdade", pontua Alê Siqueira.


"Graças a Deus. Conseguimos que o disco saia agora e que depois venham outras coisas melhores. São dez anos de luta. Depois queremos um DVD", diz a presidente do grupo, Maria Hermelina, 80. Maria lidera as Ganhadeiras, que atualmente conta com 29 mulheres, com idades que variam entre 14 e 83 anos. Todas cantam, dançam, interpretam e compõem, e algumas tocam instrumentos como flauta, bandolim, cavaquinho, violino, baixo e violão.


"Itapuã sempre foi um bairro festivo e estava perdendo essas raízes. Não sabíamos que seria um grupo, queríamos apenas nos reunir para cantar e dançar. Foi surgindo devagar, tudo muito despretensioso", conta Maria, sobre o início do grupo, que nasceu a partir do Grupo de Revitalização de Itapuã (Grita), fundado em 1997.


"O álbum coroa uma etapa construída com bastante persistência, afinal é um trabalho que envolve um grupo grande de pessoas. O disco fecha um ciclo e abre um novo ao colocar o trabalho delas mais visível e com maior consolidação. É uma grande conquista", atesta o diretor musical do grupo, Amadeu Alves, 47.

PARCEIROS Sobre as participações de Mariene e Margareth, Amadeu conta que se deu de maneira natural. "Foram encontros que a própria vida conspirou para ser não só de trabalho, mas de relação afetiva. As Ganhadeiras participaram de shows delas e elas de shows nossos. Foi consolidado uma parceira e há perspectivas de novos encontros", acredita.




Amadeu também é só elogios à produção de Alê Siqueira. "Ele ficou encantado e vestiu a camisa. Alê dá uma base de conhecimento técnico e também de concepção. Não é à toa que ele é um dos grandes nomes da produção musical brasileira. Fora que ele tem uma sensibilida de que permite interação com a própria parte criativa do trabalho. É maravilhoso trabalhar com um produtor desse quilate", assegura o diretor, que vê no lançamento do disco uma chance de projeção de Itapuã.


"A produção artística em Itapuã ainda é um dos grandes trunfos para vencer as dificuldades do dia a dia. Trabalhos como esse, que trazem a poesia do bairro à tona, são instrumentos que elevam a autoestima da comunidade, melhora a visão das pessoas em relação ao Abaeté. Muitas coisas que elas cantam no repertório vêm da vivência na Lagoa", diz.


PLANOS Além do lançamento do disco, o grupo está cheio de planos. No domingo, às 15h, no Abaeté, as Ganhadeiras encerram a edição do Boca de Brasa, realizada em Itapuã durante esta semana. Depois, ainda sem data definida, participam de show organizado pela Associação Fábrica Cultural, presidida por Margareth Menezes.


Em novembro, as Ganhadeiras participam de festival na Casa da Música, no Abaeté, e também pretendem fazer novo lançamento do disco, dentro da programação do Novembro Negro. "Além disso, temos o projeto de um DVD já pronto. Estamos na fase de captação de recursos", adianta o diretor Amadeu Alves.

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Matéria original: Correio*