Séries

'Boneca Russa' brinca com morte, tempo e espaço

Minissérie já é considerada uma das melhores produções da Netflix

Heyder Mustafá* (heyder.mustafa@redebahia.com.br)

Sabe aquela série que você ama ou odeia? Pois bem. ‘Boneca Russa’ se encaixa perfeitamente neste conceito e por motivos óbvios. Embora seja uma maravilhosa comédia, para entender a história é preciso estar atento, gostar de ironia e ter o raciocínio rápido para acompanhar as peripécias de Nadia (Natasha Lyonne), uma engenheira de software que morre diversas vezes e volta para a sua festa de aniversário de 36 anos. O looping macabro não para e cada morte se mostra mais bizarra e engraçada do que a outra.
Aos poucos a personagem começa a entender o que está acontecendo e à medida que tenta elaborar um plano para escapar do espiral insano alguns problemas do passado vem à tona para deixar o cenário ainda mais confuso. Nesse meio tempo, ela encontra Alan (Charlie Barnett), um jovem traído pela namorada que passa pela mesma loucura e a ajuda a resolver o caos.



"Boneca Russa" tem o roteiro genial e inovador, em comparação a outras produções que se aventuraram nessa temática de resetar a vida, por trazer uma reflexão diferente sobre a existência e a relação tempo-espaço. A atuação memorável de Natasha Lyonne - debochada, expressiva até dizer chega e com a fala infestada de sonoros palavrões - deixa a série ainda mais irresistível. São apenas oito episódios curtos, cerca de 20 minutos cada, que vão dar um nó na sua cabeça ou te proporcionar intermináveis gargalhadas.   

*Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.