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Cinco motivos para assistr manhãs de setembro: nova série nacional no prime vídeo

A nova série do Amazon Prime Video quebra barreiras e inova no cenário das produções nacionais. Sem romantização sobre a vida profissional do povo brasileiro, maternidade e realidades de transsexuais, a produção consegue mostrar novos ângulos em instâncias nunca antes aprofundadas em outras grandes obras do país. Conheça curiosidades

Por Equipe Não Óbvio
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A Amazon Prime Video prepara o lançamento de mais uma produção nacional e, assim como em Dom, a trama chega recheada de críticas sociais e com alertas que prometem inovar em diversos aspectos.

Manhãs de Setembro narra a trajetória de Cassandra (Liniker) que, desde que deixou sua cidade para trás, decidiu não fazer concessões para se tornar o que sempre quis ser: uma mulher trans livre e independente. Mas, engane-se quem pensa que o foco da obra está na transição da personagem ou apenas nas questões LGTQIA+.

Depois de anos comendo o pão que o diabo amassou, finalmente as coisas começaram a entrar nos eixos para a protagonista: ela consegue alugar um apartamento próprio pela primeira vez, tem um namorado que a ama e um trabalho como motogirl no centro de São Paulo. Mas, então, tudo se complica quando sua ex-namorada (Karine Teles) reaparece com um menino (Gustavo Coelho) que diz ser seu filho.

Precisando assumir a criança e revirar a própria vida de cabeça para baixo, a protagonista precisa encontrar novas formas de lutas e liberdades.

Tendo cinco episódios com a duração de 30 minutos, a primeira temporada será lançada mundialmente em 25 de junho exclusivamente no Prime Video em mais de 240 territórios.

O NÃO ÓBVIO esteve presente na Coletiva de Imprensa da série e trouxe motivos nada óbvios para assistir Manhãs de Setembro. Confira:

1. A maternidade sob um olhar realístico


Cena da série Manhãs de Setembro – Divulgação: Amazon Prime Video
A maternidade segue sendo algo extremamente romantizado em todo o mundo. Mulheres continuam sendo criticadas por correrem atrás dos seus sonhos enquanto criam seus filhos, assim como prosseguem em julgamentos diversos ao decidirem ou não engravidar.

Mas essa perspectiva machista e patriarcal são quebradas em Manhãs de Setembro. Cassandra, convicta do seu perfil como uma mulher trans, foi surpreendida quando uma criança aparece na sua porta afirmando ser seu filho.

A criança, querendo ou não, trouxe uma grande turbulência na vida estável da protagonista, já que com ele vieram as novas responsabilidades emocionais, financeiras e de outros cunhos.

A série, então, aponta muito bem esse outro lado da moeda quando se trata de maternidade. Ela consegue ser sensível e cuidadosa ao mostrar o grande amor e a bela relação parental, mas não deixa de apresentar angústias e questionamentos.

A produção, portanto, é voltada ao afeto, a família e ao amor, gerando esperança e quebrando de paradigmas. É sobre abrir a mente para absorver os novos conceitos e, quem sabe, ampliar os seus horizontes do saber.

2. Vida profissional e artística não romantizada

Cena da série Manhãs de Setembro – Divulgação: Amazon Prime Video
Cassandra exerce o trabalho como motogirl na grande São Paulo, profissão esta que não é muito valorizada e que muitas vezes conta com casos de arrogância e ingratidão entre os receptores e os entregadores. E é em aspectos assim que a série também vai se debruçar.

Como toda profissão possui o seu lado bom e ruim, para os motoboys e motogirls que fazem entrega, o lado ruim seria o risco de sofrerem acidentes de trânsito, a grosseria de alguns clientes que não compreendem a demora e os dias de chuva intensa ou de sol.

Então, livre de romantizações, Cassandra chegará cansada e super estressada do trabalho. E, por isso, uma das suas realizações é ser também uma artista cover de Vanusa.

Infelizmente, existem muitas barreiras para as artistas trans em construir uma carreira musical, mesmo que enxerguem na arte uma forma de sustento e liberdade. De mesma maneira, já é dificultoso ser um artista em geral no cenário brasileiro, e isso também é mais um ponto bem abraçado pelas discussões da série.

Essas reflexões chegam para exibir ainda mais o quão necessário é propor mais debates sobre a importância da inclusão nas empresas formais e na indústria musical.

3. Personagens cheios de camadas e muitas subtramas inteligentes

Malu Miranda, produtora cinematográfica, afirmou que, por ter personagens que não são focados em apenas um objetivo, mas sim em diversas camadas, a obra cativou os corações do Amazon Prime Video desde o momento em que foi apresentada como uma ideia.

“Há dois anos, ouvimos executivos de Los Angeles e várias ideias no Brasil inteiro. E essa foi uma das primeiras a se destacar, acho que pela complexidade dos personagens, a jornada da Cassandra era muito clara e específica”, afirma.


Cena da série Manhãs de Setembro – Divulgação: Amazon Prime Video

A profissional explica que a especificidade e complexidade que um personagem determina se a série terá uma vida longa e se terá uma boa aderência.

“É um projeto sobre valorizar quem realmente está do nosso lado, é sobre todas as formas de amar, e não sabíamos há dois anos e meio o que o mundo ia passar. Então, poder lançar isso agora, mesmo com todas as dificuldades que estamos vivenciando, é mais um brilho pra gente poder falar sobre aceitação e amor”, completou.

4. Menos estereótipos e mais humanização

Na maioria das narrativas cinematográficas e audiovisuais, as pessoas trans seguem sempre em situações de perigo, de violência, e sob um olhar muito marginalizado.

Para Liniker, que interpretará Cassandra, o que mais a atraiu na série foi a oportunidade de criar um imaginário real de uma pessoa trans. Ou seja, de mostrar o dia a dia de um trans como alguém “vivendo normalmente e superando obstáculos”, por mais que seja também importante o alerta aos perigos e as quebras dos preconceitos.

“Acredito que constituir e criar uma personagem a partir do ponto de vista da rede de afeto que ela tem, foi uma das coisas que mais me emocionou quando peguei o roteiro pela primeira vez. É maravilhoso poder criar uma personagem com uma relação humana, social e real. Cassandra não estava nesse lugar encaixotado e engarrafado que muitas narrativas cinematográficas de audiovisual colocam as pessoas trans”, explicou.
Cena da série Manhãs de Setembro – Divulgação: Amazon Prime Video
Liniker acredita que só em poder ver uma personagem que tem uma casa e é uma travesti já significa muito. “Agradeço muito aos roteiristas por terem tido esse carinho de humanizar uma personagem tão complexa e intensa como a Cassandra.”, completou.

5. Pioneira nacional em um novo tipo de representatividade

Luís Pinheiro, diretor da série, citou a importância de ter uma série cujo o seu maior diferencial é retratar uma mulher trans no momento de pós transição de gênero, ao invés de focar apenas no durante, que é o que a maioria das produções têm feito ao tocar na temática.
Foto: reprodução
“Ter uma protagonista preta e trans no cenário obscuro do Brasil em que estamos vivendo é fundamental enquanto resistência, enquanto cultura. É uma oportunidade para propor uma personagem como a gente quiser, que trabalha e valida o afeto”, pontuou.

Além disso, Manhãs de Setembro é a obra cinematográfica nacional pioneira quando se trata de apresentar uma história cujo a abordagem da personagem trans mostra relacionamento amoroso e social estável. A série mostra uma mulher intensa, financeiramente independente e bem resolvida.

Foto: reprodução
“A Amazon Studios está conhecida como a casa de talentos que está sempre buscando vozes não amplificadas no audiovisual, marginalizadas. Queremos amplificar essas vozes no mundo todo e Manhãs de Setembro fala de amor que está acima de quaisquer circunstância”, afirma Malu Miranda.

*Conteúdo divulgado em parceria com o site NÃO ÓBVIO