Teatro

Cinco talentos baianos da área de artes cênicas para ficar de olho

Eles estão em espetáculos, webséries, longas, novelas e até mesmo nas redes sociais com personagens icônicos

Lívia Oliveira (livia.oliveira@redebahia.com.br )
- Atualizada em

Quantos atores baianos você conhece? Tenho certeza que pensou em Lázaro Ramos, mas a Bahia tem muitos outros talentos, por isso separamos cinco artistas para você conhecer. Eles estão marcando presença em espetáculos, webséries, longas, novelas e até mesmo nas redes sociais com personagens icônicos, pois é como diz o ditado: "baiano não nasce, estreia". Esta é uma das matérias que compõe o especial 'Brilho Baiano', onde o portal iBahia lista novos talentos de diversas áreas: música, empreendedorismo, artes cênicas, ciências, audiovisual, literatura e artes plásticas. Vem conhecer o que a Bahia tem de bom para oferecer:

Clara Paixão, Digo Santos, Evana Jeyssan, João Pimenta e Carol Alves | Foto: arquivo pessoal

Clara Paixão

Do hábito de imitar personagens no espelho durante a infância até aos palcos, Clara Paixão, de 36 anos, conta que a arte "a escolheu". Ela já participou de peças de teatro, como 'A Comida de Nzinga', 'Castelo da Torre' e 'Se Acaso Você Chegasse', da série 'Ó paí, ó' e da novela da Globo 'Gabriela', que a atriz garante ter sido um dos momentos mais marcantes da sua vida. "A novela global mexeu muito comigo, eu me sentia grande e importante como todas as pessoas que estavam ali. Quando voltei para casa percebi o quanto precisava criar autonomia e enfrentar a vida". 

Clara Paixão em cena | Fotos:  Sora Maia, Diney Araujo e  Fábio Bouzas 

Para se preparar para os papéis, a atriz, que também é formada em jornalismo, explica que se inspira no cotidiano e gosta de ficar em silêncio. "Quando ando na rua fico ligada nos comportamentos das pessoas, em como elas falam, agem. Meu ritual é buscar pessoas no meu cotidiano e ir construindo meus personagens aos poucos", conta Clara, que também busca sempre se capacitar. 

Mesmo com os desafios da profissão e a necessidade de ter uma "carreira extra" para sobreviver, Clara Paixão garante que estar no palco é um "presente do universo", que tem muito orgulho de ser atriz e que em suas experiências fora do estado percebeu o quão baiana é. "A gente [os baianos] tem uma naturalidade de estar em cena. Parece que todo mundo em Salvador tem um potencial para ser artista", acrescenta. 

Digo Santos

Digo Santos, de 24 anos, ganhou o gosto do povo com sua personagem Nininha Problemática, que está presente em todas as redes sociais e também no segmento musical. Recentemente, ele lançou o projeto Abusada, que reúne quatro músicas com ritmos variados do Norte e Nordeste do país. Ao iBahia, ele conta que Nininha surgiu em sua vida em 2017 quando decidiu fazer uns vídeos para seu canal no YouTube e um deles viralizou. Atualmente, Nininha tem 31,4 mil inscritos no canal e 200 mil seguidores no Instagram

Foto: reprodução / Instagram

A personagem tem como inspiração as mulheres da periferia, as "foveiras". "Eu moro em uma periferia (Sete de Abril) e observava o comportamento delas, o jeito de fala, e fui trazendo um pouquinho de cada uma para fazer a Nininha. E ela me colocou nos holofotes, me permitiu ser visto e realizar sonhos que para mim eram muito distantes". 

O artista conta que gosta de tocar as pessoas com a arte, seja por uma música, fala ou vestimenta. Após cantar em cima de um trio elétrico, no Carnaval de Salvador, Digo garante que ainda tem muitos objetivos para alcançar. "Quero muito gravar com algum artista grande nacionalmente, participar de um programa de TV ou até ter o meu próprio programa". E para quem quer investir na carreira artística, Digo aconselha "Observe, pratique, treine a voz. Tudo pode ser matéria-prima lá na frente".

Evana Jeyssan

Evana Jeyssan, de 30 anos, foi eleita atriz revelação pelo Prêmio Braskem de Teatro, em 2015, mas garante que já sentia as famosas "borboletas no estômago" da profissão desde os 9 anos, quando interpretou seu primeiro personagem. "Fui a flor do campo. Lembro da sensação, do quanto foi gostoso e encantador pegar aquele textinho e memorizar", relata. Além dos personagens nos espetáculos teatrais ('As Confrarias', 'Milagre na Baía', 'Pavio Curto' e 'Gusmão: um Anjo Negro e sua Legião'), Evana chegou a ser convocada para o elenco da segunda fase a novela Velho Chico.

Evana em cena | Fotos: Heder Novaes, Nelson Aguiar e Diney Araujo

Em entrevista ao iBahia, Evana afirma que valoriza o trabalho em si, a energia e a expressividade de estar no palco, tanto que o personagem que mais a marcou foi na peça 'Morte e Vida Severina', que só tinha um pequeno trecho de fala. "Eu não preciso de um personagem, de um grande texto para fazer um bom teatro, uma boa encenação", garante. 

Sobre inspirações, Evana não hesitou em afirmar: "O artista negro sempre será inspiração para mim independente de quem seja, porque ser preto e artista é ser resistência. Denise Correia, Márcia Lima, Valdinéia Soriano e Viola Davis são mulheres incríveis, que me inspiro muito". Além de outros artistas, Evana reforça que a Bahia e os baianos também são uma inspiração para ela.  

João Pimenta 

Quem gosta de comédia ou simplesmente não perde uma boa resenha na web com certeza já viu o trabalho de João Pimenta, mais conhecido como Pé de Pranta. O humorista é dono de um canal no YouTube com 793 mil inscritos, e tem mais de 280 mil seguidores no Instagram. Na quarentena, João viralizou na internet com suas aulas de culinária no quadro "Larica do Ódio". Recentemente, ele passou a integrar a equipe do Porta dos Fundos, com o quadro "Cozinha com Pimenta".

Foto: divulgação 

Para o portal, João revela que suas inspirações são a observação do cotidiano, dos episódios da vida, os amigos comediantes e dois comediantes gringos - Dave Chapelle e Trevor Noah. Ele também relembra os momentos mais marcantes da carreira. "Quando eu subi no palco com meu personagem Pé de Pranta, em Pojuca, e quando fiz primeiro show de stand up fora da Bahia com meus amigos Matheus Buente Tiago Banha e Jhordan Matheus, que junto comigo compõem o Vatapá Comedy Club".  

João Pimenta ainda acrescenta que gosta de poder habitar em vários mundos sem sair do dele ao atuar e que, onde for, levará sua baianidade junto. "Poder fazer o trabalho que eu faço hoje com a minha forma de expressar, do jeito que eu falo, sobre as coisas que eu acredito é extremamente gratificante", acrescenta. 

Carol Alves 

Carol Alves, de 34 anos, nasceu no Rio de Janeiro, morou em várias cidades pelo Brasil e encontrou na Bahia o seu lar e o seu despertar artístico profissional. Ela fez curso livre de teatro na Universidade Federal da Bahia e também se formou em Produção Cultural. A atriz, que é protagonista da websérie Punho Negro, já atuou nos espetáculos "Gusmão: o Anjo Negro e sua Legião", pela Cia de Teatro da UFBA; "Relatos Sentimentais para Corações Juvenis"; e "Cruéis Aprendizes"; e na websérie "Septo". 

Carol em cena em 'Gusmão', 'Punho Negro' e 'Relatos Sentimentais' | Fotos: Diney Araujo e divulgação

Ao iBahia, Carol conta que sempre teve uma afinidade com a vida artística e que costumava brincar de criar, contar e encenar histórias durante a infância. A atriz reforça que tem várias inspirações profissionais, principalmente de pessoas próximas - familiares, colegas de trabalho e grupos de teatro, como o bando de teatro Olodum. "Viola Davis, Valdinéia Soriano, Laís Machado, Mônica Santana, Evana Jeyssan, Alice Carvalho, Lázaro Ramos e Taís Araújo são artistas que me inspiram muito, que vejo nos palcos e acompanho os trabalhos", exemplifica. 

Durante a entrevista, a atriz afirmou que todos os momentos da sua carreira estão sendo marcantes, do teatro ao audiovisual, e que pretende viver uma vilã e atuar em uma obra de terror. "Sempre desejo que meus trabalhos reverberem de alguma forma, que façam as pessoas refletirem e serem tocadas", reforça. 

Com relação ao protagonismo em "Punho Negro", do coletivo Êpa Filmes, que conta a história de Tereza, uma super heroína que concilia a vida de mãe e esposa com a missão de combater os vilões de Salvador, Carol Alves explica que tem sido um imenso prazer. "Após fazer a audição, eu fui convidada para participar do coletivo. Então, além de protagonista, tive a oportunidade de contribuir com a narrativa da história e foi muito incrível. A websérie é um lugar de representatividade e visibilidade e espero ver outros desdobramentos de Punho Negro, como gibis". A segunda temporada, que conta com o patrocínio da Oi, será lançada em fevereiro de 2021.