Música

Da Bahia para o mundo: Del Feliz celebra fase com turnê no Japão

Cantor falou ao iBahia sobre projetos, música e São João

Priscila Morais* (priscila.morais@redebahia.com.br)
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O forrozeiro Del Feliz não carrega em seu currículo apenas o trabalho de cantor e compositor. O artista já fez de tudo um pouco. De catador de lixo até o mundo da música, o filho de dona Nicinha, que é natural de Riachão de Jacuípe, município situado a 186 km da capital baiana, afirma que "tudo que é hoje, foi por causa do fruto de suas experiências". Em entrevista ao iBahia, o cantor falou sobre a vida pessoal, agenda de São João e participação no 'The Voice Brasil' (TV Globo), confira: 

Foto: Divulgação
iBahia: Del, sua grande influência para entrar na música foi a sua mãe. Você decidiu partir para o mundo musical por conta da opinião dela ou você sempre quis ser cantor também? 
Del Feliz: Sem dúvida foi pela minha vontade. Isso de minha mãe era muito espontâneo. A gente não tinha ambiente, nem estrutura pra isso. Tudo era muito certinho e só tínhamos tempo para trabalhar. Mas a vontade de ingressar na música foi totalmente minha. 

iB: Você já teve profissões como catador de lixo, feirante, ajudante de pedreiro e camelô. Qual a lição você tirou disso?
D.F: Eu tive dezenas de profissões e o bacana foi que aprendi tudo. O que sou hoje é fruto de minhas experiências. A vida é uma oportunidade constante de aprendizagem e eu nunca olhei com tristeza e reclamação. Tudo foi conquistado com o olhar de quem é positivo.

iB: Em 2015, você participou do 'The Voice Brasil' (TV Globo), onde os quatro técnicos do programa te aprovaram. Você já esperava por isso?
D.F: Eu nem sabia que ia participar do 'The Voice'. Eu fui inscrito por algum fã e eu não esperava mesmo. Acabou sendo muito emocionante pra mim, porque seria uma troca bacana não só com os técnicos, mas também com os produtores. Eu aprendi com todos! Ali é uma oportunidade excelente. O programa abrange o Brasil inteiro. O fato dos quatro terem virado a cadeira pra mim, me deu uma alegria muito grande. Acho que o grande segredo é esse: ir lá desprovido de uma disputa e fazer nossa parte. Além disso, eu fui reconhecido mundialmente, marcou bastante. 



iB: Recentemente você participou do novo DVD de Adelmário Coelho. Vem mais parceria por aí?
D.F
: A gente já fez vários trabalhos. Ele também participou do meu DVD, em 2017. O forró é uma junção de amigos, então estamos sempre juntos, um apoiando o outro sempre. Adelmário é um grande amigo, e foi uma alegria muito grande participar do 'Carrossel do Tempo', projeto que reuniu os 25 anos de carreira dele. 

iB: Por falar em parceria, quem seria sua grande influência na música?
D.F: Quando fala em uma inspiração é difícil. Tem alguns nomes como Alceu Valença, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Flávio José! Nossa! Tem tanta gente boa! Quando eu lembro da minha história de menino, de catador de creme dental, só vem na minha cabeça Luiz Gonzaga e Trio Nordestino. São os dois nomes que marcaram a minha infância em termo de trilha sonora. 

iB: Quais são os planos para o São João? Pode adiantar a agenda pra gente?
D.F
: Todo ano a minha agenda se supera. Eu passo cada vez mais em várias cidades. Caruaru, Salvador, Amargosa, Amélia Rodrigues... eu acredito que serão mais 20 de cidades e carregando sempre na mochila e no coração a musica. O São João é a comunhão da nossa alma. 



iB: Ainda sobre o São João, o que você está preparando para o público?
D.F
: Eu estou comemorando a canção 'Eu sou o São João', gravado por inúmeros artistas e se transformou no símbolo da campanha pelo registro do forró como Patrimônio Cultural do Brasil. Então, em nossos shows, terá sempre algo em especial voltado pra essa música.

iB: Além de cantar, você também compõe. Qual foi a sensação de ver 'O Hino do São João da Bahia' feito por você ser gravado por 40 cantores?
D.F: Eu fico contente, porque nasceu com esse intuito de difundir a festa para o mundo. Essa música tem versão em espanhol, francês e inglês, e quando vemos uma composição nossa por outros artistas me deixa muito feliz. Enquanto compositor, eu fico bastante feliz, tudo reflete em um reconhecimento do meu trabalho não só como cantor.
Foto: Reprodução | Instagram

O forrozeiro está no Japão, onde fará sete apresentações em quatro cidades: Tóquio, Gunma, Handa e Hamamatsu. O show, batizado de “Cordel Feliz”, tem duração de 1h45 e é composto por uma série de clássicos do forró, além de canções mais atuais.




* Sob supervisão do repórter Guinho Santos.